sexta-feira, abril 16

cuspindo no prato

Certa vez, aqui a je (nunca tinha utilizado expressão tão tosca e à bimba de merda, calças coladinhas ao pacote, etc.) trabalhou numa afamada empresa em Portugal Continental, onde privou com certos e determinados administradores, cujos limites do razoável foram completamente ultrapassados. Aqui a (espectacular) je, tinha em mãos o instrumento que lhe podia abrir portas para todo um mundo novo e carro da empresa, etc. Corrijo – “poderia ter em mãos o instrumento que…”. Assim é que é. Claro que não era condição obrigatória privar com o instrumento ou manusear o instrumento ou abocanhar o instrumento. Isso era se eu quisesse ser mesmo rica, comprar uma vivenda no Estoril e fazer tratamentos em conceituadas clínicas de beleza. Se a minha cena fosse trabalhar pouco e ter uma qualidade de vida média-alta e estar nos quadros de uma empresa muito estável, bastava passar os dias de saltinho alto e bem maquilhada, a lamber o cuzinho (metáfora) e a dar palmadinhas nas costas (não é uma metáfora) e a engraxar todos os superiores em todos os corredores. Poderia optar também, se quisesse um bónus de vez em quando, por ser vaga em algumas conversas ou e-mails, deixando em aberto a possibilidade de acontecer um jantar ou uma esfrega algures entre a fotocopiadora e a máquina do café.
Como tenho um acervo de valores inerentes à minha personalidade sã e justa, apresentei uma carta de demissão muito gira que surtiu efeito imediato. Dei o mês à casa e ala que se faz tarde. Curiosidade – quase um ano depois desta linda história, propõem que eu regresse. Ora, no dia em que a Inditex não tiver roupinha para eu dobrar num armazém muito escuro, até pode ser que sim.
Porque é que eu merecia ganhar o euromilhões? Para nunca mais me preocupar em manter contactos com gente que não interessa para nada e fazer chegar este post a certas e determinadas caixas de e-mail. Também gostava de dar palestras a recém-licenciados (os que não estiveram a aprender os meandros da má fé em certos e determinados departamentos das Associações de Estudantes) para lhes esclarecer certas e determinadas coisas.
Entretanto vou ali à Kheil’s comprar um Lip Balm.

10 comentários:

Luna disse...

Há Khiels em portugal, melhere? (descobri o melhor lip gloss do mundo: victoria secret - a gente comeu, a gente dormiu, a gente esteve num avião durante 7 horas, e o lip gloss dura e dura e dura)

Catarina Reis disse...

Infelizmente parece que o valor só é dado aqueles que passam a vida a fingir que sabem fazer qualquer coisa, cabe a cada um saber viver com a sua consciência e com o seu Lip Gloss, para manter o nível.
Bjs Catarina

Mak, o Mau disse...

Dizem as estatísticas que, por cada post deste género, houve cerca de vinte posts iguais que não nasceram porque as mãos que os podiam ter escrito optaram por manusear nas mais diversas vertentes, incluindo a metafórica, um tal de instrumento.

salgados disse...

E que rica cuspidela...

Rafael disse...

O valor é uma coisa muito mutável, porque cada pessoa acha-se no direito de modificar os padrões dos valores como bem lhe apetece. Mas ainda há pessoas que sabem exactamente a essência do que são os valores pessoais e éticos. Um aplauso :)

Lu.a disse...

Fizeste muito bem cuspir nesse prato!

beijo de mulata disse...

É como diz o ditado, uma louca na cama, uma Lady no emprego!
Grande luva branca, essa da bofetada...

provocação disse...

Do I have to teach you how to without the lip balm? Hummm?
entretanto passa o número que há aqui quem não tenha essa coisa parva chamada consciência :p

Madame Frufru disse...

O que me ri com a parte da Inditex.

Bravo Lady!

Mia disse...

Ora mai nada!