quarta-feira, junho 18

o crescimento espiritual e o fluir do KI sem bloqueios


Às vezes sinto muita falta daquele instante mágico. Podia ser depois de um intenso fim-de-semana de farra: eu abria o roupeiro e encontrava a minha roupa dobradinha com o cheiro confortante do Quanto Fresh Boom Rosa. Um regalo. E se por acaso depois dessa constatação (que não era surpreendente - era só o curso normal da minha feliz existência [embora não me parecesse feliz e eu quisesse morrer para ir ter com o Kurt Cobain]) me apetecia um pão fresco com manteiga, eu dirigia-me à cozinha com a certeza de que ia satisfazer a minha vontade.

Era tão simples como isto: se acabasse o papel higiénico na casa de banho, não havia nada a fazer senão abrir o armário e encontrar uma série de rolos à espera de entrarem ao serviço.

Agora sim, quase a chegar aos 25, consigo entender que a felicidade está em pequenas coisas do quotidiano - “o que é que te apetece almoçar?” ou também “vou às compras, queres que te traga aqueles iogurtes?”.

Já não sou uma teen armada em problemática e consigo, por exemplo, curtir a riqueza que existe no bem-estar familiar. Como é bom ficar no sofá com os olhos muito redondinhos e húmidos de ternura como uma lontra. Creio que seja uma espécie de paz interior, saber viver deliciada com a aparente banalidade - usar roupa confortável, dar à pele um pouco de sol, beber água fresca, ouvir cantar os passarinhos. Saber apreciar todo um estado bucólico, já que a vida não me permite outras coisas, é a única solução a curto e médio prazo. Amadurecimento? Conformismo? Idiotice?

…Custa muito, mas de facto é uma lição a considerar. O da plenitude nas coisas simples.

E todos os dias contemplar um pedacito do céu enquanto se abafa o mais que se pode a ideia peregrina de andar 3 meses num trajecto Portugal – Brasil – Argentina –Chile – Portugal.

Ai as agruras da vida adulta e ai o choque frontal com a realidade.

Segundo uma amiga psicanalista: eu detesto crescer. Graças a deus que não lhe pago para receber estas novidades.

2 comentários:

medusasss disse...

olha que... já tive uma amiga psicóloga e era um inferno!
Defeito profissional ou não, ela avaliava e analizava todos os meus comportamentos e finalizava com: "Med, devias fazer terapia. Bem sabes que eu faço e estou muito melhor!"
Yeah! Sure!

Mas a verdade é que crescer é doloroso, mas necessário: a vida não espera por nós. E esses momentos de pura preguiça de que falas... são mesmo bons... recarregam quaisquer baterias esgotadas!

***

Telak disse...

os psicologos são tipo os livros de auto-ajuda, so servem para nos dizer o que sabemos mas se calhar precisamos de outra pesssoa (ou coisa) para o confirmar.