quarta-feira, abril 29

uma gourmet na primavera

Hoje passei ao pé de um mural que dizia assim:

Vive a tua sexualidade sem medos!

Pensei imediatamente – medos? que medos?

Três passos depois e com o pensamento muito mais claro, surge a real questão:

mas que sexualidade?

os assuntos que uma mulher tem de puxar até chegar ao que realmente interessa

Ontem, uma senhora que trazia todo um ar adorável, sapatinhos redondinhos, écharpe, óculos e tudo, abeira-se a mim com aquela publicação de título feroz

DESPERTAI!

e diz-me assim:
“Boa Tarde. Uma perguntinha: está interessada em viver?”

E foi isto. Anda aqui uma pessoa sensível e desorientada, com tendências melodramáticas, vai distraída na rua, por pouco não vai a assobiar qualquer coisita, e zás! Toma e embrulha! Chupa lá a ver se gostas - “está interessa em viver?” - Uma questão de todo o tamanho, no final de um dia de trabalho, vai uma pessoa com um peso solitário nas costas, os assuntos pendentes que me moem o juízo mais a pilha de loiça por lavar.

Abre-se-me um sorriso de Clínicas Vital Dente
“Mas é evidente que sim, com toda a certeza!”

Mas é evidente que estou interessada em viver. Estão a brincar comigo ou quê? Isto é para os apanhados? Mas muito mesmo. Bastante. É que é um interesse que me marca os dias, juro. É que não penso noutra coisa. Passo os dias

xiii na pá, foda-se, que interesse tão grande em viver, que isto não me larga, esta sensação é maior que eu, controla-te mulher, que desespero, fóonix, djizaz, xi carapau.

O meu interesse em viver é uma coisa parva. Aliás, acho que, tirando boa pornografia, não há nada em que tenha mais interesse.

(Pessoal freak e gente que sente pulsões sexuais: boa pornografia aqui)

Já disse isto umas quatro vezes, mas nunca é de mais repetir. O Andy Botwin é o homem da minha vida e, se houvesse alguma possibilidade de me serrarem um pé, tirarem um rim, ou vazarem-me uma vista em troca de uma noite com este big boy, eu diria “Força, mas primeiro venha daí o Botwin e de preferência ao som de Laura Pausini (Strani Amore)”.
Ena. Já estou a avacalhar.

segunda-feira, abril 27

dá-me de força

“Fico no aguardo de uma resposta positiva,

Com os melhores comprimentos,
Anti-ciosamente,”



não sei ao certo o que faz com que certo pessoal chegue a certos cargos.
droga? fornicação em swing clubs? maçonaria?

domingo, abril 26

o meu optimismo ainda me vai matar

Uma das vantagens de se morar sozinha é que não há cá discussões sobre quem é que leva o lixo à rua.

sexta-feira, abril 24

se a vida te dá limões, faz um caldo

Até a minha colega de trabalho, à vontade quinze anos mais velha que eu, casada e mãe de filhos, recebe flores de admiradores secretos no seu local de trabalho.

Eu nunca recebi flores.

Se hoje fosse segunda-feira, aposto que considerava começar a injectar coisas.

quinta-feira, abril 23

quarta-feira, abril 22

rapaz que estavas ao pé das amoreiras em cima de uma vespa preta e tinhas um braço todo muito bem tatuado e usavas uns ray-ban aviator:

tive muitas e loucas vontades até chegar àquela parte em que tu sorriste e eu, dentro do carro do outro lado da estrada, pude ver o mau estado desse canino esquerdo.

Tanto estilo p'ra quê?
Vai mas é ao dentista.

terça-feira, abril 21

agora a sério, sou mesmo sortuda e começo a ter medo

Pá!! Alguém ainda se lembra do assunto "estrondosa factura da EDP"?
O que eu berrei à conta dessa palhaçada!

Telefonei para os gajos, um bocado revoltada e com aquele tom de voz mesmo importante que eu sei fazer, e aconteceram duas coisas mágicas:

1º - anularam-me a factura!
2º - o acerto dá lucro pró meu lado!

A-ma-zing!

em relação às máquinas da água...

...esta empresa seria tão mais feliz se pusessem barris de cerveja nesta merda.

segunda-feira, abril 20

this is my house


Mãe* – Filha, o teu avô faz 85 anos para a semana que vem. Vou-lhe comprar um leitor de DVD. Achas que podes sacar da net documentários da BBC Vida Selvagem? Ele ia adorar…
Filha – Claro. E Filmes? Que filmes é que lhe saco?
Mãe – Oh pá, ele gosta de tudo o que tenha assim grandes faites.

*Sempre que me vê mais calada, também costuma perguntar úats a mát of iú??

sexta-feira, abril 17

sem comentários

Há uma amiga minha que anda há muuuito tempo a insistir na possibilidade de eu poder estar apaixonada (que é uma coisa que me acontece mais ou menos de dois em dois anos) mas estar em total negação ou a repelir o mais possível o babe em causa.

Mais ou menos de três em três meses, ou de dois em dois meses, vá lá que seja assim, eu dou o braço a torcer e logo a seguir fico histérica “ai meu deus, ai meu deus, ai meu deus, cometi o pior erro da minha vida, enterrei a pata na poça, o que é que andas a fazer com a tua vida?”. E fico nesta lenga-lenga mental, tento dar o menos possível nas vistas e recapítulo tudo o que me possa dizer “he’s just not that into you”.

Depois, há o dia em que tudo regressa ao normal.
Eu não estou apaixonada. Quando muito, muuuito de vez em quando, tenho tendência a projectar o meu amor-próprio noutras pessoas. E por acaso, já lá vai algum tempo que calha a ser sempre na mesma pessoa.
Mas isso são coincidências.

avulso

Hoje veio-me o período depois de um pequeno atraso.
A nova temporada de Weeds começa no início de Junho.
O mês que vem chama-se Maio (a minha cabeça insiste no Março, Abril, Março).
O maior parque aquático do Brasil fica a 30km da vilazita onde estarei a banhos.
Este fim-de-semana tenho de organizar papeladas e gavetas caóticas lá em casa, fazer a cama de lavado, tratar da roupa e fazer compras.
Hoje vou cortar o cabelo.
Tenho de comprar um bom rímel.
Tenho de falar com os cabrões da EDP a ver o que é que se passa com aquela conta.
Há que mudar o tubo do esquentador, fora da validade desde o ano passado (m-e-d-o).

quarta-feira, abril 15

confissão

Há uma coisa que vos tenho andado a esconder. Não é por mal, mas eu vou empurrando o assunto,
“amanhã trato disso”, “depois logo se vê”, “agora não é uma boa altura”.
Eu não sei quantos leitores vou perder, quantos vou decepcionar, quantos vão deixar de mandar as missivas de amor que me enchem o e-mail.
Mas não posso continuar a viver nesta pressão de andar aqui a parecer o que não sou.
Desculpem, a sério. Mas cá vai:

Eu odeio o David Fonseca.

Pronto! Já disse! Já passou, já passou! Não doeu, não doeu, não doeu!











Odeio e gostava que ele morresse.

Oh. Foda-se!
Se havia alguma necessidade disto. Estou a brincar pá.
Eu não desejo a morte a ninguém excepto ao Malato. Espetava-lhe lápis afiadinhos naquele umbigo (previamente preparado com um esticador).

terça-feira, abril 14

olha que coisa mais linda



duncan-macleod-stereo-total-supertrump-velvet-goldmine

Eu um dia, se tiver meeesmo de morrer (I AM IMORTAL/ I HAVE INSIDE ME BLOOD OF KINGS), há-de ser mesmo à estrela de cinema– uma mistura fatal e pufff, fico estendida em cima da cama, de roupão, com um frasco de anti-depressivos a rebolar mão fora (MOVIESTAR, MOVIESTAR/ YOU THINK YOU ARE A MOVIE).

Eu ontem ia morrendo com um desses cocktails perigosos. Era birra de sono, tensão pré-menstrual e uma factura de acerto da EDP. Mas, como me anda cá a parecer que a minha vida vai dar uma volta - eu tenho um sexto sentido de merda que me fode a vida toda, mas faz de conta que sim, que isto vai ficar tudo bem (DREAMER, YOU KNOW YOU ARE A DREAMER) - agarrei-me com unhas e dentes à vida, e à almofada, mas sobretudo à vida, e expulsei todos os demónios.
Esbracejei um bocadinho, atirei-me ao chão onde, de queixo colado no soalho e lágrimas a cair, dei quatro ou cinco murros devidamente assentes no tapete.

Garanto-vos que não há melhor que isto da abusiva exteriorização de emoções, para ir saneando a cabecinha.

BABYYY’S OOON FIIIIRE TÃ NÃ NÃ NÃ NÃ NÃ NÃ NÃ NÃAAAH!

segunda-feira, abril 13

presunção e água benta, cada qual toma a que quer

Sabem aquela teoria que diz que os animais de estimação e os respectivos donos têm tendência a assumir as características um do outro? É verdade. E é tão verdade que até faz impressão.

Eu já achava que eu e a Lady Cat éramos muito parecidas, sobretudo na relação que mantemos com o sofá e a cama. Espreguiçamo-nos e rebolamos de forma idêntica, somos viciadas em mantas e cobertores e eu confesso que já estive mais longe de ronronar. Também já nos tinha achado muito semelhantes na astúcia que partilhamos, na elegância, no olhar doce mas atento, na forma de beber o leite (eu também molho os bigodes) e ainda na capacidade de por o cérebro em stand-by e, por exemplo, fixar a atenção num pormenor das cortinas e ficar estúpida por um tempo razoável (muito difícil encontrar este ponto em comum com um humano).

Nestes dias de festas em família, cheguei à conclusão que não somos parecidas. Somos soulmates. Tal como eu, ela é toda gracinhas, sempre a chamar a atenção e a cativar as pessoas, muito socialite e cheiinha de charme. Não gosta é de grandes confianças, nem festinhas nem graçolas de pessoas que não conhece de lado nenhum. O único colo a que cedeu foi o doce regaço da mamãe (ronronronromronrom).

O reencontro com o irmão envolveu alguns momentos Fight Club mas também houve espaço para a ternura. Adorou estar esticada ao sol e entregou-se ao bucólico contacto com as flores e natureza assim no geral.

E, last but not least, quando um gato todo cheio de segundas intenções se aproximou, foi vê-la dar o seu melhor para que tudo corresse pelo pior.
É uma simbiose esta merda.

quinta-feira, abril 9

humpty dumpty had a great fall

E agora vou ali passar a Páscoa com o people do costume. Somos uns trinta e tal. Este ano juntam-se à festa dois elementos novos: a namorada do meu tio, que é pasteleira e faz a melhor tarte de natas do mundo (só por isso já somos amigas para sempre) e eu levo a Lady Cat, pois também ela terá de levar com a história do JC. Quando aparecerem na TV, aqueles Jesus freaks em processos de autoflagelação, já tenho a quem me agarrar para gritar “ai ai ai ai ai, que impressão.”

Vai ser uma santa Páscoa porque não vai haver quem me pergunte pelo namorado. O instinto de continuação da espécie da minha família, acalmou um bocadinho porque o meu tio, com trinta e tal anos de vida, lá se resolveu com uma gaja que (já disse que faz a melhor tarte de natas do mundo?), parece-me que é de fiar. É sabido que nestas ocasiões, as mulheres juntam-se em conferência, para analisar em detalhe a indumentária, comportamentos e discurso da nova mulher que pretenda ingressar num novo círculo de amigos ou familiar. Deve ser uma espécie de instinto maternal, a de querer proteger os nossos meninos de possíveis estúpidas/ rameiras/ amantes de malas cavalinho e pulseiras Pandora. Há uma forte inspecção, e regra geral, a tendência é que se lhe aponte defeitos. Mas esta, não sei se já vos disse, faz a melhor tarte de natas do mundo.

Vou também aproveitar para encher de beijos, a pequerrucha da minha prima e afilhada que é das coisas mais lindas deste Planeta Azul. A minha pequerrucha picatchu, que é um pom-pom, um docinho de mel, a minha baby. Monhózinha mais linda da madrinha.

Don’t panic! O pack bebé + Baby Blog, só quando for adulta.
E quando encontrar um pai extremoso que me encha a cara de beijos...
Pronto, agora é que foi. Agora é que fiz o maior olhar lânguido de que há memória.

segunda-feira, abril 6

ai a brincadeira.


Vocês são uns amores. Não foi uma mas sim duas. Duas pessoas tiveram a delicadeza de me oferecer um print screen tipo serviço de clipping para poder imprimir e colar no meu caderninho de recordações (onde tenho bilhetes de cinema, bilhetinhos de amor, o meu primeiro teste de gravidez, etc.)

Andreia, vai daqui um grande beijinho e mais uma vez a jura de que não fui eu. Agora vou ali falar com o meu pai, que tem um escritório de advogados e que consegue sacar bom dinheiro à custa de processos por difamação. Mas antes vou contactar os meus dois grandes amigos ucranianos que fazem esperas a quem eu mandar, em troca de uma garrafita de Vodka do Lidl.

Just kidding! Por mim, amigas na mesma.
Quem me dera que fizessem um ladyohmyfart.blogspot.com.

aviso à navegação

Hoje, de visita periódica e masturbatória ao sitemeter, constato que este blogue está a bombar com malta que vem do blogue da nossa amiga (a werthers orginal, não a dos puns).
Depois de uns quantos mails e agora isto, sinto-me no dever de assumir perante toda a comunidade da internet e dos blogues e dos orkuts, que NÃO sou eu a autora do blogue http://www.andreiadaflautulencia.blogspot.com/.

Lamento se desiludi alguém, mas não fui eu e não sei quem foi.

Quem quiser que se acuse, porque eu não quero ir ao Conselho Directivo. Já tenho bués de faltas injustificadas e as contínuas estão fartas de saber que me porto mal nos corredores.

Agora vou pró recreio.

domingo, abril 5

chique chilique

Venho pelo presente agradecer a uma série de senhoras que me ajudaram ontem, no Maxime, pelas duas horas da madrugada:

Obrigada à senhora que imediatamente gritou “Eu sou enfermeira, afastem-se!”. Sempre quis viver um momento como esse (e pensava que só acontecia nas telenovelas). Obrigada por me ter pegado pelos tornozelos, elevando-os, fazendo de mim um perfeito ângulo de 90º que, à partida, tinha tudo para ser um ângulo elegante e sedutor se não fossem as cuecas visíveis à vista desarmada. Com passarinhos tipo cartaz do Woodstock.

Obrigada a outra senhora que impediu a outra senhora de chamar uma ambulância, esclarecendo que, apesar do cheiro, não se tratava de um coma alcoólico, mas sim, de uma habitualíssima quebra de tensão. Aliás, fãs desesperados por me conhecer, seus doidos, se um dia virem uma gaja muito gira desmaiada em cima duma mesa ou assim – sou eu. Escusam de vir meter conversa porque não consigo dizer um ai nessas aflições. Mas sempre se podem abeirar para uma palmadinha nas costas e dizer “Adoro o teu blogue, és a maior. As melhoras”.

Obrigada também à senhora que me massagou as têmporas com água fresquinha, que me segurou a mão e que de vez em quando cuidava de me fechar o decote para não ficar tão exposta.

Ah! Obrigada ainda (especial obrigada este) à senhora que me mandou levantar a língua e vazou um pacotinho de açúcar, com muito cuidadinho, tooodo lá dentro.
Foi muito fixe. É que geralmente sou sempre tão desprezada nestas alturas.
Tomam-me logo por bêbeda só porque estou numa valeta qualquer aninhada com uma garrafa de cerveja.
É só tensão baixa, juro.

sábado, abril 4

lady maneki neko


Encontrei um ipod na rua, lembro-me de fazer coisas importantíssimas mesmo na hora H, tenho o tubo do gás fora da validade vai para dois meses e a casa ainda não explodiu, ao sair do táxi o senhor grita-me “menina! menina! deu-me uma de 20! Tome lá o troco!” e ontem amores, pela primeira vez em meio ano de apostas simples, ganhei o euromilhões.

2 números e 1 estrela.
Ganhei onze euros.

Embora tenha gasto quinze em telefonemas para contar a novidade, eu continuo a achar que isto é só o início de qualquer coisa em grande.