sexta-feira, janeiro 30

eu bem me parecia que isto havia de servir para alguma coisa.

Hoje (ou se estiver a chover como se o mundo fosse acabar, um dia breve) sou pessoa para beber um copo com a segunda pessoa que vou conhecer via blogosfera. A primeira ficou tão traumatizada que, coitada, jurou para nunca mais.
É que, quem acha que atrás disto existe alguém tão fixe como os meus posts, desengane-se!
É só para avisar.

quinta-feira, janeiro 29

o meu ambiente escolar

A miúda da frente, de lilás, não é a Manuela Moura Guedes.
A miúda dos caracóis não é o Beto.
A miúda da direita, quase toda de branco, não tem trissomia.
A gordinha lá atrás é Mexicana.
O monhé da esquerda não é o Apu.
O magricela com as orelhas de Dumbo era pouco desenvolvido mas não era anão.
O engraçadinho lá ao fundo não é o Wasley.
Eu não sou a tigresa mas adorava que a minha mãe tivesse visão para me vestir assim.
As miúdas as bandoletes, em princípio, também não padecem de nenhum transtorno mental.

quarta-feira, janeiro 28

já enjoa tanto love, pá!

Vou escrever, espero que pela última vez, sobre o chato que se alapou aos meus dias como uma ventosa inestética numa janela envidraçada que se quer com a vista toda.
Pronto, é oficial. De querido e bom rapaz bem-intencionado, passou a melga, cola, chato, burro, feio, estropício, iiiaaac!
Como é que isto aconteceu? Não sei explicar, não sei qual foi o exacto momento em que deixei de ter paciência mas cheira-me que tem a ver com uma palavra – insistência.

Perseverante? Olha que qualidade tão nobre, é um homem e tanto!
Insistente? Eh pá que melga – e vai de fazer copy/paste de mails e conversas no msn, sem qualquer tipo de pudor, nas janelinhas ao lado, porque os amigos servem para isso mesmo – para o bem e para o mal.

Eu sinceramente só não entendo uma coisa. Ou eu sou muito esperta ou então não sei. É que quando sou eu a testar terreno, ando com as antenas todas ligadas para captar os subtis sinais de aviso “baza miúda que não vai dar” (é. Sou lavadinha mas também me acontece.)
Acho que é fácil. Não há que enganar e não chegamos à parte da humilhação que é uma coisa muito feiinha e não raras as vezes, tem efeitos assim a atirar pró suicida.
Eu cá arquivo imediatamente o caso e não ando a maçar ninguém que não me responda a uma sms; recuse um convite para um passeio no parque, aulas de tricô, pezinho de dança, whatever; passe muitos dias sem dar sinal de vida; não me bajule com relativa frequência, and so on, and so on.

Na verdade isto não se pode listar ou catalogar.
Acho que se percebe mais ou menos perfeitamente, quando é que duas pessoas estão no mesmo comprimento de onda. Não há necessidade de duas pessoas adultas chegarem ao ponto da declaração – rejeição.

Detesto que me obriguem a chegar a esse ponto. Que chatice.

terça-feira, janeiro 27

coincidências

Hoje sonhei que estava a voar - volta e meia isto acontece-me. Vou a caminhar e depois, entendo que é só dar aos bracinhos e ter a coragem de me lançar que lá vou eu. Só que nunca atinjo grandes alturas. Hoje acordei histérica porque tive um sonho MA-RA-VI-LHOSO, que me pôs, literalmente nas nuvens.


E agora isto. Acho tão lindo.

encontrei aqui

segunda-feira, janeiro 26

água mole em pedra dura

Recebi há dias no meu mail o primeiríssimo sintoma de que em Fevereiro há um certo festejo que fica mais ou menos entre os dias 13 e 15 (era um cupão de desconto para um fim de semana romântico não sei onde).

Como sou uma gaja interessada, fui verificar em que dia da semana calha neste bonito 2009, a tal celebração. E informo-vos em primeira mão que é a um Sábado.
O que é que isto significa? Que os festejos têm todas as razões e mais alguma para começarem à Sexta com variadíssimos jogos sexuais que até podem incluir óleo de amêndoas doces (não tentem adivinhar que não vale a pena) e acabar ao Domingo ao fim da tarde a dar cabo de uma caixa inteirinha de
de
de
vá lá, pensem um bocadinho
uma caixinha inteirinha de

Haagen dazs

(que na Segunda é dia de picar o ponto e toda a gente sabe que é muito doloroso trabalhar em certas circunstâncias)

Pois é. Mas a mim calhou cocó.

(abro aqui um divertido parênteses para informar que este post é especialmente dedicado aos meus amigos que já andavam a esfregar as mãos de contentes com a possibilidade de me verem dondoca e, evidente, viverem boas ocasiões à custa do orçamento)

O rapazinho gant-timberland-juventude psd bem que me pode apitar à porta de casa montado no Chevrolet
bem que me pode tentar ludibriar com sms surpreendentes
bem que pode vir ter comigo com o rabinho a dar a dar
bem que me pode propor actividades recreativas mesmo giras como ir dar umas voltitas de barco e ir jantar num sitio “paradisíaco…”
bem que pode inventar as desculpas mais adoráveis para me por os olhos em cima
bem que pode ter todo o jeito para me fazer sentir uma princesa da Disney

que eu, coitada, sinto-me uma lesma sem cornos que não tem sequer vontade de um ligeiro afago no dorso.

Há quem se interrogue da minha inexistente vida amorosa e intermitente vida sexual.
Não sou obesa e tomo banho todos os dias, o que só por si já faz de mim uma mulher bastante apetecível (pelo menos aos olhos de 99% dos homens).
Junte-se a isso o facto de eu usar um 36 copa B e ser tudo aquilo que vocês sabem e não sabem, e temos aqui um verdadeiro case study.
Resumindo – o problema não é deles. É meu.

De modos que não há pachorra para tanto paleio “e porque é que não experimentas uma cambalhota com ele, ai já sei é porque tens alguém e não dizes, quem é quem é quem é” e como eu sei que há por aí muita Lady que, parecendo que não, também se chateia com estas merdas de conversas que, parecendo que não, não matam mas moiem, segue aqui um rol de provérbios que, parecendo que não, ficam sempre bem e são um verdadeiro remate-ponto-final sem que fique aquele ambiente pesado no ar.

Caríssimas, se assim o entenderem, usem e abusem:

Mais vale só que mal acompanhado.
Olha para ti e fica-te por aí.
Saber esperar é uma grande virtude.
A fome é o melhor tempero.
Guarda-te do tolo, se tens algum miolo.
O mal está nos olhos de quem o vê.
Quem com farelos se mistura, porcos o comem.
Apressado come cru.
Cada um sabe as linhas com que se cose.
Este mundo é uma bola; quem anda nela é que se amola.
Há males que vêm por bem.
Quem conhece o seu Coração, desconfia dos seus olhos.
Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cães.
Quem boa cama fizer, nela se há-de deitar.
Quem tem Saúde e Liberdade é rico e não sabe.
Na primeira quem quer cai; na segunda cai quem quer; na terceira quem é parvo.
Nem todas as verdades se dizem.

quinta-feira, janeiro 22

trabalhar aqui ou trabalhar ali, eis a questão

Tenho problemas em tomar decisões. Sou insuportável. É um problema que me contamina por todos os lados – olhar para as prateleiras do supermercado é um suplício, a área dos iogurtes é o cabo das tormentas, escolher um par de ténis pode demorar horas a fio, tomar opções no cabeleireiro é um inferno e escolher um filme na blockbuster é complicadíssimo.

Coisinhas simples, como é evidente. O verdadeiro sofrimento surge quando tenho de assumir escolhas que, inevitavelmente, vão definir a minha vida.

Eu penso, repenso, faço listas mentais de prós e contras, peço opiniões, ouço conselhos, tento ser racional, tento ser emocional, faço uma salada cerebral tão fodida e fico tão exausta que chego a temer por mim. Passo por crises que chocariam carpideiras e autistas mas depois lá me decido – “é isto, pronto, não se fala mais nisso”.

É nesse exacto segundo que cai sobre mim um alívio tremendo. Sabem quando temos a bexiga elasticamente expandida até limites muito pouco razoáveis? Eu às vezes, sou tão preguiçosa, que aguento até quando já só me consigo arrastar até à WC mais próxima como se tivesse esclerose múltipla. Mas depois, alegria das alegrias, lá tenho um orgasmo urinário tão engraçado que fico pronta para outra.

Tudo isto para dizer que estou à rasquinha. E não me posso rir, senão, lá sai uma gotinha ou outra.

terça-feira, janeiro 20

a vida especial de uma quase-surda

Cena da novela “Podia acabar o Mundo”

Uma gaja para a Isabel:

- O João voltou, Isabel. Tu devias estar a dar puns de alegria!

estudo de mercado # 2


odiei o estudo de mercado # 1! aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

[excepto o facto de existirem 4 pessoas no mundo que me declararam amor (eu votei em mim própria, por isso um não conta) e já agora, à pessoa muito especial que votou que eu era incrível, seja quem fores, és uma pessoa linda]

segunda-feira, janeiro 19

estudo de mercado #1

Se eu me tornar uma blogger famosa…

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domingo, janeiro 18

dêem-me drogas que eu estou aqui estou na baixa

Três palavras transformaram-me na pessoa mais anormal à face da terra:

youtube
tecktonik
tutorial

Experimentem. Pode ser que vos aconteça o mesmo.

sexta-feira, janeiro 16

chevrolet

Nos meus primeiros oito anos de existência, o que me fez agarrar à vida, foi o Disney Channel. Aliás, foi uma das coisas. Porque também haviam os New Kids on the Block, uma t-shirt dos New Kids on the Block e o Chuck E. Cheese.

Mas sem dúvida que o Disney Channel foi o factor determinante que me agarrou à vida (é que nem tive direito a leite materno).
Posso dizer que os meus mais básicos traços de personalidade e as minhas expectativas iniciais, foram toldadas na base daquelas histórias e personagens que me divertiam e me ajudavam a compreender o mundo. Às vezes chorava baba e ranho e sentia-me revoltada com as injustiças – foi o que aconteceu quando o pai da Ariel lhe destrói a galeria com a colecção de objectos dos humanos. Nessa vez vi-me tão desorientada que rasguei o Rei Tritão do meu caderno de colorir.

Como não podia deixar de ser, também a minha ideia de amor nasceu das premissas que vinham directamente importadas do ecrã – há sempre um happy ending, sê bonita e bondosa que tudo se resolve, as bruxas e os monstros morrem todos no final, os príncipes aparecem sempre num cavalo branco ou assim e se houver merda chama-se a fada madrinha ou a sininho, que tudo se resolve, há sempre um happy ending, sê bonita e bondosa e assim.

Claro que, com o passar dos anos, fui percebendo que tudo isso é verdade. Só que está tudo codificado de outra maneira – o cavalo branco pode ser um Chevrolet, as bruxas podem ser colegas de trabalho, os príncipes podem até estar disfarçados de sapo (embora não tenham de ser mesmo verdes), a fada madrinha pode ser uma grande amiga e o happy ending…bem, o happy ending estamos sempre à espera dele.

E isto ainda pode ser muito melhor. Conseguimos estar deslumbrantes sem a obrigação das mangas de balão e quando vivemos um momento romântico ou épico, em princípio (se formos normais), não estamos a ouvir Phil Collins.

segunda-feira, janeiro 12

danger! high voltage!

Análise sucinta de uma possível relação

Vantagens:

Para além daqueles típicos requisitos mínimos – divertido, inteligente, uma grande pila (ora aqui está uma coisa que nunca lhe vi. Mas agente imagina sempre não é?) é giro que se farta, é filho de boas famílias, tem um carro que dá vontade de dar umas voltas no banco de trás, está caidinho por mim e mostra-o de uma forma tão querida que eu ando aqui com o ego empanturrado.

Desvantagens:

Não estou apaixonada.

(pílulas mágicas, macumbas, incenso do amor, Anyone?)

(E já agora outra coisa – as mulheres só se interessam pelos mais idiotas ou por aqueles trastes que não querem nada connosco, é ou não é? Se não é, eu sou a super-monga.)

Não se esqueçam! Pílulas mágicas, macumbas, incenso do amor, substâncias administradas por via intravenosa, choques eléctricos ou hipnose.

É o tudo por tudo minha gente!
Que isto está difícil.

sexta-feira, janeiro 9

ensinamentos da mamã

Quem priva comigo sabe que sou uma pessoa inteligente e perspicaz. A minha capacidade de apreensão de conhecimento é muitíssimo eficaz e por acaso até era pessoa para enveredar por uma carreira académica se não tivesse mais nada que fazer. Mas, como não há rosa sem espinhos, vejo-me muitas vezes em maus lençóis ou simplesmente constrangida por causa de um pequenino senão – é a velocidade.
Cada qual tem o seu ritmo e o meu é lento. Até porque depressa e bem não há quem. Eu não tenho problemas em assumir: sou lenta, preciso de tempo para compreender tudo, peço muitas vezes para me repetirem as coisas, recapitulo, revejo e releio e penso bastante.
Sou demorada, é isso.

Passou-se uma cena na minha casa, no dia 25 de Dezembro, e só agora é que estou a entender a gravidade da situação.
Ora reparem:

depois de um empanturramento colectivo, a minha mãe aclara a voz e fala para cerca de 30 pessoas

(fala não – grita. E grita como se estivesse a vender peixe no Mercado do Bulhão)

Mãe: QUEM É QUE QUER LICOR DE PÊSSEGO? OU ESTÁ TUDO A BEBER CARÓLAINES?

A minha prima e afilhada (7 anos): OH TIA! O ÁLCOOL NÃO ALIMENTA NEM DÁ FORÇA!

Neste segundo viram-se 30 cabeças para a minha mãe, que está com uma cara de parva que até dá vontade de fazer festinhas, garrafa na mão e copo na outra, olhos muito abertos:

AI É?
(blackout no cérebro, restauração do sistema em 2 segundos – quem me dera – arranca com fúria total:)

POIS É MINHA MENINA!
MAS OS DOCES TAMBÉM NÃO ALIMENTAM NEM DÃO FORÇA E TU BEM OS COMES!

(ainda bem que ela não rematou com um TOOOOMA!)

quinta-feira, janeiro 8