segunda-feira, setembro 22

agradecimento



De há uns tempos a esta parte, muito me tem apetecido deixar aqui o meu agradecimento sincero a umas certas senhoritas. Falo de uma espécie que, não tendo nada de interessante para fazer, se entrega a uma actividade antiga e não é pinar (isso é coisa que elas certamente não fazem com o terror que alguém descubra que são humanas e abanam).
O que esta espécie gosta mesmo é de foder o juízo alheio. E embora pareça contraditório, tenho de agradecer a este tipo de mulheres.

Obrigado por trazerem sempre o nariz torcido, a testa franzida e uma expressão constante de “dahh” nessas fuças. Devo dizer-vos que muito me alegram pessoinhas com um certo ar de trissomia 21.

Obrigado por terem 3 palavras a boiar aleatoriamente no lugar onde era suposto haver um cérebro, sempre em screensaver mode – Celulite, Laxantes e Rugas.
Obrigada pela vossa capacidade cobarde de medir forças pelo número de centímetros com que uma gaja se aguenta em pé, pelo número das calças ou pelo tamanho do sutiã.
Obrigada pela terapia de choque gratuita e bastante útil a uma ex-toxico-independente que esteve agarradinha à indução de vómito e ao abuso de diuréticos.

Minhas lindas:

Eu não tenho medidas 86-60-86 como podem verificar a olho nu, não tenho uma barriga lisa e seca, não tenho um cu de brasileira, não tenho uma altura de modelo.
Por outro lado tenho celulite, tenho flacidez, tenho cabelos quebradiços e tenho 5kg a mais e ainda por cima muito localizadinhos que eles estão, e não são muitos!, e não sou poucos!.

Obrigada por me lembrarem disso todos os dias.

Vocês obrigam-me a exercícios e a longas conversas comigo mesma. São conversas de um grau de intimidade tal, que vocês nunca terão porque se sentem desconfortáveis com o que são. Nunca nada está bem não é? Os filhos têm sempre qualquer coisa maçadora, os maridos sempre qualquer coisa irritante, a casa sempre qualquer coisa que falta, o carro sempre qualquer risco que incomoda, as férias sempre qualquer coisa a menos que as das amigas, as unhas sempre qualquer coisa que estala, a cabeça sempre qualquer coisa que dói, no mundo sempre qualquer coisa que enjoa e em vocês sempre qualquer coisa que não está nada nada bem.

Estão presas na falácia de um Perfeccionismo que nada tinha a ver com a minha antiga. Eu tinha um problema e a única pessoa que se fodia com isso era eu.
Vocês vivem uma crença fundamentalista e não se coíbem de foder o juízo dos outros, com todas as indelicadezas a que se permitem, tentando converter ateus a uma religião-massacre.

Obrigada por me ajudarem a recapitular as lições da minha sobrevivência.
Mas preciso que entendam: eu não tenho culpa de ser mais inteligente do que vocês, mais nova do que vocês, mais enérgica do que vocês. Eu não tenho culpa de ter uma família louca e maravilhosa. Eu não tenho culpa de ter uns amigos fantásticos e ainda mais divertidos do que eu. Eu não tenho culpa de ser independente, de ter a minha casa, o meu salário, os meus horários, as minhas idas ao cinema, as minhas festas, os meus jantares, as minhas compras egoístas, as minhas paixões e as minhas paixões. Eu não tenho culpa de ter uma vida-antípoda-dos-vossos-sonhos e não tenho culpa de me espatifar toda, de cair, de errar e de ceder dentro do possível (e às vezes dentro do impossível) ao que me apetece.

Agora continuai na vossa vidinha. Eu já estou satisfeita. Agradeço as vossas piçadas maldosas e não quero mais. Quero viver de uma forma muito diferente da vossa e com todos os problemas que isso me proporciona. Não é? Bastantes até! Mas tão risíveis e idiotas como vocês.

Tenho de vos avisar que a partir de agora, qualquer tentativa para me fazerem sentir anormal vai fazer ricochete.

Valha-vos a santa fluoxetina não é?

7 comentários:

Pulha Garcia disse...

Mais importante do que os critérios de beleza é uma pessoa viver em equilíbrio, paz e com predisposição para sorrir. As contas fazem-se no final do campeonato...

Paula disse...

Auch! You go girl!
Let them have it!
:)
Bjs!

misskitsch disse...

Portanto, tivemos um embate de frente com uma p*ta, hein?!
Gosto sempre muito... Parece-me que o que as faz disparar é sermos sempre mais novas, mais "estou-me a cagar para vocês todas e as vossas depressões e o vosso número 32 de calças"

É deixá-las! Que delas será o reino do Senhor.

Miss Pu disse...

mas who the fuck are them??

medusasss disse...

Anda tudo apostado em apontar as pontinhas dos pés para as virilhas e "empurrar" com força!
***

kiss me disse...

Fabuloso

Mak, o Mau disse...

Esta é aquela altura em que eu, desempenhado o papel de macho alheio à estratégia de guerrilha do mundo feminino digo:

Hein?