segunda-feira, agosto 3


Ela conhece-me de trás para a frente, virada do avesso, azeda, doce, histérica, confusa, retalhada em histórias de há muito tempo, o choro convulsivo, desesperado, rés-vés ruína.
Ela aponta-me o dedo às dores
olha ela aqui, encara-a de frente, vai lá
e eu tão dada às fugas idiotas, as minhas desculpas, as horas marcadas. Eu e a minha infantilidade, a minha agressividade, a minha falta de paciência, os meus exageros e claro, a minha teimosia tão inflexível que faz impressão, tudo isto num cocktail perigoso daqueles que podem esfrangalhar uma pessoa num instante (é uma chatice).
Ela, que às vezes é mãe, irmã, sócia, cão-guia a socorrer as minhas falências e que não se importa nada de me limpar as lágrimas e de me assistir com um amor que eu ia jurar que só a minha mãe-mãe podia ter por mim, fez questão de me salvar a pele quando eu não era eu, mas só uma metade vaporizada.
Não dá para explicar mais do que isto, que eu passei a ser muito mais coração desde que perdi o meu telecomando inútil.
Faz uns dois anos que tropecei numa das pessoas mais maravilhosas do mundo e ainda por cima ela achou-me piada. Que fixe.

6 comentários:

R.L. disse...

espero, sinceramente, que tropeces em muitas mais.

Felipe disse...

You lost me at number 4

Pulha Garcia disse...

Gostei do texto.

(mas sou suspeito...tenho um fetiche com sereias)

Emma Bovary disse...

Tenho saudades da minha... :(

Golem disse...

Tenho a certeza que ela acha o mesmo. Ainda vais ter de explicar melhor essa do telecomando...

S* disse...

É bom ter alguem assim ao nosso lado. :) Eu tenho a minha irmã.