quarta-feira, maio 28

amanhã é que vai ser

O dia de hoje começou oficialmente há cerca de 23h15 atrás. Eu tentava dormir, mas sem sucesso. Muitas voltas na cama, a almofada que insistia em não ser anatómica, um mosquito a tentar viver às minhas custas, o frigorifico a roncar. Como é normal nestas circunstâncias, deus castiga-me por ser tão má e dizer tantas asneiras e resolve carregar o meu botão off por volta das 6, altura em que me restam duas horas para perceber o que estive a perder nas 5 anteriores.

(banho com àgua a meio-gás, tropeções, chuva pelo caminho até ao trabalho)

Dossiers, papeladas, stress, sandes, telemóvel, chamadas não atendidas, gente que não aparece a horas, o carimbo que resolve partir-se em dois, a impressora sem tinteiros, um pequeno momento para sorrisinhos e dizer que está tudo sob controlo ao big boss, uma ida ao wc para suster uma lagrimita e inspira-expira, a sensação de que se está prestes a falhar por alguma coisa esquecida e que vai ser o erro do século.

(oh meu deus está na hora, mp3 sem bateria, caminho para casa em silêncio...? não. não vou a pé, deixa-me oferecer-te uma ida de autocarro cachopa, que estás cansada – e saco dos últimos trocos e dou ao condutor que à primeira vista é bem jeitoso, mas depois sorri mostrando com uma certa insanidade a imensa falta de um canino)

E entretanto outro banho, ainda mais a meio-gás, entro no vestido, ponho os brincos, cremes, baton, rímel, perfume, saltos altos e estou mais ou menos e saio de casa. Não tenho dinheiro nenhum, tenho de apanhar um táxi, tenho menos de 15 minutos para estar a tempo de salvar o meu dia e poder ao menos rir-me um bocadinho de mim com um bocadinho de vinho e com um bocadinho de sorte o meu dia vai valer a pena.

Saco do cartão com um sorriso de estrela na 1ª caixa Multibanco – “Cartão Multibanco não válido” que é como quem diz “Loooser! Vai masé pra casa, faz pipocas que ainda estás a tempo do Preço Certo em Euros”.

E eu rio-me, faz parte, relax, estás a ter um dia complicado é só isso. Não há nada como desprezar esta merda de caixa Multibanco que é certamente a incompetente do ramo. E arrasto-me até outra caixa, bem ao lado. Enfio o cartão, ouço uns barulhos esquisitos que me fazem lembrar o caralho do frigorífico, vá lá ainda hoje levantei dinheiro de manhã, tenho mais de mil euros na conta, estou podre de rica, plamordedeus, dá-me só 10 euritos é tudo o que é preciso e de novo - “Cartão Multibanco não válido”.

E acredito com firmeza que é uma questão de gases daquela zona, radiações, ondas magnéticas, fantasmas, tudo junto a dar cabo do sistema.

Aflita e já completamente atrasada, torço um pé e vejo a menina dos meus olhos, a caixa que vai ser a minha salvação e que me vai mimar com uma nota, que me vai permitir aceder à minha fortuna pessoal. Meto o cartão e juro que fecho os olhos por 2 segundos, para não chorar e para dar sorte à máquina com as minhas boas vibrações (?) e novamente o ecrã avermelhado “Cartão Multibanco não válido”.

Arrasto-me para casa incrédula e o telefone toca e não há hipótese de me virem buscar e eu estou com muitas dúvidas se quero ir porque de certeza que era capaz de morrer a descer as escadas.
O único consolo é ter a certeza que amanhã vou aliviar um pouco esta dor. E ah meus amigos, o cliente tem sempre razão e eu tenho tanta coisa a deitar cá pra fora. Nada como ir pedir por contas a um balcão de atendimento ao cliente. Vai ser um chinfrim.

domingo, maio 25

Training with Pai Mei - Eye of the Tiger ou como o gaspacho Pingo Doce é importante na minha alimentação

Hoje vou estar em preparação mental para uma semana de loucos. Será um retiro espiritual com o objectivo máximo de manter o nível de actividade cerebral mesmo muito baixinho. Só quero manter aquele mínimo que dê para descodificar a informação que está no relógio e conseguir saber onde estão os pacotes de leite. De resto, concentração total e contacto com o inner self de acordo com os preceitos menos racionais. Palavras de ordem – inspira, expira.

As tarefas da semana que se aproxima incluem, entre outras coisas, evitar cerca de cinco mil vezes (tendo em conta a média de mil por dia útil) ter a palavra “pichota” ou a expressão “puta-que-o-pariu” sempre prestes a sair-me da boca e cultivar uma mente sã exterminando pensamentos absurdos. Nada de estar ao telefone cheia de cerimónias com alguém importante e ter de estar sempre a reprimir qualquer coisa idiota, do tipo “está com gases hoje? Ai eu hoje estou impossível…”

Mas à parte dessas capacidades que eu terei de descobrir em mim, esta semana:

- vou alterar a minha morada fiscal
- vou usar saltos altos num evento chique
- vou reunir provas para fazer andar um processo em tribunal
- vou ouvir muitas vezes panpipes nas chamadas em espera e cantar suavemente a musica original partilhando-a com todo o escritório
- vou inclinar a cabeça em jeito de vénia com o meu melhor sorriso
- vou equacionar emigrar umas trezentas vezes mas logo de seguida lembrar-me que estou prestes a vibrar com o futebol nacional e por isso agora não dá jeito
- vou desejar com todo o meu organismo ter férias
- vou apontar delicadamente o dedo à incompetência e seus incompetentes
- vou deixar a condescendência de parte e usar uma expressão que se me anda a remoer debaixo da língua - “não me chateies pode ser?”
- vou-me enervar com a chuva e com o consequente cabelo à Shakira
- vou tatuar algures entre o pé e o pescoço “a cantar desde 1983” (esta é mentira)

quarta-feira, maio 21

Eu tinha de deixar isto por escrito.

Já se passaram dois anos, mas eu não consigo esquecer. Já não existe vida universitária. E esta é A Verdade da minha vida. Não tenho o prazer de faltar às aulas, não passo longas horas na esplanada, não estrago a vida a nenhum professor com o meu mau comportamento, não saio à noite dia sim dia sim, não me meto em novelas mexicanas, não lanço tantos boatos como gostaria, não suplico por mais um dia para entregar um trabalho e por aí vai. A única diferença vantajosa é que não tiro fotocópias com o sentimento de culpa de quem está a foder o dinheiro aos papás.

Como não existe vida universitária, o próximo Euro não será numa praia fluvial a comer caracóis, a beber minis e a infestar o ar com o cheiro a côco do protector solar. E não haverá a sensação reconfortante de estar entre uma cambada de iguais que não se importam de partir daí para outras bandas apesar do cu molhado e do cabelo empastado e da a pele a pedir um banho e só um bocadinho de hidratante. E também já não há a ida às cantinas, as corridas lançadas depois do repto gritado - "o último a chegar tem sida!" e de repente há alguem que se espatifa ao comprido e comida por todo o lado, pratos partidos, salva de palmas. E já não há batatada e peixaria da grossa, discusões irreais que acabam com um irreal "eu comi arroz com feijão num restaurante em Nova Iorque com o antigo presidente do Brasil, portanto não me venhas com essa merda de que arroz com feijão é comida de porco!" e uma pequena multidão ri com a estupidez e a vida é mesmo a puta da loucura, bora lá beber mais uma.

E já não há as delícias de falar mal (mas mesmo muito mal, "aquela ressabiada, a que cheira mal da boca") das colegas de curso, dos betos, dos malcheirosos, das tunas, dos que dão pancadinhas nas costas mas são os maiores cabrões, dos burros, dos snobes e de toda e qualquer besta no geral. E também não há casas impossíveis, dias sem horas, wc's de pantanas, roupa pelo chão e "quem é que está cá a dormir?" e "quem é que comeu o resto das febras de ontem, tenho de tomar o pequeno almoço!".

E não há paixonetas renovadas todas as semanas, o não-sei-quem-que-andou-com-aquela, o erasmos espanhol e italiano, os cornos que se metem e que se levam, a rapidez com que se parte para outra, o namoro que se tenta levar a sério, o choro compulsivo de quem está prestes a morrer mas que passa logo no dia seguinte. Porque afinal, os melhores amigos do mundo estavam ali com o colo disponível a toda a hora e cervejas no frigorífico e à noitinha havia uma coisa ainda melhor que o rapazote que nos deu com os pés - a sessão de televendas com produtos e aparelhos delirantes que nos devolvem outra vez o sentido da vida.

E é o risco fatal ao mais pequeno deslize, erro de cálculo ou opção duvidosa.
E é uma maravilha e uma merda que tenha sido assim e que não volte a acontecer.

segunda-feira, maio 19

Desculpem qualquer coisinha...

...mas não resisto a deixar aqui a melhor laracha de hoje, por um amigo meu:

D. - Antes do terramoto...ela era assim.

quarta-feira, maio 14

stand by

Continuo com uma sensação desgraçada de que deveria fazer qualquer coisa de bem anormal na minha vida para lhe dar uma volta. As ideias não param de circular na minha cabeça, mas eu vou arrumando tudo como se estivesse a jogar um tetris esquizofrénico. Se eu efectivar as ideias altamente parvas que me vão surgindo, podem daí advir graves preocupações e angústias que chacinam o meu precioso tempo de sono. Por outro lado, o não cumprimento das minhas vontades podem-me matar aos poucos, correndo o risco de olhar para trás um dia e constatar amargamente que a minha vida foi uma grande merdinha. Das duas uma: ou começo a aprender as regras da bolsa e do mercado de acções porque o dinheiro não traz a felicidade pura e ingénua que existe numa fantástica sessão de riso ao por-do-sol, mas traz a felicidade imediata e fútil na compra de um magnifico par de sapatos. Ou deixo-me da preguiça, dos medos vários e da desculpite de falta de tempo e empenho-me à procura do por-do-sol perfeito e das gargalhadas incontroláveis sem pudor.

Fantástico seria viver o que me passa pela cabeça com uns sapatos de sonho. (excepto no desejo de alugar um aquaparque com água tépida para dar uma festa de arromba)

sábado, maio 10

A autora deste blog...

...não está somente a recuperar energias gastas na fantástica noite de quinta-feira.
Também continua a fazer coisinhas altamente idiotas e egocêntricas com fotografias.

segunda-feira, maio 5

carta aberta. aberta comà'lilian


Desde que, à uns tempos, resolvi disponibilizar um e-mail de contacto para dúvidas ou elogios - exclusivamente - a minha caixa de correio tem dado sinais de vida. Acontece que até à data é tudo SPAM.

Às vezes, quando estou mesmo mesmo cansada e entediada e me ocorre a possibilidade de poder haver alguma diversão nesse tipo de e-mails, eu resolvo abrir e ver o maravilhoso mundo da merda cerebral em frente ao ecrã. Sobretudo quando um e-mail, de um remetente desconhecido, tem como subject "Hello my dear-one".

Sinto-me no dever de esclarecer a lilian7williams mas (e desculpa lá lilian) tenho de o fazer com conhecimento porque não me apetece nada que este assunto fique só entre nós.

Então:

Lilian,

acho que deve haver um mal-entendido. Sobretudo no que diz respeito à minha sexualidade. Eu sou uma mulher que por acaso não sente qualquer tipo de desejo sexual por outras. Sim, e desculpa se te posso magoar com isto, mas o que é facto é que eu gosto de homens. Dito de outro modo - não sou sapatão.
Dizes que viste o meu profile, não sei qual foi a parte de mais te interessou...realmente sou dada ao tutti-frutti mas não podemos encarar esta expressão de uma forma literal Lilian! Não significa de modo nenhum que sou dada a "toda a fruta", sou aliás, estupidamente selectiva. É mesmo impossível que alguma coisa possa acontecer entre nós.

E não compreendo como é que te estás a dar como minha amiga quando eu de ti não sei nada...bem sei que me queres enviar a tua fotografia, mas Lilian, entende uma coisa: a tua fotografia não me faz a mais pequena falta. Consigo compreender, apesar da distância que há entre nós (e que tão bem referes), que deves ser fresca e estás-te a armar ao pingarelho Lilian, estás-te a chegar muito à frente!, a abusar da confiança! Mas comigo não fazes farinha!

E esse teu discurso final em jeito de post scriptum deixou-me mesmo enjoadinha - "...the distance or colour does not matter but love matters alot in life" - o que é isto?

Tive dúvidas, sabes? Primeiro achei que fosses uma pêga, depois talvez houvesse a hipótese de seres cientóloga, mas agora estou certa de que és uma idiota. Das grandes.

Jokas,

LOMD

sexta-feira, maio 2

é um gremlin a cantar em mandarim

No post anterior avivei a memória de vários factos que julgava arquivados.
Um deles tem a ver com crianças.
Eu tenho estofo, jeitinho e amor e vou dar uma mãe fantástica quando for grande. (modéstia para que te quero?)

E porque é que eu gosto tanto de crianças? (perguntam vocês, caros leitores)

Porque são as únicas criaturas que põem a cheque a sua natureza - serão humanas ou desenhos animados?

quinta-feira, maio 1

Hoje

Dia do trabalhador.
E eu com duas almas em guerra como dizia o Jorge Palma (como eu o amava numa idade em que tentava beber tanto como ele e achava possível ser Hippie de profissão)
Há uma Lady no meu cérebro que não se cansa de me massacrar:
"Amanhã - dia de trabalho! Tomaaa!
Tra-ba-lho! Isso mesmo: trabalhinho do bom e um milhão de problemas para resolveres.
Hoje é feriado; depois de amanhã - fim-de-semana, mas antes - trabalho!"
Depois....há a Lady optimista, humilde e good vibes que bota o seu paninho quente sobre a febre da maldita, evoca memórias de outros trabalhos, biscates e amargos part-times e o mundo volta a ter por segundos um filtro cor-de-rosa clarinho.
Como eu odiei ser auxiliar de uma cabeleireira neurótica; vender Net Cabo porta-a-porta à hora de jantar; tomar conta de crianças em festas de aniversário; trabalhar na área da padaria num supermercado e usar uma merda ASAEana na cabeça, fazer figuração em praias, bares, estúdios, morangos com açucar, floribella, etc.
Isto envolveu alguma falta de dinheiro, mas sobretudo teimosia e muita, muita estupidez.