terça-feira, setembro 2

tã nã tã tã tãan…she’s loving it!


Era uma vez uma gaja. Essa gaja trabalhou durante uns anos num restaurante conceituado e abonado com uma estrela Michelin, onde era responsável sobretudo pelos croquetes.
Essa gaja adorava trabalhar nesse restaurante, adorava os empregados fardados, as cozinheiras despachadas, o tlim-tlim da loiça, a chefe da limpeza e sobretudo, adorava o chefe de cozinha que era um primor (Dia sim, dia não. Mas um grande amor). Essa gaja acordava todos os dias muito feliz, tirando certos dias em que acordava de mau humor.

(Desculpem, estou a mentir.)

Essa gaja acordava sempre de mau humor.

(Desculpem, estou a suavizar.)

Essa gaja tinha um humor matinal incompreensivelmente detestável. Incompreensível porque, há que ver a verdade como ela é, essa gaja era tinha uns bons dentes, os melhores amigos do mundo, uma família abençoada, um cão muito fofinho e, cereja em cima do bolo, um trabalho que a completava.

De repente aparece a ASAE, que encontra uma toalhita desmaquilhante da L’Oreal daquelas que removem mesmo o rímel waterproof, atrás da sanita num dos wc.
Não foi exactamente assim. Mas o que importa reter é que a ASAE não esteve com modas e fechou o estaminé. E a gaja viu-se agarrada aos tomates. Estou a mentir outra vez. A gaja não tem tomates para agarrar. Quando muito, croquetes. (relativamente a esta “piada”, espero o vosso sincero perdão).

Sendo esta gaja especializada em achaques de Drama Queen, seguiram-se dias negros. A reacção foi típica: ficou doente, achou que o mundo devia acabar JÁ!, chorou 18h por dia, acabou com o stock de lenços/rolo de cozinha/papel higiénico de casa, gritou desesperada, bateu com a cabeça nas paredes até entrar em transe. E passou noites numa ladainha doentia:

“...o mundo é uma merda, quero morrer, tenho de arranjar 605 forte, nunca tive um momento feliz na vida, o que é que eu faço aqui? o mundo é uma merda, quero morrer, tenho de arranjar 605 forte…”

Regra geral, depois de 2 horas nisto, ela perde a coordenação e o controlo motor.
Depois de ensopar 3 almofadas de lágrimas, ranho e baba e quando já não conseguia ver um boi à frente dos olhos, achou que estava na hora de ficar por ali.

Acontece que a gaja viu-se obrigada a procurar trabalho como responsável de croquetes, mas como se costuma dizer em histórias dramáticas – a vida pregou-lhe uma partida.
A pobre gaja teve de aceitar trabalhar no Mc Donalds. Como é sabido, não existe o Mac Croquete, e portanto, agora ela é responsável pelos Sundays de Caramelo e às vezes pelas Chicken Mc Nuggets.

É tão triste esta história. Não vos vou deprimir mais.

Agora uma informação para vos alegrar e mostrar que é possível encontrar um novo alento na vida, mesmo quando tudo parece terrível: amanhã esta gaja vai inscrever-se num desporto de combate!
Vai ficar forte como um leão e vai oferecer porrada sem medo!
Embora estejamos (ah como me sinto sempre acompanhada) a falar de um desporto de combate para gajas. E que não é muito a sério.
Na verdade chama-se Body Combat.

7 comentários:

Emma Bovary disse...

Lixado era aparecer-lhe um cancro... :/

misskitsch disse...

Body combat é para pussies.

Dito o que se impunha, acrescento ainda que a vida é estranha e dá voltas imensas mas a coisa compõe-se. Sendo o Mac o que é, em três meses é gerente, mais 5 tem franchising! É sempre a subir... não há que desanimar. Pelo menos o Mac é limpinho e a ASAE, ao que consta, nunca fechou nenhum.

p.s. os teus posts fazem o meu dia (e não, o meu dia não é deprimente. até tem os seus momentos!)

Paula disse...

Deixa lá, que é como diz a MissKitsch, daqui a uns tempos essa gaja já é gerente e em menos de nada, até cria o seu Mac Croquete (em mim já tem cliente fixa, que eu A-DO-RO croquetes)!
E rissóis e pastéis de carne e pastéis de bacalhau e tal e tal e tal...
:)
Bjs!

Lady Oh my God! disse...

Babes, só um reparo: isto é uma alegoria parva relativa à minha mudança de emprego.
Não sou especializada em croquetes e não trabalho no mac.

MissKitsch ainda estou rosadinha com o teu elogio. Obrigada :)

medusasss disse...

lol
Bela alegoria!

Já bodycombat é desporto de combate para gajas, mas não deixa de ser bodycombat! E quem não sabe o que é pensa que praticas Jui Jitsu ou Tai Kwon Do!

(e sabe tão bem dar sovas imaginárias em ódios de estimação)

***

Mak, o Mau disse...

Eu também ofereço porrada sem medo, já receber é que me amedronta algo mais...

Pulha Garcia disse...

História profunda. Uma autêntica bofetada de luva branca em todos aqueles que acham que os croquetes não têm qualquer relevância na vida das pessoas pós-almoço.

Aguardo com expectativa a adaptação deste conto aos filetes de peixe galo...para onde terá parado a carreira da "croquetista"? eu aposto tudo no restaurante "Zé do Peixe".

(PS- a sério. Gosto do nonsense deste blog)