domingo, fevereiro 22

zzzzzzzz.....

Para compensar o meu péssimo acordar, Deus concedeu-me o grande dom de ter um óptimo adormecer. Um bocadinho de cansaço e um bocadinho de conforto encontrado numa cadeira mais jeitosa e já está. E se a temperatura ambiente optimizar tudo isso é tiro e queda.
Aqui há dias entrei no comboio com a firme certeza de que ia ler a revista que tinha em mãos, já que prometia um grande artigo sobre celulite e isso era tudo o que me podia manter acordada. Mas não.

Adormeci. E acordei três vezes. Três humilhantes vezes.

Primeira vez
Foi um senhor muito amável que trazia vestido uma farda da CP. Tocou-me no ombro porque, ao que parece, queria picar-me o bilhete. Só que esse toque no ombro fez com que a minha voluptuosa parte traseira fizesse ricochete com o banco e foi por um triz que não bati com a cabeça no tecto.
Recomposta, lá lhe dei o bilhete e voltei a encostar-me à janela.

Segunda vez
Não sei qual foi a razão, mas acordei. Acordei e dei conta de que estava com a boca toda aberta. Mas toda aberta. Ou seja, os meus três dentes do siso ali expostos à comunidade, perfeitamente visíveis a olho nu.
Abri os olhos e fechei a boca e tentei não dar ares de envergonhada. Ainda assim estava a ser doloroso encarar toda aquela gente que deteve total conhecimento da minha dentição da forma mais idiota de sempre.
Lá me acalmei e dormi mais uma vez.

Terceira vez

E desta vez acordei com o quê?
Com uma valente gargalhada.
E quem é que se estava a rir histericamente?
Eu.
E porquê? Não sei, mas devia estar a sonhar com qualquer coisa muito engraçada.

Foi horrível sentir-me uma doente mental no meio daqueles adultos todos muito orientadinhos. Tão horrível como daquela vez em que me ri, sem o mais pequeno controlo, do cego que costuma pedir na linha azul e que canta o “tenham-a-bondande-de-me-dar-uma-esmola-se-faz-favor” enquanto toca ferrinhos com a bengala e várias zonas do interior das carruagens.

E antes desse já me tinha rido da cega que abanava a cabeça – quem conhece as cantinas amarelas até é capaz de saber de quem estou a falar. Aquela que tem caracóis, está sempre com os fones nos ouvidos (que não lhe basta faltar um sentido) e abana muito a cabeça. Às vezes parece que está a querer desenhar oitos no ar com a ponta do nariz.

Só desgraças.

7 comentários:

Maria Inês disse...

uma vez morri a rir (e consequentemente morri de vergonha) com o cego do metro que canta mas em versão rap. por vezes não tenho qualquer controle dos impulsos.

Leididi disse...

lollllllllllllllllllll
Muito bom.

Sereia disse...

Isso tá mau!

Golem disse...

E tu não apertaste a mão a um tipo que pedia esmola, pensando que ele te estava a estender a mão porque te conhecia de algum lado...

Eheheh... Isso é que dá vontade de rir...

Sanxeri disse...

Deteste adormecer no autocarro/comboio exactamente pelas cenas que uma pessoa faz.

Eu durmo de boca aberta e, pasma-te, babo-me. :P

Inesa disse...

Muito bom!

E esticar o braço em frente ao comboio a pedir que pare como se fosse um autocarro?

Dani disse...

you just made my day :) obrigadissimo!