Quem priva comigo sabe que sou uma pessoa inteligente e perspicaz. A minha capacidade de apreensão de conhecimento é muitíssimo eficaz e por acaso até era pessoa para enveredar por uma carreira académica se não tivesse mais nada que fazer. Mas, como não há rosa sem espinhos, vejo-me muitas vezes em maus lençóis ou simplesmente constrangida por causa de um pequenino senão – é a velocidade.
Cada qual tem o seu ritmo e o meu é lento. Até porque depressa e bem não há quem. Eu não tenho problemas em assumir: sou lenta, preciso de tempo para compreender tudo, peço muitas vezes para me repetirem as coisas, recapitulo, revejo e releio e penso bastante.
Sou demorada, é isso.
Passou-se uma cena na minha casa, no dia 25 de Dezembro, e só agora é que estou a entender a gravidade da situação.
Ora reparem:
depois de um empanturramento colectivo, a minha mãe aclara a voz e fala para cerca de 30 pessoas
(fala não – grita. E grita como se estivesse a vender peixe no Mercado do Bulhão)
Mãe: QUEM É QUE QUER LICOR DE PÊSSEGO? OU ESTÁ TUDO A BEBER CARÓLAINES?
A minha prima e afilhada (7 anos): OH TIA! O ÁLCOOL NÃO ALIMENTA NEM DÁ FORÇA!
Neste segundo viram-se 30 cabeças para a minha mãe, que está com uma cara de parva que até dá vontade de fazer festinhas, garrafa na mão e copo na outra, olhos muito abertos:
AI É?
(blackout no cérebro, restauração do sistema em 2 segundos – quem me dera – arranca com fúria total:)
POIS É MINHA MENINA!
MAS OS DOCES TAMBÉM NÃO ALIMENTAM NEM DÃO FORÇA E TU BEM OS COMES!
(ainda bem que ela não rematou com um TOOOOMA!)