quarta-feira, setembro 30

minhas ricas prendas

meus leitores mais amorosos do mundo, minhas riquezas das arábias, minhas fofuras descongestionantes, minhas princesas jeitosas, meus cavalheiros manhosos, meus companheiros de jornada, meus pimpolhos do caneco, razões do meu blogue, minhas avestruzes bebés, meus piolhos que não fazem comichão, enfim

já telefonaram para o número abaixo indicado? Vá lá minhas ternuras avulso, minhas tostas mistas com queijo queimadinho na côdea (não querem que eu continue, pois não?)

Hoje é o meu último dia de emprego! Yeaaaah!!
Amanhã começo a trabalhar!! Yeaaaaah!!

meus copos de limonada ao sol, minhas andorinhas primaveris, minhas bochechinhas gordas, meus pestanudos de um raio, meus rebuçados de cafeína, minhas bonecas docinhas
(ó pá tenho mesmo de parar)

terça-feira, setembro 29

não é por mim, é por ele

mogli

A Casa Velha ficava exactamente ao lado da casa dos meus avós. No rés-do-chão, há muito tempo atrás, havia uma taberna, uma adega, uma mercearia. No primeiro andar a casa onde a minha avó nasceu. No sótão as arcas cheias de roupa, mantas e lençóis.

Eu conheci a Casa Velha sozinha, acabadinha de chegar de um universo asséptico e alcatifado, sem formigas, teias de aranha, frio, calor, lama, humidade, pó, vento ou qualquer outro indício de um mundo inconstante. Oito anos numa caixa forte, numa cidade cinzenta, num país hermético e depois sou teletransportada à velocidade do que é costume em teletransportação para o mesmíssimo país das maravilhas da Alice, era o que eu pensava. Era impressionante e o meu coração estalava nervoso porque afinal sempre existiam gatos, cães, galinhas, patos, porcos, ovelhas, cabras, aranhas, centopeias, minhocas e outras coisas e tudo do lado de fora da televisão.
E depois havia a Casa Velha.

Não havia tempo nem paciência para tomarem conta de mim e por isso passei uns ricos dois meses sem ouvir uma única vez

vai tomar banho, o que é isso no braço, come a sopa primeiro, gosto muito de ti, está na hora de dormir, não brinques com fósforos, deixa-me apanhar o teu cabelo, ata os sapatos, senta-te aqui ao pé de mim, não fales com estranhos, não comes mais doces hoje, está frio não podes ir só de t-shirt

Não havia mãe nem pai nem irmão nem ninguém que eu conhecesse. Tinha dois avós desconhecidos e um tio que passava o tempo todo a chatear-me o mais possível (tinha 16 anos e aquela guerra hormonal só lhe dava para inventar histórias de merda - “olha, os teus pais morreram num acidente de avião, por isso, agora moras connosco”).
Eu andava preocupada com uma coisa que não dava para explicar a ninguém - eu penso em inglês mas falo em portugês, oh não, a minha vida está um caos.
Fiz anos sem soprar as velas, o que foi bom por um lado, porque eu não podia inspirar com força. Recebi um cartão de aniversário da minha mãe que me pedia para ter paciência que ela estava quase a chegar e que não devia chorar. Tínha de cumprir o melhor possível a única ordem que recebia há meses, embora isso me custasse um peito dorido.

Podia passar muitas horas sem aparecer, nunca me perguntaram

onde é que andaste, o que é que estiveste a fazer, estavas com quem, porque é que não disseste nada, já comeste, magoaste-te, estiveste a brincar com a andreia, onde está a boneca que te comprei, como é que está o corte no pé, já puseste água oxigenada

E eu, como nada do que fazia parecia suficiente para chamar a atenção e nenhum perigo parecia dar cabo de mim de uma vez por todas, anda sempre à procura da next big thing.

Nada superou o risco da Casa Velha. Os soalhos podres, o tecto desabado nos quartos, os móveis a ameaçar uma queda a qualquer momento, os pregos tortos a saltar das madeiras, os tecidos rasgados e cheios de bichos, as janelas sem vidros e um ou outro pássaro morto que nunca deu com a saída.
Ainda não entendi se me queria esfolar à séria no meio daquilo tudo ou se o meu fascínio residia naquele abandono igual.

domingo, setembro 27

♥ sylvia plath ♥


Ela meteu a cabeça no forno, o bebé enforcou-se e a pequena saiu ao pai.
As fotografias enganam imenso.
Eu, por exemplo, fico sempre mal.

sexta-feira, setembro 25

blhec.

homens bananas, inseguros, que nunca se chegam à frente, que se atrapalham demasiado, que não arriscam, que trazem o lado corajoso congelado, que têm a voz tremida, que têm os gestos meio falsos, que têm olhos de boga incertos e pouco brilhantes, que não surpreendem, que não atiram o barro à parede, que se arrastam, que não decidem, que não assumem, que não agarram o touro pelos cornos, que não são valentes, que preferem as meias palavras, que não são apaixonados por nada em especial, que encolhem os ombros, que não se propõem vencer, que têm medo das derrotas, que não são ambiciosos, que não acreditam, que não se atiram, que não sabem lidar com o nosso lado imprevisível, instável e às vezes histérico, que se assustam, que recuam, que dão o dito por não dito, que não são sinceros, que se encolhem perante uma emoção mais forte, que não enfrentam, que não contradizem, que não têm opinião, que não sabem nem querem saber.

quinta-feira, setembro 24

petit gâteau

Acabo de provar o petit gâteau do Pingo Doce.
Não entendo como é que falam tanto disto, a sério.
O meu bolo de chocolate é cinquenta mil vezes melhor (fica muito preto, depois faço recheio e cobertura de brigadeiro e enfeito com raspas de chocolate de leite).

Se calhar o problema é meu, que para já, sou lambona e depois passei meses a ouvir falar no magnífico sabor e textura e isto e aquilo e deixei-me levar nessas utopias. Isto assim de repente, lembra-me as fantasias que as mulheres criam em três tempos, quando estão receptivas – e mesmo quando não estão – e depois chegada a hora de lançar a mão à fruta (uuups, porca) é uma desilusão muito difícil de digerir.

Ainda não há nada que chegue às refeições de improviso. (SÓ me estou a lembrar das pataniscas que a minha mãe me fez de surpresa)

quarta-feira, setembro 23

rita pereira antes das sessões de fotodepilação

outro no fundo do mar

Estou tão enjoada da campanha eleitoral, dos tempos de atena, das carripanas e das bandeirinhas e dos bonés estampados com logótipos desbotados e das canetas e das t-shirts XXL de algodão tão rasca que parece não sobreviver a uma lavagem sequer, mais os comícios e discursos sem ponta por onde se lhe pegue e o cheiro a bifanas baratas, que por mim, era entregar esta merda toda aos espanhóis.

E se ganha a Ferreira Leite, fico descrente para sempre no futuro deste empapado todo à beira mar.

terça-feira, setembro 22

coragem

s. f.
1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos.
2. fig. Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).
3. Usar um fato de banho desportivo e uma touca de silicone em simultâneo.

postal

Bons dias,

daqui fala a ama imaginária da vossa querida sailor moon saloia.
De momento a señorita cadela encontra-se no meio dos montes a vindimar, que agente fala-lhe em vinho e ela fica logo toda orelhas no ar.
No fundo é uma alcoolicazita, coitada, há sempre uma desgraça nas melhores familias.
Ultimamente a conversa é sempre a mesma. Vai suspirando, entre uma aragonês e uma touriga e diz-me
“pois é Esmeralda, pois é. isto é sempre a mesma merda. uma gaja interessa-se por um gajo do cinema e começa logo a fazer filmes.”
Eu nem quero ver quando o vinho estiver pronto.

quarta-feira, setembro 16

too much information

Em 1989

Rapariga está a viver o último mês de trabalho numa empresa.
Rapariga repara no Rapaz recentemente admitido nessa empresa e acha que é visualmente muito aprazível.
Rapariga acha que está com azar.
Rapariga moves on.


Em 2009

Rapariga está a viver o último mês de trabalho numa empresa.
Rapariga repara no Rapaz recentemente admitido nessa empresa e acha que é visualmente muito aprazível.
Rapariga googla “nome do Rapaz+facebook”
Rapariga constata mais uma vez que tem muita sorte na vida e reafirma o seu profundo ódio pelo reggae.
Rapariga moves on.

segunda-feira, setembro 14

ultimamente, para além desta cena do despertador

tenho recebido comentários e e-mails muito giros. Agradeço os elogios e podem continuar, não se inibam. Agora, uma coisinha – tentem não usar tanto as classificações “neurótica” e “descompensada”. Pelo menos, não o façam em simultâneo. E tentem intercalar com outros adjectivos, que neutralizem os anteriores. Ah, e já agora, um tempo de respiração entre e-mails com as palavras “neurótica” e “descompensada” seria ouro sobre azul.
É que têm sido vários e ao mesmo tempo e eu começo a achar que pode muito bem não ser coincidência.

Eu não tenho problemas mentais. Aliás, eu sou um poço de saúde.
Mais perguntem à minha psicoterapeuta.

Ps – à Luz que me disse que até não se importava de me encontrar no Lux – continuo sem poder lá entrar por comportamento indecoroso.

ultimamente, quando o despertador toca, eu reproduzo o "oh" do '58

quinta-feira, setembro 10

?!?!


(roubei esta maravilhosa obra no originals never fit)

bye bye

este blogue tem perdido, em média, 1,5 seguidor por dia (fazendo as contas, vocês já chegaram a ser 125).
porque é que tem de ser gradual?
a sério, se quiserem ir embora, estão à vontade.
amiguinhos-da-internet na mesma.
entendam: não sou eu, são vocês.

terça-feira, setembro 8

coisas mais cheias de graça

eu adorei ler isto e ai se eu tivesse uma t-shirt a dizer pink freud, seria tão fixe.

agora a sério

tudo o que as mulheres querem, pelo menos uma vez na vida, é uma eficaz palmadinha no rabo (perfeitamente situada entre a camaradagem e a violência sexual) enquanto se está a fazer café.

domingo, setembro 6

champô de caracóis

rentrée

Se eu tive um bom fim-de-semana? Siiiiiim.
Se eu descansei muito? Nãaaaaaaaaaao.
Mas andei na má vida? Nãaaaaaaaaaao.
Ah foi trabalho? Foooooooooooooi.
E o que é que isso interessa? Nadaaaaa.
Mas estás feliz? Siiiiiiiiim.
Então isso é o que importa. Pois éeeeeeeeeee.

sexta-feira, setembro 4

loch ness

Águas paradas onde, de vez em quando, há avistamentos de monstros.
É assim a minha "vida sentimental".

(foi a primeira e espera-se que a última vez. se eu voltar a usar a expressão "vida sentimental" corto os dedos todos)

quinta-feira, setembro 3

lista de afazeres para os próximos 3 anos

1. Ir ao Disneyworld
2. Percorrer toda a costa oeste dos EUA
3. Eleger o melhor sushi de Lisboa
4. Correr à chuva
5. Ver as séries: Californication, Dexter e Prision Break
6. Fazer um one-day-spa com a minha mãe
7. Fazer a tal tatuagem do coração
8. Andar mais de bicicleta
9. Ir ao Museu do Oriente
10. Ganhar o 1º prémio do Euromilhões
11. Furar uma cama de água
12. Receber flores
13. Sentir orgulho pelo meu trabalho
14. Comprar uma vespa
15. Apaixonar-me sem querer
16. Inventar um cocktail
17. Ir ao cinema sozinha
18. Cantar num karaoke
19. Apanhar o ramo da noiva
20. Ir à Tomatina
21. Andar num balão de ar quente
22. Roubar um buda
23. Beber uma Moët&Chandon com alguém
24. Emoldurar uma colagem
25. Fazer um álbum com as minhas fotografias favoritas
26. Oferecer um presente inesperado
27. Chorar num concerto
28. Bordar “Home sweet Home” em ponto cruz
29. Passar um dia a ler
30. Restaurar uma cadeira
31. Preparar um jantar a dois
32. Fazer um salto em queda livre
33. Correr 6km sem parar
34. Organizar uma festa inesquecível
35. Responder “sim” a um “queres namorar comigo?”
36. Oferecer um cobertor a um sem-abrigo
37. Aprender a jogar poker
38. Comprar um globo terrestre
39. Cozinhar uma pizza
40. Fazer uma fotonovela
41. Ir ao Jardim Zoológico
42. Fazer um workshop de massagem de relaxamento
43. Passar o ano em Nova Iorque
44. Ver uma aurora boreal
45. Voltar a descer aquela duna
46. Faltar ao trabalho porque está a chover
47. Encostar a boca cheia de petazetas ao ouvido de alguém
48. Jogar na roleta russa
49. Matar uma aranha corajosamente
50. (esta não posso dizer)

quarta-feira, setembro 2

a tpm, em concreto

é uma gaja muito ansiosa em bicos dos pés, em cima da cama, agarrada à almofada, a chorar que nem uma parvalhona (até aqui, tudo normal, sou só eu)

porque:

1 – não consegue matar a aranha que está na parede;
2 – não consegue dormir com uma autêntica aranha viva dentro da sua casa imaculada.