quarta-feira, outubro 8

juro que não encontro razões para tanta felicidade!

Olhem lá para mim que vou dar a mão à palmatória:

Eu até gosto do Outono. Nunca pensei dizer isto assim de boca cheia (…? parva.) mas é bem verdade. Antes passava 8 longos meses muito infeliz e ansiosa pelos 4 meses quentes. Cheguei a considerar que padecia de depressão sazonal e coloquei seriamente a hipótese de emigrar para o Brasil. Mas cá fui insistindo, uns dias mais ranhosa que outros, até que cheguei a este estado de maturidade que me permite aceitar o mundo e as suas condicionantes meteorológicas com candura.

É que começo a gostar mesmo disto. Tudo cinzento, casacos, cachecóis, cheiro a castanhas, chás e cigarros, vento, chuva miudinha, lama e ramos de árvores partidas (? parva.)

Eu nunca passei um Outono na minha casa e estou verdadeiramente histérica para que isso aconteça! Este recente amor pelo Outono deve estar ligado ao conforto que começo a sentir lá dentro, agora que não faz eco. É tão lindo ver uma casa a ser decorada e completada aos poucos. Agora já sou daquelas afortunadas que dizem “os meus bibelôs isto, os meus bibelôs aquilo”, porque já tenho um bibelô e uma moldura, que para mim, juntos e emparelhados são bibelôs. É surpreendente ir acompanhando as mudanças. Há uns dias comprei um tapete para a sala e vocês não imaginam a minha alegria em constante renovação! Sinto-me um peixe! Basta-me por exemplo, ir fazer um café à cozinha durante uns minutos…quando volto para a sala fico outra vez surpreendida e exclamo (sozinha e neurótica) “Oh! Um tapete!” e bato palminhas, deixando cair o café para cima do tapete.
É uma felicidade tão instantânea e genuína que às vezes até faço de propósito. Penso assim – “vai lá aspirar o Closet (que chique, I’m loving it) e depois volta para o quarto…até te passas com a beleza deste edredão!” E efectivamente passo-me! Passado um momento regresso ao quarto e fico avariadinha da cabeça, atiro-me para cima da cama e beijo o edredão “coisa mais linda da menina, tinkie-winkie, meu zara home aquisitation, meu padrão requintado, és tão fofinho, promete à tua baby que dormes comigo para sempre e não me decepciones!Eu prometo não olhar para outros mais bonitos que tu! (só se forem muuuuuuito mais baratos)”

Aconselho a todos este tipo de exercícios que são a chave da felicidade. O meu lema ultimamente tem sido “Ama e Surpreende-te” e se acaso houver por aí algum editor com olho para a coisa (…? parva) que não se iniba em propor-me escrever um livro de Auto-Ajuda para Mulheres.
Só para que entendam em maior profundidade estas duas técnicas de amor e surpresa, seguem dois exemplos que podem praticar e adaptar às vossas realidades (reparem como vos amo! Para vocês é de graça!):

No escritório adoptem uma postura leve e alegre e arrisquem um certo olhar infantil (mas cuidado para não parecerem a Palhaça Picolé):

“Oh!! Uma caneta! (largo sorriso) E escreve!! (sobrancelhas sempre levantadinhas) Que liiinda! (olhos brilhantes e quase marejados) Que conforto a escrever! (palminhas mas com cuidado, não espetem o bico na mão) (…? parva.)

Quando aparecer um colega de trabalho (aqui é mais fácil se for agradável à vista, com um certo ar-mistério e sobretudo, se as mãozinhas parecerem mesmo jeitosas para uma palmada ou outra, que deus me perdoe)

“Oh! (olhos e boca pin-up, sucesso garantido) Estás cá? (expressão facial regressa suavemente ao normal, ou seja, ar confuso e semi-lerdo) Não te via há algum tempo! Dá cá um abracinho! (aproveitem como quiserem) Quer dizer, não te via desde ontem...! (um certo riso delicodoce + um certo ar de burra e está feita).

Aliás, a burrice é um instrumento valioso. Garanto-vos que é um óptimo repelente ser e demonstrar ser mais inteligente do que eles. O que é muito fácil e normal que assim seja. Só que no processo de conquista, esconder esse facto é uma mais-valia impressionante. A prova provada é que a lata percentagem masculina que frequenta este blogue está cada vez mais caidinha por mim, à medida que confesso as minhas falhas de inteligência. (NÃO ME DEIXEM ENVERGONHADA, EXIJO ARREBATADAS DECLARAÇÕES DE AMOR)

Agora vou-vos mostrar como acabavam sempre as minhas composições escritas sobre o Outono:

Eu gosto muito do Outono.

9 comentários:

Mak, o Mau disse...

Eu tinha uma colega minha na primária que acabava as suas composições de forma muito parecida.

"Eu gosto muito do Tono"


Felizmente, ele também gostava dela e hoje vivem num T1 nas Galinheiras com os seus 4 filhos e a mãe dele.

Queres finais felizes queres? Então toma:p

matt disse...

Olá

Fiquei realmente sensibilizado pela forma como tratas o teu edredão. O único perigo que ai vejo é um dia convidares o colega para ir conhecer a tua casa e te desmanches para cima do edredão e deixes o colega sentado no tapete.

bjs

matt

Maria Inês disse...

De cada vez que aqui venho, rebolo a rir. Não há nada a fazer.

Maria Inês disse...

De cada vez que aqui venho, rebolo a rir. Não há nada a fazer.

Miss Pu disse...

lolllllll

Delirei com o (...?parva)

ahahahahaa

Bela composição. Quando era piquena também me aprezava muito fazê-las e costumava ter "Bom" ou "Muito Bom".
Ficava triste quando tinha "Satisfaz Bastante".
Satisfaz? Poupem-me...

Emma Bovary disse...

Eu gosto é do Inveeeeeerno... Assiiiiiim. Looooooongo. :D

Anónimo disse...

o matt anseia por proximidade c o teu edredão!

misskitsch disse...

Eu também odiava o Outono. Era mesmo miserável durante o Outono. E agora, muito devido à alergia desenvolvida ao sol, aprendi a gostar.

Só a chuva é que ainda não me cativou... mas eu chego lá!

Shotgun no teu livro de auto-ajuda! Primeira a comprar! ;)

Por acaso ainda hoje pensei nisos quando estava a picar o ponto e a recepcionista me disse: Então, já cá estamos outra vez, não é?! *suspiro*

Epah, eu gosto de vir trabalhar. E vou seguir o conselho de me regojizar de cada vez que uma caneta escreve... obrigada! ´

SÁBIAS PALAVRAS!

Queen Su disse...

Este post é delicioso!
Chuac!