domingo, novembro 2

aceitam-se abraços

Há domingos que é assim:

(de manhã estou a dormir)

À tarde

instalo-me no sofá, vou dar uma volta, vou ao supermercado, entrego-me às arrumações e limpezas, espreito as movimentações clandestinas da minha rua, invento uma tradução para as discussões dos chineses do andar de baixo, falo com amigos no msn, tenho longas conversas com a minha mãe, pinto as unhas das mãos e dos pés da mesma cor, ponho roupa a lavar, experimento uma receita (desta vez crunchy granola), vejo um filme (desta vez Control), vou tomar café com alguém, certifico-me que na tv passam os mesmos filmes (desta vez já não me lembro), troco sms’s, tento ler qualquer coisa mas não me concentro, recorto revistas, jornais, flyers, páginas brancas e amarelas, convites e bilhetes e recorto e colo, recorto, colo porque meti na cabeça que seria terapêutico tentar compor algo novo a partir de fragmentos e escondo tudo bem escondido numa gaveta, não interessa.

Aliás, nada interessa.
Há dias que é assim – não há nada que eu possa fazer que me leve esta sensação que algo está errado, que me falta qualquer coisa, que deveria estar

ou a rir histericamente numa montanha-russa
ou numa praia brasileira munida de água de coco
ou a provar escorpiões panados no Tibete.

E acho que merecia tudo isto com uma OST de luxo.

Sinto um sufoco anormal com o meio-gás, o morno, o suficiente ou o quase.
A minha vida não deveria ser nada disto.
Amanhã é segunda-feira.
Vou ali fazer um chá de valeriana.


3 comentários:

medusasss disse...

Só desgraças! lol

***

Pulha Garcia disse...

Eu poupo tempo na pintura das unhas e gasto tudo em jogos de futebol na Sport TV. Quanto ao resto é mais ou menos a mesma coisa.

Anónimo disse...

I feel the same. É de morar sozinha. Preciso de um namorado, merda.