quinta-feira, julho 30

eita pau

(Um pouco de non-sense e mau-gosto nunca fez mal a ninguém. Vá, cliquem na imagem para ver melhor.)

- Tu és tão complicada. Mas tem de ser tipo quê?
- Não sei, sei lá…
- Nomes, dá-me nomes. Alguém que tu aches giro.
- Não sei, assim de repente não sei… talvez…o Jude Law?
- O Jude Law? Ó filha, o Jude Law, a fruta que tu gostas, ele chupa até ao caroço pá!!

snif...
é mentira, não é?

quarta-feira, julho 29

lovely

catfight

Eu fui adquirindo uma grande experiência em drama, desde os shows diários para comover ou enervar o mais possível a minha mãe, sempre que a vida não me corria da melhor maneira ou quando queria uma barbie nova.
Ontem aquilo foi só uma pequena amostra da baby histérica que eu sou de cada vez que me pisam os calos.
Já passou. Vamos lá colocar as garras de fora e butes às tão necessárias comparações:

Ela tem a cara cheia de sulcos, borbulhas e cicatrizes do acne fodido dos tempos em que era uma adolescente problemática.
vs.
Eu aposto que tive uma pior adolescência mas é impressionante como não só sobrevivi a todas as mazelas como estou aqui impec, com uma pele que não fica nada atrás das miúdas dos anúncios da clearasil. Com a luz certa até parece um pêssego, valha-me deus, que riqueza.

Ela tem os olhos pequeninos, assim lá ao fundo, poucas pestanas e as olheiras da praxe.
vs.
Eu tenho uns olhos castanhos, grandes e brilhantes e que toda a gente (bem, quase toda a gente) me diz que são lindos e ainda por cima vejo tãaao bem.

Ela tem o cabelo seco à conta de tanta descoloração e horas bem pagas no cabeleireiro – ahhh sonho de ser loira, a quanto obrigas!
vs.
Eu tenho uns fios de ouro verdadeiros e madeixas naturalíssimas que às vezes até faz impressão a muito boa gente.

Ela não tem sexo desde 1997.
vs
Eu nessa altura ainda era virgem, vejam lá a diferença de idades.

Ela quer comer o chefe.
vs.
O chefe quer comer-me.

Pá e sendo muito sincera:

Ela deve pouco à beleza.
Eu ando há mais de vinte anos a pagar essa dívida.

terça-feira, julho 28

eu hoje acordei com a certeza absoluta que sou mais ou menos assim:



Primeira coisa que me disseram hoje, ao chegar ao escritório?
- És tão feia.

Às vezes o mundo conspira mas nunca nos podemos esquecer que existirão sempre as drogas por consumo intravenoso.

segunda-feira, julho 27

betadine

Ela coleccionava, muito desatentamente, pequenas despedidas e pequenos regressos que, para além de lhe fazerem estragos nem sempre absolutamente reversíveis, empatavam-lhe todo o espaço de ar respirável, nos pulmões, pelo esófago adentro, através da boca angustiada e em muitos outros lugares difíceis de especificar – é muito difícil para miúda que mal sabe falar português, explicar as dores da sua anatomia confusa – talvez, qualquer coisa entre os rins, o fígado e o apêndice
a barriga?
não, o estômago
o apêndice?
não, o estômago
Pequenas despedidas e pequenos regressos que deveriam ser explicados tim-tim por tim-tim, postos preto no branco, os pontos nos is, porque assim se pouparia a desordem nos pulmões e esófago e coração e boca e estômago e tudo o que é entranha suspensa em vácuo, o organismo encerrado para obras, a meio gás, anémico e depois,
um ritmo cardíaco preguiçoso, fartinho de tantas pequenas despedidas e pequenos regressos, que se acumulam rosto após rosto e com truques iguais
como aquele enjoo de não sei quantas mil milhas, mais uma gata que pariu numa casa abandonada e toda suja porque às vezes nem aos domingos se lembravam de a limpar e a empregada, coitada, era praticamente cega e só se lhe avivava um bom olho quando descia ao escuro da adega para roubar garrafas de vinho,
mas isso nem era o mais importante,
o problema era o falso piso de madeira podre, que era um embuste doloroso ao mínimo descuido, um número absurdo de estranhos por dia, o entra e sai naquela tasca de província, onde ela andava num sufoco idiota de tão perdida, tudo às custas de ser uma mulherzinha muito atinada, do alto da sua idade infantil,
que passa os dias a promover uma intensa campanha pelo que está certo e errado, a tentar construir casas de brincar com uma forte sustentação, pilares feitos de grades de sumol e aquelas antigas caixas fortes de groselha todas meladas a vermelho escuro
e depois coloca os irmãos na sala, mas a gata insiste em escondê-los no casarão velho, onde ela de tempos a tempos lá tem de correr o risco de se esfanicar toda, só para poder ter uma família instantânea.
Há coisas que nem aos vinte e muitos anos se entendem.
Pequenas despedidas e pequenos regressos que já cansam, de tanto acontecerem encavalitados, uns por cima dos outros, como uma coluna a abarrotar de vértebras armadilhadas, daquelas que vale mais nem ter, que o sofrimento não compensa tanta vontade de se quer manter de pé.
Continuam-lhe a sobrar umas costas tão feias, tão tortas, tão pouco cicatrizadas, que até faz impressão e vê-se perfeitamente que aquilo só lá vai se ela continuar a lamber as feridas.

sábado, julho 25

leite morninho com canela do jeito que você gosta

Hoje de manhã cedo, durante a power caminhada (nada de comentários jocosos a este novo comportamento pseudo), e depois de observar muitos campeões, alongamentos sugestivos e gente a passear os seus animais, chego à conclusão que não sei o que é que é que me compensa mais, se arranjar um homem ou um cão.

Calcinha Preta - Você Não Vale Nada


(musica lindinha que eu trouxe do Brasil)

sexta-feira, julho 24

djizaz

O despertador tocou mas eu virei-me convencida que conseguia dormir profundamente só mais dois minutinhos e depois acordar com naturalidade e sem alarme, fresquíssima. Acordei quase uma hora depois com a minha gata a cheirar-me os olhos, provocando-me o maior esgar de pânico de que há memória.
Corri como uma perdida, a ver se ainda conseguia apanhar aquele comboio que me salvaria a pele no trabalho, chego à estação mesmo em cima da hora, procuro moedas para tirar o bilhete mas não tenho, meto o multibanco a fazer das suas na máquina mas também não dá e faltam só dois minutinhos para a partida.
Corro que nem uma pessoa com um grave défice mental e sem soutien de desporto (o que me confere toda a graça) para o multibanco do outro lado da rua a ver se ainda me resta algum dinheiro na conta e aí sim, foi vê-la (eu) a correr como um daqueles lagartos histéricos que até correm por cima da água se for preciso.
Mal entro no comboio, desato num ronrom praticamente audível (e até sinto o último ossinho da coluna, onde se poderia desenvolver uma cauda a querer abanar de contente) com o ar condicionado e o sossego. Bastaram 10 minutinhos de viagem para entrar no segundo sono mas assim que o primeiro fiozinho de baba ameaça sair desta boca de princesa, entra um filho da puta com um telemóvel daqueles mesmo potentes a nível de ruído, a dar musiquinhas do Angélico para toda uma carruagem vazia.
Portanto, olho para trás com a maior cara de frete que consegui fazer e levanto a sobrancelha de modo a poder transmitir em pensamento os seguintes dizeres
“daaahhh! és trissómico ou fazes-te?? Fazes-me o favor de meter esse aparelho pelo teu cu acima??”
Até que resultou, mas só depois de eu suspirar muito baixinho “fffffffoddddassssss” um minutinho antes de sair no meu destino.
Chego ao trabalho, prontinha a recomeçar o dia como deve de ser e eis que aparece a maior sapatona desta empresa para me dizer
“Mandei-te um e-mail… estou a pensar ir ao Jamaica este fim de semana…aparece…nunca te vejo na noite pá”
É nesse momento que eu inicio as minhas conversas com Deus para lhe perguntar o que é que ele pretende com esta palhaçada toda logo de manhã.

quarta-feira, julho 22

razão para não ter uma conta no facebook, se tiveres um blogue muito pouco assumido:

há sempre alguém que não quer guardar esse segredo.

terça-feira, julho 21

menu agridoce

Hoje temos uma Lady-Sashimi pisada com vigor numa tábua de pedra – dizem que torna o peixe mais tenrinho mas é mito urbano - e depois decepada em finas fatias por uma Yanagui Ba certeira (ópamim, ainda a respirar).

De notar as semelhanças com o salmão, sobretudo ao nível da tonalidade e percentual de gordura benéfica para o sistema cardiovascular.
Servir com soya sauce (“molho de soja” é tãaao restaurante chinês).
Para sobremesa, um Toucinho-do-céu dulcíssimo.

Bon Appétit.

domingo, julho 19

é amor é

Depois de um mês sem qualquer tipo de contacto, estou a tentar salvar o que resta da minha relação.
Mas tem sido muito difícil perdoar o olhar de indiferença com que fui recebida pela minha gata.
Espero que não tenha nada a ver com a canção que lhe costumo sussurrar com a minha voz doce:

gatinha,
gatinha,
tens quatro patites,
vês?

sexta-feira, julho 17

triângulo amoroso

Esmiuçando bem as coisas, consigo identificar três homens em todo o mundo que não sei por que carga de água, me fazem sentir uma espécie de histeria sexual muito, muito, muito difícil de resolver:
Jude Law, Justin Kirk e um outro tipo que também não deve fazer ideia disto (eu própria só sei de vez em quando).

quarta-feira, julho 15

quero aproveitar este título para declarar o meu profundo amor à cafeína

Tenho de começar a pensar no dia em que, hei-de colocar o meu melhor par de calças de ganga (aquelas que me fingem um ventre liso), uma t-shirt levíssima de corte assimétrico (aquela que me mostra o meu melhor ombro, que é o direito por acaso) e um sorriso colgate (dentes brancos que dói, deus me abençoe) para

knock knock

(olá meu pequeno cocó)

- Boa Tarde, dá-me licença? Preciso de falar consigo. Prometo não roubar-lhe mais de dois minutos.
Obrigada. Não, não se passa nada. Sim, sim, está tudo bem. Quer dizer, não, quer dizer, sim, quer dizer, eu não tenho como introduzir o assunto de outra forma senão indo directa ao que preciso de lhe dizer

E agora, ao melhor género de Você Decide, qual o melhor desfecho:

- Lamento imenso. Lamento, lamento, lamento, lamento, lamento, lamento (chorar um bocadinho, fingir um micro ataque epiléptico e retomar) lamento, lamento, lamento, lamento mas…, a verdade é que, tanta merda faz-me mal à cabeça. Temo até que se note um pouco os efeitos nocivos da exposição continuada a tanto cocó. O seu cocó, o cocó das outras pessoas, o cocó do trabalho, o cocó do resultado final. Enfim. Cóco. Assim em geral.

- Eu sei que desconhecia completamente, mas a verdade é que tenho vindo a construir uma carreira académica na área da Astrofísica e neste momento tenho em mãos uma proposta da NASA muitíssimo aliciante. Basicamente sou uma estrela que gosta de outras estrelas (aqui também não fica mal um micro ataque epilético).

- Sendo sincera, eu não nasci para trabalhar. Eu odeio trabalhar. É uma maçada, horários e não sei quê. Tem aquela cena do ordenado e tal, mas com isso posso eu bem. Os meus pais são bué de ricos e eu acho que aprendi a lição depois deste ano de trabalho. Não volto a dar no crack. Really. Swear to blog.

- Eu hoje acordei com todo um projecto de vida. Como sabe (eu acho que sabe, não sei…) casei-me há uns meses e recentemente o meu marido foi promovido…estamos com uma vida muitíssimo confortável e pareceu-nos a altura ideal para começar a trabalhar no nosso projecto de construir uma grande família. E como de momento parece que já estão dois a caminho (festinha na barriga)…

- Posso dar a minha opinião? FESTA FESTA NU MA, NU MA IEI, NU MA, NU MA IEI, NU MA, NU MA, NU MA IEI! CHIPUL TAU SI DRAGOSTEA DIN TEI! (excelentes condições para me autoflagelar com o agrafador mais próximo)

Para já são estas as ideias em cima na mesa.
Até Outubro, isto será todo um work in progress.


terça-feira, julho 14

lista de coisas a roubar nos shoppings de lisboa

Imaginem uma jovem, bonita, simpática e alegre.
Uma jovem um pedacito roliça mas de olho vivaço e de coração aberto para a vida. Imaginem agora que essa jovem (que, aproveito para acrescentar, é tão inteligente que até faz impressão), gostava muito de poder adquirir uns produtos mas encontra-se de momento muito pobre. Mesmo muito pobre.
A vida comete certas injustiças. Eu tenho pena desta jovem. Ainda por cima – vejam como o horror se agudiza - daqui a menos de um mês, esta jovem completa 26 verões.
Idade tão bonita, não é?
Que caso dramático o desta jovem que para ser feliz, assim praticamente na totalidade, só precisa de uns pormenores.





segunda-feira, julho 13

reentré

Depois de três semanas intensivas e recheadinhas de tudo o que faz bem - sol, águas quentes e muito mimo (tenho pessoas inacreditavelmente fixes na minha vida) - venho de mangas arregaçadas para por ordem nesta balbúrdia algo peganhenta em que se transformou o meu último ano.
Só o blogue ficou a ganhar com tanto tempo morto num emprego (o tão português “bom emprego”) que me oferece uma estabilidade e regalias bastante razoáveis para uma moça licenciada sub-30. E eu estou farta destas horas vagas, do registo da correspondência em Excel, de carimbar automaticamente uns papelitos, atender umas chamadas e em dias de festa lá enviar um fax ou outro.
Entrar às nove, sair às seis. Comer nas cantinas à uma em ponto. Receber um ordenado pontualíssimo, ter um contrato cheio de benesses, seguro de saúde, estar nos quadros da empresa e usufruir de um telemóvel com um plafond interessante. Em contrapartida: engolir sapos grandes, verdes, venenosos. Suportar os olhares invejosos, as bocas maldosas, as conversinhas de corredor, de circunstância, de coscuvilhice, as atitudes mesquinhas, as de assédio, a putaria de escritório, a má-fé e as facadinhas e a imoralidade de quem anda sempre a bater com uma mão no peito enquanto a outra aponta o dedo à saia curta de não sei quem ou enquanto a outra masturba alguém nem que só com ligeiras pancadinhas nas costas.
E eu no meio deste circo fodido, a olhar incrédula, a pedir “pode repetir por favor” (não era surdez, era só eu aparvalhada) enquanto tento sobreviver às sensações de inutilidade nascidas de dentro para fora e de fora para dentro.
Tudo isto enquanto ignoro a oportunidade de trabalhar e aprender à desgarrada com pessoas inteligentes.
Quando acabar o Verão encerro esta Silly Season que se arrasta há tempo demais.

sexta-feira, julho 3

notícia de última hora


Molecada, olhem o que o Brasil me está a fazer.
Comprei um par com 11 cm de altura!
Eu não sei andar neles, mas isso é o menos importante agora.
Muito feliz e muito alta.

Beijos da Lady, 175cm.