domingo, janeiro 24

noodles

estava capaz, ai juro
que estava bem capaz de não ir trabalhar amanhã, deixar as contas por pagar durante uns tempos a ver no que sempre daria, se me viriam buscar ao café, onde estaria a bebericar meias-de-leite quentinhas. A ver se sempre me repreendiam ou aplicavam multas sérias, só para conhecer a fundo as consequências do que todos chamariam asneiras
por mim seria já amanhã, ai não que não seria
ainda por cima marquei o serviço de substituição do tubo de gás, cuja validade acabou exactamente em Outubro de 2008, é o que diz.
Estou a ouvir belle and sebastian, aquela get me away from here i’m dying, que era coisa que não ouvia há muito tempo, e a pensar, ora bolas se eu não me entregava num instante a uma vida muito diferente, provavelmente com um carro que batesse os cento e oitenta em poucos minutos, o cabelo a enrolar-se todo para depois não haver nenhum amaciador que lhe valesse e eu a borrifar-me para isso, para as arrumações das gavetas, para as respostas atrasadas via e-mail, para o verniz a lascar, para o grande emaranhado da minha vida ultimamente, que é só dúvidas na minha cabeça
sempre a tentar descodificar e catalogar, a ver se chego a alguma conclusão
aliás
Conclusão
aí está a palavra, que é atrás dela que eu tenho corrido, não a ver se chego a um lugar de clarividência mas à procura de um fim à custa de qualquer merdice pouco válida. Que eu não tenho problemas mas inventá-los é tão bom e faz-me uma espécie de confusão acolhedora, o cérebro em noodles,
pois se foi sempre assim causa-me estranheza de outra forma, como é evidente.

4 comentários:

Buttafly...fly...fly... disse...

Até escusava de vir aqui dizer que adorei ler este post a-la-MEC ou Pedro Paixão, certo?

;)

N disse...

eu tenho o cérebro em Nestum, mas quando fica muito grosso e dá para espetar um garfo e ficar em pé. e também não é bom.

Emma Bovary disse...

Há algo de absolutamente grandioso na ideia de que eu sou a derradeira prova de fogo de Deus e que se eu superar todas as dificuldades o mundo pode seguir o seu curso normal...

Mak disse...

Conclusões são coisas fáceis, toda a gente tira as suas, todas as histórias choram por tê-las.

Sem clusões é que são mais difíceis....