quinta-feira, março 12

man, I feel like a woman

Hoje sonhei com o meu ex – eu estava numa paragem de autocarro, deitada a dormir no banco, e entretanto chega-se o rapaz, deita-se ao meu lado, abraça-me e pronto. Ali ficamos a roncar.
O meu ex que, é o meu único ex, assim a sério. Porque tudo o resto foram brincadeiras que duraram umas semanas ou uns meses e não eram oficialmente um namoro, como este foi, o único totally old-school – “namoras comigo? - I do”.

Um namoro mesmo à séria. Daqueles em que uma gaja chega a ter direito a meia dúzia de doces do Algarve quando a sogrinha vai de férias.

Éramos uns agarrados à coca. Estou a brincar. Éramos uns agarrados um no outro, que aquilo era só love e o primeiro meio ano foi um paraíso. Depois no outro meio ano aquilo já era vida de casados, partilhávamos as limpezas domésticas e chegou o dia em que dei por mim a passar umas calças a ferro (juro por deus, até tenho uma fotografia – eu de vestido às bolinhas e bandolete vermelha que até parecia a Alice no país das Maravilhas, com a diferença de que não haviam cogumelos mágicos mas calças por passar. Clic! Mais um momento-zénite da minha existência.)

Na verdade aquilo era amor, daqueles amores que, eu acho que só acontecem umas três vezes na vida (fal-tam--me do-is, nhã nhã nhã nhã nhã nhãaa) a pontos de termos dormido juntos praticamente 365 noites numa cama que não era de casal. Eu acho que é preciso gostar muito de uma pessoa. Uma cama individual para duas pessoas é um inferno em qualquer situação. Menos naquela.
(embora, no fundo no fundo, o sonho de hoje revele algum pequeno trauma ligado a essa falta de espaço)
Gostámos tanto um do outro que chegámos a falar de duas grandes asneiras – ter filhos e partilhar a mesma tatuagem. (Deus – Obrigada. A sério, obrigada.)

O grande mistério é que eu não faço a mais pequena ideia de como é que pude gostar de uma pessoa assim. Não é por mal que digo isto (coitadinho) mas é que hoje não vejo qualquer tipo de interesse naquela criatura que hoje resumo em duas palavras - dependência e ciúme.
E isso foi toda a nossa relação, que eu às tantas aprendi tão bem a lição que para o fim também já fazia fitas bem bonitas. E dramáticas que elas eram.

E ele que não era deslumbrante. Nem era inteligente a pontos de me deixar espantada com tanta faculdade mental. Nem era tão culto a pontos de me fazer babar como se tivesse trissomia e o cérebro feito num aquário de peixes mortos. Nem sabia cozinhar (zero - nem um ovinho cozido). Não tinha carro próprio. Os poucos amigos que tinha eram gente esquisita. Não era ambicioso. Não era optimista. Não era desenrascado. Não era aquele género de palhacinhos que nos fazem rir a toda a hora. Nem era rico. Nem lhe reconhecia ali um talento especial para qualquer coisa.

O que é que ele tinha de bom afinal?
Assim de repente, a única coisa que me vem à memória, são uns dentes lindos. E uma grande
grande não, assim de bom tamanho
aquele tamanho que é
por exemplo, quando nos é pedido: imagina a mais perfeita e a mais
ali não era preciso imaginar.

O que é que foi? Não olhem assim para mim.

13 comentários:

Rita disse...

Adorei este post! A sério! :) muito muito bom :) dormir 365 dias (ou até 2) numa cama de solteiro é o terror em qualquer circunstância, por isso devias estar mesmo in love!

sweetie disse...

LOOL foste sincera e verdade seja dita, não se podem deixar escapar os pormenores (pormaiores?) Credo, livraste.te de boa ao não fazer a tatuagem! E dos filhos já nem falo!

Cindy disse...

São coisas que acontecem e não se conseguem explicar!
Beijokas!

MissKitsch disse...

Tens a certeza que não andámos as duas com o mesmo?
É que isto é, sem tirar nem pôr, a minha relação passada!

Credo!

Rita Maria disse...

Been there. É tao estranho como nos conseguimos afastar tanto ao ponto de tudo aquilo parecer estranhíssimo e como depois detalhes como os que mencionas ficam gravados. Eu, quanto aos pormenores assumo a sorte que tenho tido, já vi algumas assim perfeitas. E também houve umas excepçoes, só mesmo para eu dizer que sim, que interessa sim senhora...

R.B.M. disse...

Ah a caminha de solteiro para dois...a derradeira prova de amor.

Tiago Ramos disse...

Também já fiz o mesmo numa cama de solteiro durante alguns meses.

Depois mudámo-nos para uma cama de casal. Assunto resolvido.

Anónimo disse...

jesus! Rapariga isso foi loucura que te deu enquanto andavas a estudar certo? Been there, done that... Coimbra, coimbra... ;)

Anónimo disse...

Bem, mas eu adoro mesmo é a forma como o post termina!! :D

és a maior pá!!!! tens o blog que eu gostava de ser capaz de criar.

...és a minha gémea separada à nascença?! ... :|

Golem disse...

Isso é que á amor... Eu cá estranho quando alguém elogia muito uma ou outra característica do parceiro. Dá-me sempre a impressão que estão à procura de razões para gostar da pessoa. Gosta-se e pronto!!!

Piston disse...

Quando passaste pelo "carro próprio" percebi logo que isto ia descambar.

becodosprazeres disse...

amei o 'juro por deus' hehehe para mim o mad in love é dormir abraçado. por amor de deus aquilo dá-me umas dores no pescoço absurdas. o meu ex apercebeu-se disso:P

Sofia disse...

Ahahah juro-te q pela tua descrição devemos partilhar algum ex! Muito bom !