quinta-feira, fevereiro 26

não é defeito, é feitio

Eu gostava de ter (pelo menos) uma boa razão que me fizesse acordar às dez para as seis, que era a hora que eu deveria acordar se quisesse manter a minha vida organizada, o sofá sem migalhas, a cama feita, o lixo no lixo. Não tenho a minha vida organizada. Acordo às sete e dez sem qualquer razão. Quer dizer
tenho de ir trabalhar é evidente que tenho de ir trabalhar, porque sem dinheiro não me oriento e seria mesmo muito triste não poder pagar a água quente do banho mal tomado de manhã. Mas deve ser dos filmes ou das séries ou da televisão ou da publicidade
as vidas dos outros parecem-me, assim no geral, uma coisa fantástica - há quem vá para o estrangeiro e tudo.

E eu continuo com os mesmos rituais de merda. Chego à meia-noite e é ver-me com uma gata aos pés da cama, a ouvir o barulho do frigorifico que,
(já agora aproveito para desabafar)
está a ficar cada vez pior.
E chega a hora de escolher qual é a hora a colocar no alarme do telemóvel - qual é a hora que eu deveria acordar; qual é a hora que eu quero acordar, qual é a hora que posso acordar.
É uma equação fodida com umas nove variantes (vai daí e é bem capaz de ser só uma)

E todos os dias decido sempre a mesma merda – dez para as seis. Vai para mais de quinze dias que não consigo. E não vale a pena pensar que é a porcaria do trabalho, que não é.
É tudo.
Esta ideia de estar a perder qualquer coisa que pode estar aqui numa rua paralela (à distância de um passo ou dois) transforma-me a cabeça num novelo emaranhado. Muitas vezes. Já fui verificar e isto não tem nada a ver com o meu sistema hormonal, faz é parte do meu feitio de merda. Agora que está tudo fantástico na minha vida (exceptuando-se a já habitual e cada vez mais grave apatia em relação aos homens), fiquei deprimida. Gastei todos os meus packs de bom humor. E juro-vos, por muito irreal que isto pareça, até faço eco quando penso.
E eu que queria tanto que a minha vida fosse só putedo, estou transformada nisto – um robot licenciado no percurso casa-trabalho que passa os dias a fazer de conta que não se passa nada.

terça-feira, fevereiro 24

lady quenga


Foram preciso oito horas a dançar de saltos altos para sentir que toda a planta do pé se transformou numa papa nestum (isto realmente há uma primeira vez para tudo).

domingo, fevereiro 22

zzzzzzzz.....

Para compensar o meu péssimo acordar, Deus concedeu-me o grande dom de ter um óptimo adormecer. Um bocadinho de cansaço e um bocadinho de conforto encontrado numa cadeira mais jeitosa e já está. E se a temperatura ambiente optimizar tudo isso é tiro e queda.
Aqui há dias entrei no comboio com a firme certeza de que ia ler a revista que tinha em mãos, já que prometia um grande artigo sobre celulite e isso era tudo o que me podia manter acordada. Mas não.

Adormeci. E acordei três vezes. Três humilhantes vezes.

Primeira vez
Foi um senhor muito amável que trazia vestido uma farda da CP. Tocou-me no ombro porque, ao que parece, queria picar-me o bilhete. Só que esse toque no ombro fez com que a minha voluptuosa parte traseira fizesse ricochete com o banco e foi por um triz que não bati com a cabeça no tecto.
Recomposta, lá lhe dei o bilhete e voltei a encostar-me à janela.

Segunda vez
Não sei qual foi a razão, mas acordei. Acordei e dei conta de que estava com a boca toda aberta. Mas toda aberta. Ou seja, os meus três dentes do siso ali expostos à comunidade, perfeitamente visíveis a olho nu.
Abri os olhos e fechei a boca e tentei não dar ares de envergonhada. Ainda assim estava a ser doloroso encarar toda aquela gente que deteve total conhecimento da minha dentição da forma mais idiota de sempre.
Lá me acalmei e dormi mais uma vez.

Terceira vez

E desta vez acordei com o quê?
Com uma valente gargalhada.
E quem é que se estava a rir histericamente?
Eu.
E porquê? Não sei, mas devia estar a sonhar com qualquer coisa muito engraçada.

Foi horrível sentir-me uma doente mental no meio daqueles adultos todos muito orientadinhos. Tão horrível como daquela vez em que me ri, sem o mais pequeno controlo, do cego que costuma pedir na linha azul e que canta o “tenham-a-bondande-de-me-dar-uma-esmola-se-faz-favor” enquanto toca ferrinhos com a bengala e várias zonas do interior das carruagens.

E antes desse já me tinha rido da cega que abanava a cabeça – quem conhece as cantinas amarelas até é capaz de saber de quem estou a falar. Aquela que tem caracóis, está sempre com os fones nos ouvidos (que não lhe basta faltar um sentido) e abana muito a cabeça. Às vezes parece que está a querer desenhar oitos no ar com a ponta do nariz.

Só desgraças.

sábado, fevereiro 21

quinta-feira, fevereiro 19

20.000 visitas e 7 seguidores

Já andava há dias a olhar para o contador do sitemeter a ver se já lá estavam marcados. Aproveito para agradecer ao meu “emprego”, que tantas horas de escrita me tem permitido, e com direito ao kit conforto e tudo (cadeira almofadada, secretária ampla de vidro e uma máquina de café espectacular). Minha rica empresa, ou eu me engano muito, ou ainda te vou compensar de alguma maneira. A trabalhar, por exemplo.
Confesso que sem algumas palavras-chave estrategicamente escolhidas – como “emagrecer” ou “fellatio” isto também não seria possível tão cedo. Por isso, vai daqui também um bem haja às palavras “emagrecer” e “fellatio”.
Mas, e relembrando a velha máxima do marketing kinder bueno – eu sou como as crianças, deixo o melhor para o fim – meus lindos, sem vocês é que não. Desmotivava que era um instante. Por isso continuai a vir aqui sempre que vos apetecer. E elogiem-me muito, digam-me que isto é que é bom, que não conseguem conceber a vossa vida sem isto, que ficam desesperados quando passo mais de 24h sem postar, que querem ter filhos meus, que me querem para namorada dos vossos amigos, que me querem para madrinha dos vossos filhos, que eu provavelmente sou mesmo mesmo mesmo uma pessoa interessante. Encham-me as caixas de comentários…
….e já agora…
e se não for pedir muito...
….posso ter um anónimo que me odeie?
Vá lá, é o auge do estrelato na blogosfera.

quarta-feira, fevereiro 18

alex kidd in the enchanted castle

Não gosto de perder. Sou estupidamente competitiva e tenho a mania que tenho de ser a maior. Sempre que se afloram defeitos e dou de caras com os meus erros, imperfeições e outras coisas menos cândidas, espumo um bocadinho pelos cantos da boca e tremo de nervos, dando ares de epiléptica. Pronto, estou a exagerar. Mas fico enervada e tenho vontade de me bater.
Como tenho um pedacinho de amor-próprio, consigo escapar à auto flagelação – pelo menos física, porque a mental já tem estatuto de passatempo – e canalizo essas más energias noutras pessoas.

Por exemplo, lembro-me perfeitamente: uma vez eu e o meu irmão estávamos a jogar Alex Kid na Master System

(esperem que agora estou a respirar como deve de ser para digerir melhor esta recordação tão emocional. É que eu e a Master System tínhamos uma relação que não era relação. Era comunhão. Já agora aproveito para dizer que o nível de coolness de um jovem pode ser estimado na base da relação de companheirismo que manteve/ mantém com Sonic ou com o Super Mario. A Lara Croft é para sapatonas e pervertidos.)

Então, estávamos a jogar em mode competition e eu estava a ganhar por um nível de avanço. E estava o Alex Kid com o seu ar extremamente macaco-maricas-garcia-bernal,

(eu se estiver bem disposta, consigo ver o Garcia bernal até num papo-seco)

comandado por mim, a tentar o tudo por tudo naquele reino.
Ora escorria-me já um fino fio de baba devido à tensão idiota da minha língua espetada contra o canto da boca, quando falha o meu jogo de polegar e pum!, acabou-se a última vida e a aventura naquele nível onde nunca tinha estado e que tanta adrenalina me estava a dar em generosas doses.
Imediatamente, tal como o Marco pontapeou a Sónia, eu pontapeei a consola, mas não me senti minimamente satisfeita e por isso comecei disparar impropérios ao meu irmão “e a culpa é toda tua seu estúpido! Seu batoteiro de merda, tocaste-me no braço e eu não deu para fazer o truque das setas esquerda-direita-esquerda, seu parvalhão!! Vais comê-las!!”

Não lhe pude empregar qualquer tipo de sanção física, porque assim que se deu o pontapé do Marco na Master System já o pequeno ia longe - ele tinha a perna curta mas eu era gorda, de maneira que mais valia usar a inteligência que me é característica.

Chorei um bocadinho em silêncio mas durou pouco. Tentei almoçar tranquilamente enquanto a poeira assentava. À tarde, já estava muito mais serena, embora com um olhar doentio (eu sei porque fui ao espelho rever o discurso que preparei).

Chamei o meu irmão:

- Maninho, temos de ter uma conversa muito séria. Foi a mãe que me pediu para te contar isto…tens de ser muito forte e nunca te esqueças que nós os três gostamos muito de ti.
- (olhos muito abertos, gago e sopinha de massa) o q-qué que se p-p-p-passhsa…?
- Mano…quer dizer, mano de coração… É que… a mãe e o pai são os meus pais mas não são os teus. Tu és adoptado…
- Nãaaaao! Nãaao sou nada sua estúpida!!
- Maninho, és sim. Porque é que achas que eu tenho muito mais fotografias, por exemplo? …Eu sei que custa muito, é difícil…quer dizer, deve ser. Os teus verdadeiros pais morreram…e os meus com pena de ti, adoptaram-te. Mas pronto, nós gostamos de ti na mesma…
(apliquei o velho truque para marejar os olhos que é não pestanejar, doa o que doer)
O pequeno, coitadinho, começou a espernear como se o tivessem a matar, desceu as escadas até à cozinha e abafou os gritos no colo da minha mãe. Contou-lhe tim-tim por tim-tim o que lhe fora dito, enquanto eu ouvia o relato no corredor e reprimia a vontade de urinar as calcinhas, tal era o medo da colher de pau que havia de assentar repetidamente no meu lombo, pernas, cu – onde calhasse.

E calhou, efectivamente, calhou e em vários sítios. Levei uma grande coça. Não me serviu de muito, porque continuo com muito mau perder, mas pronto.

terça-feira, fevereiro 17

domingo, fevereiro 15

o meu momento harlequin do dia 14

Abri as pernas e experimentámos várias posições. Doeu-me um bocado mas fiquei muito satisfeita. No final sussurrou-me “assim até dá gosto, querida”.
Mais um bocadinho e fazia dois meses que não ia à esteticista.



Look Good In Leather - Cody ChesnuTT

sexta-feira, fevereiro 13

the portugals. stop. maxime. stop. 21fev. stop.

Telegrama especialmente concebido para um amigo com quem estou severamente chateada + Mr. M + as trengas do costume. We're with the Band.

quinta-feira, fevereiro 12

lady allen

Amigos! Faço anos daqui a uns meses! Podem começar a pensar em formas de me conseguir um outfit igualzinho sem tirar nem pôr? Please. Prometo horas de diversão!




amanhã é dia quê?

Se eu morrer um dia destes ou enquanto este blogue ainda estiver no activo, quero que o último post seja assim:

EPITÁFIO
Queria ter sido uma estrela de cinema mas derivado a (colocar motivo de óbito), nunca teve hipótese.

Lady Dog
1983 – 20XX

A password de acesso ao blogger é a marca do massajador facial que hão-de encontrar na última gaveta da mesinha de cabeceira (encomendei da La Redoute).

terça-feira, fevereiro 10

it's raining and it's raining MEN too. shit.

Ok, estou desesperada. Por favor ajudem-me. Isto não vai lá com Rodriguinhos. Estou farta.

E já agora tenho uma dúvida – porque é que eu passo temporadas que não se vê uma alminha com os olhos postos em mim (que até parece que tenho gosma) mas depois, assim de repente, quando se interessa um vêem logo dois ou três atrás?
Serei anormal ou isto acontece com mais alguém?
Mas os homens são como as cerejas? Parece-me que são. E o problema é que alguns têm bicho, outros são demasiado moles, outros ainda estão verdes e os mais bonitos, regra geral, não são os mais doces.

segunda-feira, fevereiro 9

post dedicado a todos os que vieram cá à procura de respostas

“frases estupidamente lindas?”

Eu acho que, entre as frases mais bonitas que já ouvi na vida estão as ditas pela avó ou pelo tio ou pela mãe em dias de boa disposição. São frases com diversas variantes, mas com uma base mais ou menos assim: “Toma lá uma notita para beberes um galão com as tuas amigas”.

“mensagem de jesus para mim?”

Estava à tua espera. A mensagem é esta e foi Ele que me mandou dizer:
“Se queres ser feliz e alcançar a paz na terra, abre o teu espírito ao Senhor e entrega todos os teus bens materiais à Lady Dog, minha interlocutora (esquece a Solnado, já não falo com essa Cabrita).

“o sinal é devolvido no crédito à habitação?”
Não, não é. Infelizmente não é. NEXT.

“previsoes para qual profissão vou ter?”
hum..deixa cá ver…Não será nada ligado às letras, isso é certo. Agora...será qualquer coisa ou a recibos verdes ou a contrato. Se o Sol estiver em Vénus há francas possibilidades de ser um negócio próprio. Mas se quiseres posso perguntar ao Jesus.

“rockeiras pussy?”
PRESENTE!

domingo, fevereiro 8

pode ser que seja desta que ele apague o meu número de telefone

“Não dá, hoje vou ( oferecer de bom grado um fellatio nhanhento ) dormir a casa do Rodrigo. E ainda tenho de passar pelo jumbo que o steripan está em promoção. Bjs”

lady dog enfrenta mais um desafio que nasceu sabe-se lá onde

Antes de mais, aquele abraço à Miss Kitsch por se ter lembrado de mim.

Regras do desafio:
a) Linkar o blogue que nos desafiou
b) Reproduzir as regras do desafio
c) Contar seis coisas aleatórias sobre nós
d) Indicar seis blogues para o desafio
e) Avisar os mesmos de que foram desafiados


- em criança, roía as unhas dos pés mas entretanto perdi alguma flexibilidade
- adoro lavar os dentes debaixo do chuveiro
- não imagino a minha vida sem café
- nunca parti um osso, nunca levei pontos – portanto, ainda tenho o meu apêndice
- sou optimista a ponto de roçar o ridículo
- fico deslumbrada com fotonovelas

Segue a lista dos desafiados e ai de quem não cumprir. Ai de quem.

Boas Intenções
The Lisbon Story
O Blog do Desassossego
The Passaroca Knows Best
Υδράργυρος
há dias!

quarta-feira, fevereiro 4

big girl

Se eu por um remoto acaso, este ano, quiser ir a uma festa de carnaval, tenho toda uma fisionomia do meu lado. É só arranjar um vestidinho verde.

terça-feira, fevereiro 3

i'm the lady dog baby don't u know

Haverá ainda quem se lembre do meu dilema:

ai ai o que é que eu faço à minha vida
por um lado tenho um trabalho de cocó mas até que não pagam mal
por outro lado tenho o meu trabalho de vocação-coração instável e de parcas condições
ai ai que não sei o que faça
ai ai que estou em sofrimento?

Alguém se lembra disto?

Pois é.
Sou a pessoa com mais sorte que alguma vez conheci.
Agora tenho um marido que me sustenta e um amante que me dá prazer.

segunda-feira, fevereiro 2

desejos egoístas com particularidades chocantes

Massagens anti-celulíticas, na cabeça, nos pés, nas mãos, nas costas, de relaxamento, de beleza, só-porque-sim , no pescoço e no lombo, com aromaterapia ou a propósito de qualquer outra coisa desde que me amassem toda e não doa – 2 a 3 vezes por semana.

Manicure e pedicure, máscara revitalizante no cabelo, esfoliações e limpeza de pele com vapores e muito creme frutado – 1 vez por semana.

Ginástica passiva e depilação definitiva – quantas vezes forem necessárias para ficar impec.

Uma criada preta, maternal mas muito servil para cozinhar e tratar da roupa e um anão que me anime e também muito servil para vários serviços domésticos (como limpar zonas de difícil acesso ou conseguir apanhar as meias que estão debaixo da cama há que tempos e que tanta falta me têm feito)

Para já é isto. Mas há mais.

domingo, fevereiro 1

terapia: faltam seis meses

be afraid, be very afraid

Interrompemos aqui a emissão para dar conta do meu incrível mau humor. A Lady Cat parece que fez uma coligação com a chuva e juntas, estão a dar cabo do meu sistema nervoso. Ainda por cima apetece-me escrever mas não sei sobre o quê. Ah. E ainda por cima hoje é domingo e amanhã é segunda-feira – dois factos que não podem viver um sem o outro para mal dos meus pecados.

E ainda mais uma – formigas na cozinha. Isso mesmo. Formigas. Formigas que atacaram sem piedade o meu dispensador de cereais.
Mais uma coisinha que seja e parto esta merda toda.