sexta-feira, janeiro 16

chevrolet

Nos meus primeiros oito anos de existência, o que me fez agarrar à vida, foi o Disney Channel. Aliás, foi uma das coisas. Porque também haviam os New Kids on the Block, uma t-shirt dos New Kids on the Block e o Chuck E. Cheese.

Mas sem dúvida que o Disney Channel foi o factor determinante que me agarrou à vida (é que nem tive direito a leite materno).
Posso dizer que os meus mais básicos traços de personalidade e as minhas expectativas iniciais, foram toldadas na base daquelas histórias e personagens que me divertiam e me ajudavam a compreender o mundo. Às vezes chorava baba e ranho e sentia-me revoltada com as injustiças – foi o que aconteceu quando o pai da Ariel lhe destrói a galeria com a colecção de objectos dos humanos. Nessa vez vi-me tão desorientada que rasguei o Rei Tritão do meu caderno de colorir.

Como não podia deixar de ser, também a minha ideia de amor nasceu das premissas que vinham directamente importadas do ecrã – há sempre um happy ending, sê bonita e bondosa que tudo se resolve, as bruxas e os monstros morrem todos no final, os príncipes aparecem sempre num cavalo branco ou assim e se houver merda chama-se a fada madrinha ou a sininho, que tudo se resolve, há sempre um happy ending, sê bonita e bondosa e assim.

Claro que, com o passar dos anos, fui percebendo que tudo isso é verdade. Só que está tudo codificado de outra maneira – o cavalo branco pode ser um Chevrolet, as bruxas podem ser colegas de trabalho, os príncipes podem até estar disfarçados de sapo (embora não tenham de ser mesmo verdes), a fada madrinha pode ser uma grande amiga e o happy ending…bem, o happy ending estamos sempre à espera dele.

E isto ainda pode ser muito melhor. Conseguimos estar deslumbrantes sem a obrigação das mangas de balão e quando vivemos um momento romântico ou épico, em princípio (se formos normais), não estamos a ouvir Phil Collins.

5 comentários:

PKB disse...

Eu pensei que o Phil Collins fosse já uma peça de museu dos casalinhos de adolescentes dos anos 80! Hoje deve ouvir-se Tokio Hotel e João Pedro Pais (yak!)

R.L. disse...

ahah, também dispenso as mangas de balão :)

Susymary disse...

hahahahahaha
adorei a estocada final com o phil collins! muito bom!

medusasss disse...

Só não ter de ouvir Phill Collins é um Happy End.

E ainda bem que ouvir a músiquinha da Ariel cantada na versão brasileira por amigos etilizados e abichanados é só uma vez por ano, e espero eu que tenha sido duas vezes na vida... É como dizem: o inferno é na terra.

Anónimo disse...

e se tivesses crescido sem esse canal, como seria? até tenho medo!! :)