segunda-feira, junho 30

ajudem-nos a ajudar

Como sou uma Lady nobre e dada não só ao tutti-frutti, mas também às causas importantes, declaro oficialmente a minha solidariedade para com este projecto.
Ao que parece, isto é um bocadinho como o antiquissimo "Você Decide" - portanto votem!

Se não o conhecerem de lado nenhum, façam-no por mim. Afinal quero ter amigos ricos, famosos e com connections (eu também dava uma boa apresentadora do CC!)

(Penim: pra já, ficas-me a dever um euro)

terça-feira, junho 24

o fim do mundo em cuecas

Se eu mandasse em Portugal, a ASAE deixava de fiscalizar casas de pasto e os respectivos prostíbulos anexos. Deixava de implicar com madeiras emporcalhadas e cagava na cena dos PPL-PPP-PPC (pia-para-legumes; pia-para-peixe e o resto já sabem).
A ASAE para já mudava logo de nome porque eu não o entendo na sua totalidade: “Autoridade de Segurança Alimentar e Económica” - eu entendo o que seja segurança alimentar, afinal temos de estar atentos ao que metemos na boca, na medida do possível. Mas segurança económica? São poucos os que podem dizer “sinto-me seguro economicamente”. E esta segurança nada parece ter a ver com a ASAE.

Mas, como dizia, a ASAE transmutar-se-ia para a Autoridade de Segurança Auditiva e Económica (afinal não interessa se uma pessoa entende ou não o termo, acabo de aprender que o que importa é soar bem) e passava a fiscalizar locais de diversão diurna de entrada livre, como a Stadivarius ou a Bershka.

Licença comercial só após o cessar de uma Rihanna esganiçada em alto volume de som. Logo teríamos uma larga massa de adolescentes em crise existencial. Arrisco algumas razões:

a. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude a esquecer a falta de dinheiro para comprar metade da loja
b. talvez uma toada sexy-fresh-pop ajude as adolescentes a sentirem-se sexy-fresh-pop ao espelho com os trapinhos igualmente sexy-fresh-pop (é todo um universo…)
c. talvez uma toada sexy-fresh-pop deixe os funcionários sem qualquer capacidade para pensar na merda da vida.
d. talvez uma toada sexy-fresh-pop abafe os comentários das fêmeas mais ranhosas (“o cu dela não cabe ali…no way!”)

Fortes neuras e stresses domésticos são a incapacidade dos progenitores actuais.
Se pensarmos em pequena escala vamos dar ao fim do mundo.

Vejamos:

200 adolescentes ficam histéricas porque a Pull estava em total silêncio. Cada uma delas fica frustrada porque esteve atenta o suficiente para ler as etiquetas dos preços.
Depois de toda a tensão para escolher apenas uma peça apercebe-se que terá de fazer uma cirurgia para ter mamas. Sai do vestiário e ouve uns risinhos trocistas que põem fim à amizade de semanas e semanas. Estas 200 adolescentes seguem em fúria para casa.
E já estão a ver o filme – mães em pânico, pais que não cedem ao diálogo, tias que põem água na fervura, uma tensão de morte durante dias até que, 200 adolescentes resolvem experimentar cocaína. E estas 200 adolescentes espalhadas por vários estabelecimentos de ensino…é uma bola de neve. Se isto ocorresse numa altura como esta: saldos + exames, imaginem…

De modos que a minha teoria bate certo – a música imprópria para consumo nos estabelecimentos comerciais tem tudo a ver com o lado ordeiro de um povo. Tenho dito.

segunda-feira, junho 23

eu acho que preciso de férias quando...

...me perguntam a idade e eu fico em modo loading durante uns 7 segundos, sem me ocorrer a mais pequena ideia.

quarta-feira, junho 18

o crescimento espiritual e o fluir do KI sem bloqueios


Às vezes sinto muita falta daquele instante mágico. Podia ser depois de um intenso fim-de-semana de farra: eu abria o roupeiro e encontrava a minha roupa dobradinha com o cheiro confortante do Quanto Fresh Boom Rosa. Um regalo. E se por acaso depois dessa constatação (que não era surpreendente - era só o curso normal da minha feliz existência [embora não me parecesse feliz e eu quisesse morrer para ir ter com o Kurt Cobain]) me apetecia um pão fresco com manteiga, eu dirigia-me à cozinha com a certeza de que ia satisfazer a minha vontade.

Era tão simples como isto: se acabasse o papel higiénico na casa de banho, não havia nada a fazer senão abrir o armário e encontrar uma série de rolos à espera de entrarem ao serviço.

Agora sim, quase a chegar aos 25, consigo entender que a felicidade está em pequenas coisas do quotidiano - “o que é que te apetece almoçar?” ou também “vou às compras, queres que te traga aqueles iogurtes?”.

Já não sou uma teen armada em problemática e consigo, por exemplo, curtir a riqueza que existe no bem-estar familiar. Como é bom ficar no sofá com os olhos muito redondinhos e húmidos de ternura como uma lontra. Creio que seja uma espécie de paz interior, saber viver deliciada com a aparente banalidade - usar roupa confortável, dar à pele um pouco de sol, beber água fresca, ouvir cantar os passarinhos. Saber apreciar todo um estado bucólico, já que a vida não me permite outras coisas, é a única solução a curto e médio prazo. Amadurecimento? Conformismo? Idiotice?

…Custa muito, mas de facto é uma lição a considerar. O da plenitude nas coisas simples.

E todos os dias contemplar um pedacito do céu enquanto se abafa o mais que se pode a ideia peregrina de andar 3 meses num trajecto Portugal – Brasil – Argentina –Chile – Portugal.

Ai as agruras da vida adulta e ai o choque frontal com a realidade.

Segundo uma amiga psicanalista: eu detesto crescer. Graças a deus que não lhe pago para receber estas novidades.

terça-feira, junho 10

escuta telefónica

Estou sim muito boa tarde? Seria possível falar com o Santo António se faz favor?
Sim, sim, eu aguardo. Como? Ah, sim. Diga-lhe que estou a falar da parte da Drª Lady Dog. Obrigada…

…Estou sim? Estou a falar com o Santo António? Queira aguardar só um momento, vou passar a chamada à Drª Dog. Muito Obrigada.

Estou? Tó? Então pá! Tudo nos conformes? Eh pá…vai-se indo…Ah não, não vamos falar disso. Ah não, isso não…pois. Isto agora ao telefone nunca se sabe quem nos ouve…Pois pá, em relação a isso também não entendo… Chateada? Eu? Contigo? Nada disso Tó, está tudo bem…quer dizer, é como te disse…Vai-se indo.

…Pois o ano passado não brindámos não…vai-se a ver e é esse o problema…Pois. Desculpa lá. Mas olha Tó, vamos fazer uma coisa…é tentar não é? (tentar não custa) então… (quer dizer custa às vezes) mas como ia a dizer…este ano não faço mais nada por uns dias senão pensar em ti, rezar p’la tua alma, comer sardinhas e beber boa sangria ok? Prometo pois...Não, o São Pedro é que é uma merda como sabemos. Deu cabo disto tudo até agora. Mas eu vou fazer a minha parte, o nosso combinado, está descansado. Tu sabes que a minha palavra vale tudo. Agora é o seguinte pá, o que me dava jeito era o Peter Krause. Com kapa sim…não pá! É kapa-êrre-á-u-ésse-é. Exactamente. Esse mesmo. Nate Fisher, Six Feet Under, isso. Pronto…vê lá o que é que desenrascas. É a primeira vez que te peço alguma coisa, por isso vê lá se me salvas desta porca miséria! É que assim sempre via jeitos de sair daqui. Pois…útil ao agradável…Não, não me interpretes mal, o útil é sair de Portugal, agradável é o Peter.

…Mas outra vez com essa conversa?? Ãhn? O problema não é o referente geográfico? Ãhn? Qual música do António Variações? Não te estou a ouvir…! Que merda é essa do referente geográfico Tó? Estás-te a passar?! Os homens o quê?

Oh pá, não vamos entrar por aí. Peter Krause e não se fala mais nisso.

Bip bip bip bip bip bip

sexta-feira, junho 6

todos temos um lado ultra-suave

Tenho uma vagina. É um facto confirmado por algumas criaturas, com ou sem o meu consentimento. Uma pessoa quando está em certas idades ainda não detém o controlo total sobre a sua privacidade e pode acontecer que seja a mãe, a tia, a avó ou o irmão mais velho a dar-lhe banho. Mas adquirido o direito de fechar a porta da casa de banho sem que ninguém se atreva a entrar sem pedir licença, sob pena de tentativa de homicídio ou suicídio, tudo muda. Depois disso, e se tudo correr bem (que não corre, os balneários escolares são terreno minado) só a ida ao ginecologista é que pode ser mais dúbia. E depois há a primeira vez e todas as outras.
Mas depois - e isto é o importante - depois há várias tentativas para encontrar a pessoa ideal: a tal que nos consiga satisfazer com muito jeitinho, requinte e ardor. É o que todas queremos. Seguem-se as experiências más, assim-assim ou só boazinhas, mas nós cagamos de alto para as boazinhas. Porque o razoável nestas coisas não chega - nós queremos encontrar O ideal que corresponda aos nossos sonhos sem tirar nem pôr. Atenção que não estou a falar da busca pelo homem perfeito. Há uma coisa tão ou mais importante – a esteticista.
Eu encontrei a mulher da minha vida há coisa de 2 anos. Chama-se Esmeralda e tem 37 anos. Já viu as minhas partes baixas de todos os ângulos possíveis. Já me pediu para me colocar em posições inacreditáveis. Conhece melhor do que ninguém, e melhor do que eu, o que se passa lá em baixo. Sabe o que há a fazer, onde é que me dói mais, o que é que eu prefiro, quais as zonas mais complicadas e de como eu gosto da coisa feita (passo a expressão). Sabe exactamente o que me dizer, desembaraçadamente:

“ó filha, não dói nada. Sabes como é…”
“segura aqui que é melhor”
“puxa a pernoca assim…isso...como tu sabes”
“está quente filhota? Eu sopro”

Eu deito-me naquela marquesa com a certeza de que no final sairei uma mulher novinha em folha, respiro fundo, oiço o Roberto Carlos e sigo ordens, vou dando uma olhadela para confirmar que está tudo a correr como o previsto e reforço a sensação de estar em boas mãos (passo a expressão).
A Esmeralda é impecável. Uma das coisas que marca o seu profissionalismo é a sua religião anti-pêlo. Ela calça as luvas com um brilho nos olhos, pega no pauzinho (passo a expressão) mergulha-o na cera (passo a expressão) e, implacável, roda o pauzinho enquanto sopra a cera e me pisca o olho como quem diz – “vamos dar cabo desta merda toda ãhn?”. Há uma raiva contra a pilosidade como nunca vi em ninguém, tanto que, tenho de lhe por travão volta e meia para que não fique desfalcada. Mas ela insiste:

“isto não faz falta nenhuma filha”
“já que tirei aqui agora tiro deste lado também, tem de ficar igual não é?”
“ vira-te lá querida, é num instante”

Nós não temos propriamente aquela relação que muitas afirmam ter com as suas parceiras – não falamos de homens, não filosofamos, não indagamos sobre a vida privada dos antigos residentes do B.B.. Não temos conversas terapêuticas nem conversas casuais. Eu não sei muito sobre ela nem ela sobre mim. A nossa relação baseia-se numa união de interesse mútuo, numa necessidade constante de avaliar zonas de conforto, fazemos uso de uma linguagem muito pouco verbal, tudo regado com muito carinho e um silêncio tranquilo. E há sempre tempo para uma massagem local com óleos apaziguantes no fim de tudo. É amor portanto.