terça-feira, junho 24

o fim do mundo em cuecas

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respectivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem).
A ASAE para já mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” - eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stadivarius ou a Bershka.

Licença comercial só após o cessar de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Arrisco algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja
b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)
c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar na merda da vida.
d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…no way!”)

Fortes neuras e stresses domésticos são a incapacidade dos progenitores actuais.
Se pensarmos em pequena escala vamos dar ao fim do mundo.

Vejamos:

200 adolescentes ficam histéricas porque a Pull estava em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços.
Depois de toda a tensão para escolher apenas uma peça apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas. Estas 200 adolescentes seguem em fúria para casa.
E já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 200 adolescentes resolvem experimentar cocaína. E estas 200 adolescentes espalhadas por vários estabelecimentos de ensino…é uma bola de neve. Se isto ocorresse numa altura como esta: saldos + exames, imaginem…

De modos que a minha teoria bate certo – a música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.

Sem comentários: