quarta-feira, maio 27

e mais uma vez, ladies and gentlemens, mais uma vez

Estou confusa. Acho que, daqui a pouco com vinte e seis anos, não deveria estar acomodada a um emprego, de cu refastelado na cadeira, onde de vez em quando lá atendo um telefonema, lá envio um fax, lá pego num A4 timbrado que tenho de enfiar na impressora de onde sairá mais uma carta modelo sem sabor nenhum, estando-me com toda a sinceridade pouco fodendo para a resposta a essa carta, quando antes todas as cartas que assinava eram tipo cartinhas de amor à espera de uma resposta positiva com a brevidade possível, sendo que os melhores cumprimentos eram no fundo “aquele abraço”.

Não deveria sentir esta merdice ao acordar todos os dias, que até sinto que acordo com uma cara de Bill Murray cruzada com Bull Dog pachorrento (perdoem-me a redundância e a imagem) mas é que é tal e qual assim que acordo, de olhos caídos e cabelo lambido, arrasto-me para o duche que também tem sido sempre a mesma coisa. Sempre o mesmo gel de banho Yves Rocher de amora e sempre o mesmo champô da Ultra Suave para crianças loiras, que é o que eu sou de manhã, tal e qual, uma criança loira muito rabugenta que não quer aguentar mais um dia na escola onde adoraria fazer gravíssimas ameaças de bomba.

Portanto isto faz-me imensa confusão porque eu não sou assim, eu sei que não sou assim, um robot sem pilhas em modo automático. Eu já dou por mim, vejam lá ao que isto chegou, eu já dou por mim a encolher os ombros quando vejo incompetências enjoativas à minha frente, mas à merda das superioridades ignorantes que chegam ao ponto de escrever e-mails formais com kapas e é por um triz que não lhe põem um jokas no fim e depois fecham a carta a lamber mesmo à porcos, a porcaria do envelope que é caríssimo e todo ele design e todo ele papel canson de uma gramagem do caralho mas depois, vai-se a ver, depois ninguém reparou que apesar de no orçamento constar o fecho com uma tira autocolante, não se vê nada disso. Mas que importa esse pormenorzinho, se a gráfica é do sobrinho ou do primo ou do vizinho do não sei quantos que precisava de meter mais algum ao bolso.

Estou confusa porque tenho daqui a pouco vinte e seis anos, acho que não tenho idade para estar conformada (nenhuma idade, não é?) e agora vejo-me atrapalhada quando me propõem outra vez, mais uma vez, voltar a trabalhar a todo o gás numa pequena empresa de fracos, instáveis e pouco salubres recursos, onde não sei nada de nada sobre o futuro. Onde o ordenado de amanhã não é tão certo como o de hoje, onde não tenho o conforto da cadeira onde tenho amassado o meu cu cada vez mais celulítico à conta desta palhaçada. Onde o meu coração me anda sempre no colo das mãos por várias razões (mas pelo menos sempre anda, não é?).

O problema é que tenho facturas para pagar e sabe muito bem ter as contas em ordem no fim do mês, e depois ainda, como existem décimos terceiros e quartos meses eu dou-me ao luxo de ir de comprar esfoliantes-maravilha, sessões de psicoterapia, passagens da TAP para o Brasil, vernizes do bom e do melhor e ultimamente até andava a ponderar jacuzzis e banhos turcos no Holmes Place e depois para o ano talvez um Coast-to-Coast com o On the Road na mochila. Ah e uma ida à Eurodisney.

Bom, é um festival.

Estou tão confusa e precisava tanto de beber uns copos mas estou a tomar antibiótico e não pode ser.

segunda-feira, maio 25

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Pessoas:

Apesar desta dor-de-dentes, continuo muito folgada no meu serviço. Enfim. O que eu quero mesmo dizer é que agora tenho uma crónica. Chama-se Toucinho do Céu. É.

E como sou um animal de palco (rauf, rauf) até criei uma personagem.

Vejam com os vossos próprios olhos, AQUI.

buá.

Esta que vos escreve (mal e com muitos erros ortográficos mas é o que se pode arranjar, paciência)
acaba de entrar numa semana novinha em folha que nem um caderno limpo pronto a estrear, com uma espécie de elefantíase, apesar dos especialistas me garantirem que tudo não passa de uma cárie. Veremos então, se é isso, ou se daqui por uns tempos me encontrarão na baixa, de portátil ao colo, a escrever-vos com um tupperware para moedinhas.
Parece que vou tomar mais uma caixa de antibióticos e mais uns quantos comprimidos para me acalmar as dores. Seria tudo muito bonito se eu gostasse destas coisas, mas eu odeio estas drogas e só me apetece berrar e bater com a cara nas paredes (com o lado que dói).
E depois, já estou a sofrer por antecipação, porque eu bem sei o que se segue depois de uma dose cavalar de antibióticos. É tiro e queda – tenho de me injectar com um fungicida. Sim, sim – comichões de meia-noite, isso mesmo. É o que dá ter um ecossistema cheio de manias.
Portanto, são estas as minhas circunstâncias actuais, embora isto não interesse nem ao Baby Jesus.
Acrescente-se a isto os sonhos de hoje, que não vos vou contar, mas que me foderam a cabeça bastantemente.
(eu sei que bastantemente não existe)
Adeus. Vou tentar não morrer.

domingo, maio 24

o meu último desejo

Nas últimas semanas, ou sou eu que ando mais atenta a estas coisas, ou então não sei.
Mas é só

acidente aéreo não sei onde
queda de avioneta aqui
despiste de avião acolá

Espero bem que não haja acidentes, mas se tiver de ser, por favor, que seja no regresso.
E espero que me encontrem o corpo bronzeado, que sempre disfarça a cor de defunta. E sempre irei a tempo de pôr certas pessoas verdes de inveja.

sexta-feira, maio 22

uma breve reflexão sobre a tal de "massagem na yoni"

Primeiro: suponho que vou ter de tirar a roupinha, deitar-me numa marquesa, num tapetinho oriental ou numa esteira de bambu e consciencializar-me que estou ali para ser feliz.
Mais – estando nessa circunstância, a minha posição é clara, serei somente receptora de uma grande grande dávida chamada prazer sexual, não deverei tomar qualquer iniciativa, não haverá “convívio” e muito menos quaisquer ligações emocionais com o terapeuta.
Sendo assim, primeira certeza – quero que seja a quatro mãos.
Segunda certeza – quero que sejam dois homens. Na pior das hipóteses, uma mulher e um homem. A ideia de duas mulheres enjoa-me.

Ora vamos então juntar a + b. Eu estou nua e completamente receptiva ao prazer. Tão receptiva que quero que sejam duas pessoas a esmerarem-se de volta de mim. Já que me vão masturbar profissionalmente, prefiro que sejam homens a fazê-lo. No final pago-lhes pelo serviço.
Hum. Surge-me aqui um primeiro conflito.

Agora vamos às agravantes – eu não sou pessoa de chamar Yoni à minha vagina. Eu e equalizações energéticas, limpezas da aura e rectificações do karma…eh. Não sou dada a essas zonas da espiritualidade. Nem tão pouco acredito nesta terapia através da masturbação. Acho que me traria (ou trará?) os mesmos beneficios de uma boa noite de sexo.
A vantagem de uma é que é a quatro mãos, supostamente profissionais e vocacionadas para sexo tântrico, não existe qualquer necessidade ou impulso de agradar ao parceiro e a coisa dura 1 hora e meia (ena). A vantagem de outra, é que não se paga.
Bem.
Penso que nunca me vi(m) a chegar a este cúmulo de ir “aos terapeutas”.
E é isso que me atormenta verdadeiramente.

quinta-feira, maio 21

massagem na yoni

Como cheguei até estas informações? Não interessa.
O que interessa é que cheguei a elas. E agora estou cheia de questões na minha cabeça.

não consigo não pensar em férias

Há um novo motorista aqui no sítio chique onde trabalho, que nos leva para casa em carrinhas de nove lugares, tipo trolhas no final de um dia de labuta (bem bom, oxalá que não me falte esta regalia).
Só que este novato deixa-me muito apreensiva. Acontece que ontem, o senhor ia a mais de 200 à hora num sítio onde não me parecia nada sensato, enquanto falava ao telemóvel e mascava uma pastilha elástica. Um homem a fazer três coisas ao mesmo tempo é assustador.
Logo agora que estou a 29 dias de ir de férias é que aumentam as probabilidades de eu morrer num acidente rodoviário.
Bem. Esperemos que tudo corra pelo melhor.

terça-feira, maio 19

a prenda

Lembro-me perfeitamente,
mentira
Lembro-me mal e porcamente, assim é que é,
de uma noite no Lux há muito, muito tempo. Estávamos eu e o meu bom Mr. M. a dançar na pista de cima, como se fossemos os maiores, a curtir as cervejinhas que seguiam umas atrás das outras (e bolas, foi há tanto tempo que ainda se fumava, bons tempos), quando avisto um rapagão . E que baby que ele era, deixem-me que vos diga. O Mr. M. parece que nessa altura também teve uma boa visão, mas como estava lá ao fundo, para lá do nosso campo de actuação, o pequeno amoreco não faz mais nada e segue, Lux fora, cheiinho de estilo, atira a beata para o chão e esfumou-se no meio das pessoas. Ora eu, ficando ali sozinha, a bater o pezinho, a abanar o rabito (mas não tanto como a Baby Guimarães nos passados Globos de Pechisbeque), tratei de me distrair com o tal rapaz. Acalmem-se. Não vou contar os pormenores escabrosos dessa mítica noite, até porque, um dia destes arranjo um namorado, lover, partner, etc., que pode muito bem vir a ler este blogue sabendo que eu sou eu, e ninguém quer ver corações amolgados, apertadinhos, esfarelados que nem um fígado de galinha muito cozido numa canja, não é? Pois é. Já agora aproveito para mandar grandes beijos na boca ao meu futuro companheiro, seja lá quem fores.
Mas, continuando.
No final da noite, esse tal graúdo, pede-me o número de telemóvel. E eu lá lho dei, pois não haveria de dar, a um moço todo giro e muito bem vestido. Na verdade, trocámos muito poucas palavras e, das que trocámos, foram ainda menos as que ouvi. Disse-me que era designer e gostava de arquitectura e isso foi informação mais que suficiente para rotulá-lo de “cheio de pinta”.
Só que, tudo mudou. Tudo.
Depois de me pedir o número, travamos o seguinte diálogo:

Ele – Vem comigo amanhã.
Eu – Onde?
Ele – À Ovibeja.
Eu (a pensar, ai ai, esta surdez ainda me mata um dia) – Como? A Beja?
Ele – À OVIBEJA.
Eu – Oh. Estás a gozar, não estás? À Ovibeja?
Ele – Sim. Mas como deves calcular não vou lá por causa do gado e dessas cenas.
Eu – Então?
Ele – Vou por causa dos concertos, claro. Os The Gift são cabeça de cartaz! Eles são o máximo. Não gostas?

Estava-lhe a dizer que não, que por acaso até os odiava e mesmo antes de lhe dizer que não me importava que morressem todos, aparece o Mr. M. um bocado torto, com um número de telemóvel escrito ao longo de todo um braço, que me salvou imediatamente, levando-me dali para fora.

Moral da história – não há.

quarta-feira, maio 13

temos idiota


Beto apaixonado por mim: Estás cá este fim-de-semana?
Eu: Sim…
BAM: Ah estás?! Então já sei onde vamos! Vamos para Cascais.

Eu: Ah. Mas não vai dar. Eu vou trabalhar.
BAM: Não me digas que é aquela espécie de voluntariado da treta ou lá o que é!

(lady furiosa e com aquele pingo de suor dos bonecos manga)

BAM: Olha…e então no outro? Tu é que escolhes…Cascais, podemos andar de mota de água...ou…jogar paintball! É isso! Parece muito a tua onda! Anda lá linda…

(linda? anda lá linda? Oh foda-se!)

Eu: Ahm…sim…a minha onda é capaz de ser levar com bolas (riso histérico#1) por isso (continuação do riso histérico, nem queria acreditar no que ia dizer), vou passar o fim-de-semana com o Rodrigo!!!

Lady ri da sua piada fantástica agarrada à barriga.
O Big Beto observa-a chocado e com aquele pingo de suor dos bonecos manga.

terça-feira, maio 12

drama queen

Olá amiguinhos da internet.
Obrigada por me desejarem boa viagem apesar de ainda faltar mais de um mês. É que ainda não é agora que me vou embora. Andam todos muito distraídos. Ando aqui a falar para o boneco. Mas pronto, também posso ir embora. Querem ver-me pelas costas é isso? Hoje estou tão rabugenta, tão rabugenta que não sei se irei aguentar tanta rabugice. Mas com sorte, pode ser que sim. Enfim. Cocó, xixi e pichotita é o que me apraz dizer.

sexta-feira, maio 8

é esperar que passe

Queria fazer um post genial que começaria assim:

“Os crentes na Virgem terão sempre o 13 de Maio em Fátima (assim como a malta do rock terá sempre Paredes de Coura em Agosto) …”

e a partir daí fazer as justas comparações – a fé que nos move, as mochilas com latas de atum e a pinga que nos acompanha nestas andanças,
e até exemplificar com a bonita história dos meus pais que foram a pé quando veio cá o Papa (a minha mãe é pouco católica mas como tem um fraquinho pelo meu pai, lá se arrastou)
mas enfim
não me sai nada de jeito.

bendita cafeína

Estava aqui sentada, sozinha, com um pacote de café em cima da secretária que eu abracei com força enquanto o meu nariz quase tocava nos grãos, a matar um vício antigo – inspirar profundamente o melhor cheiro do mundo de olhos fechados, quando entra um superior hierárquico (aliás, O superior hierárquico).

Antes que ele pudesse emitir qualquer juízo de valor (embora já estivesse a abanar a cabeça), atrapalhada, encolhi os ombros e defendi-me o melhor que pude:

“Olhe. E ainda bem que é só café.”

quinta-feira, maio 7

o post mais maniento de todos os tempos!

Um colega de um outro colega de uma colega minha, desta grande e maravilhoooosa empresa (hahahahahahaha) acaba de se referir a mim, num e-mail, achando que aqui não se sabe de tudo, nestes termos:
"aquela boazona com a cabeça de vento"
Por um lado, se a minha auto-estima acaba de explodir, por outro é muito triste este tipo de considerações. E eu pergunto-me, quando é que chegará o dia em que dizem "aquela miúda super inteligente com um ar interessante" ou "aquele crânio, braço direito do big boss".

o post mais interactivo de sempre!

Vamos imaginar que amanhã eu ganho o euromilhões.
Vamos também imaginar, que uma das minhas primeiras compras seria um armazém enorme e muito espectacular para festas.

Por mim, teria de envolver:

Uma zona com banhos à mangueirada ;
Uma enorme piscina de bolas;
Uma zona com batalha de comida;
O José Castelo Branco ligeiramente besuntado com mel, fechado numa redoma de vidro com algumas abelhas;
Uma zona só com massagistas podres de bons ao dispor;
Uma pista de dança com uma mão cheia de dançarinos profissionais a puxar pelos mais perros;
Um pequeno palco para strips e karaokes espontâneos…

Queriam convites? E se queriam, o que é que falta na lista acima?
E quais os vossos palpites para o euromilhões?
Se eu ganhar o primeiro ou o segundo prémio, comprometo-me a organizar isto!

segunda-feira, maio 4

tãn, tãn, tã-tãan

A minha mãe acaba de me informar que temos um casamento de uns amigos.
Uma gaja normal pensa:

Oooh que bonito!
Ai que boa razão para comprar um vestido+sapatos+acessórios e ir à cabeleireira esticar o cabelo.
Ena, pode ser que seja desta que arranje um homem.
Será que é uma cerimónia tradicional ou terá modernices giras para tirar ideias para o meu?
É desta que apanho o ramo, nem que tenha de partir os ossos a alguém.

Eu como sou lambona, é automático:

Espero que tenha uma mesa de queijos como deve de ser.

Mas depois também acabo por pensar nas outras paneleirices.

e tudo isto sem molhar o bico (sublime este triplo sentido, não é?)

Estou tão bem disposta que meto nojo.
Nestas alturas fico tão histérica e ostento tanto bem-estar (mesmo atitude de nova-rica-mete-nojo, mas sem a parte do dinheiro) que chego a sentir medo que alguma pessoa cinzenta e apática me abra a cabeça à catanada.
Mas em princípio vai correr tudo bem.

ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai

é segunda-feira.
estou em total negação.