sexta-feira, janeiro 29

sou tão cool

que também vou ao lux, vestida ou de rainha de copas, ou de lagarta, ou de cogumelo ou de coelho, ainda não sei bem.
o que interessa é que me porte com juízo que já por uma vez me vi à rasca com aquela gente.

se deus morreu eu não sei mas nietzsche morreu de certeza

Ia para a escola, picada pelos meus pais para ser a melhor. Tinha de ser a melhor, a mais atenta, a bem comportada, a espertalhona da turma para depois ouvir em casa
que nota tiveste no teste de português?
mal se ouvia a resposta e já estava lançada num tom desconfortável
“e a Inês? E quem teve a melhor?”
Enchia a cabeça e o ego rarefeito com aquilo que era música para os meus ouvidos – a minha mãe a palrar em almoços de família e convívios toscos com as vizinhas
ai ela é muito aplicadinha, aprendeu o português num instante, aos quatro anos já escrevia o nome e sabia contar até quinze e já queria livros e olha que parecia não estar só interessada nos bonecos
Tinha um problema de difícil resolução – não era bem comportada. Falava muito, nunca estava quieta, o recreio era um território minado de putos cruéis do qual eu tinha de me defender jogando ao ataque
porque era diferente, fazia as contas de outra maneira, tinha a mania de desenhar coisas esquisitas e sempre preferi a minha caixa de 24 lápis de cera com um apara-lápis embutido aos dez lápis de pau viarco que toda a gente tinha, era gorda e não sabia brincar àquelas coisas da macaca e o jogo da mata, que só conhecia barbies.
Fui educada para ser a melhor, era uma questão de sobrevivência – ou tirava boas notas e começava a preparar um futuro brilhante desde o kindergarden ou me assumia como um caso perdido. Sempre me falaram na universidade. O meu pai queria que eu fosse para direito para ser, de preferência, juíza. Na altura pensei que os canudinhos brancos me iriam cair tão mal que o meu pai só podia estar a gozar comigo. Mas fingi durante algum tempo que lá iria, para a tão digna e cheia de merdas Universidade de Coimbra ouvir os caquécticos de Direito e encher a capa preta de insígnias ilustres e efe-êrre-às por todos os lados.
O plano esfodaçou-se todo quando aos dezasseis anos comecei a ouvir Pink Floyd. E Sérgio Godinho e Nirvana e cenas Rock e Punk e outras coisas que contribuíram para o agravamento do meu mau comportamento (se não se deram conta - acabei de escrever em rima). Lá se foram as manias de ser exímia, aprender a tocar um instrumento, inscrever-me em aulas de karaté, concorrer com as miúdas ricas no ginásio, dominar uma outra língua na perfeição, ter uma relação estável com vista ao casamento por forma a juntar terrenos e imóveis e conceder ao meu pai um genro que lhe agradasse.
A minha mãe deixou de ir às reuniões no sétimo ano, diz que não aguentava mais vergonhas, que era sempre a mesma conversa e não tinha respostas para as Directoras de Turma empenhadas em criar turmas assépticas e ordeiras.
No 9º apanhei uma professora de História que decretou três dias de reflexão na escola porque eu tinha tentado matar uma beta que se vestia em tons de rosa bebé
(foi assim: eu era uma adolescente parva (coisa mais normal), aproveitava os furos para desenvolver brincadeiras parvas com outros adolescentes idiotas como eu (coisa mais normal), tentamos interagir de forma parva com uma beta (coisa mais normal) e a beta foi fazer queixinhas à prof (coisa mais normal) e daí se geraram reuniões com professoras a entrar na menopausa e a tomar drunfos e chás de camomila nos intervalos (coisa mais normal) e chegaram à conclusão que pretendíamos assassinar uma beta (coisa mais bizarra)
No final do 12º vieram os exames nacionais, uns quinze dias sem aulas – quinze dias de reflexão e estudo solitário para alguns; quinze dias de garrafões de vinho, martini e poesia para as três virgens suicidas. Na véspera do exame de filosofia tinha mamado uma garrafa de martini blanco (andava farta de vomitar o rosso), cheguei a casa e ferrei no sono só acordando no dia seguinte. Tive 19 e isso fez-me concluir que poderia com facilidade ser artista e uma pensadora brilhante se bebesse muito e fosse melancólica. Portanto, a eficácia da minha vida só dependia do meu fígado e do desenvolvimento da capacidade de alienação, interrogando permanentemente a existência – desde a concepção de deus ao preço do vinho (duas coisas que até comungam várias dialécticas).
Semanas depois tive de ir apresentar a minha média ao Ministério da Educação e fui obrigada a escolher de um a seis o que eu queria fazer nos próximos quatro anos. Chegada ao edifício, abri o livro dos códigos das instituições à sorte e dei de caras com um curso que era tudo e não era nada e foi mesmo isso.
Fui educada para ser a melhor em tudo (apostaram as cartas todas em mim e ainda não entendi porquê). Faço parte daquela geração confusa que foi para a Universidade a pensar
(mas já na fronteira entre o pode ser que sim quase de certeza mas se calhar pode ser que não),
que com um canudo na mão a vidinha já ficaria muito alinhavada. Os anos na Universidade trataram de rasgar toda essa esperança e andávamos ali sem perceber nem um bocadinho o que viria depois do adeus, facto que nos levava a empenhar tostões e afinco em drogas mais ou menos leves, sempre podia ser que a angústia passasse. O afastamento de casa e das conversas paternas era essencial para manter alguma saúde mental mas ainda assim a pressão crescia como uma sombra ao fim da tarde.
E a pressão continua aqui, irrequieta e à espera de nos engolir a todos mal se dê um passo em falso. E cresce bem e alimenta-se sozinha com a taxa de desemprego, orçamento de estado e o défice das contas públicas, corrupção, escutas telefónicas, decretos de lei.
A minha geração sabe o que isto é, conhece estes exageros, viveu histórias muito iguais, tem vários modelos gps pelas montras mas não lhe elucidam direcções, já não tem colos para chorar à noite, as cidades são demasiado grandes para ter amigos por perto e existe a falácia facebook para fazer de conta que não, não gosta de olhar para o talão do multibanco quando vai levantar dinheiro, não tem intimidade com certezas, a televisão mostra a qualquer momento que os edifícios esmagam trinta mil cabeças num instante, toda a gente conhece alguém que se deu mal com tudo isto e trabalha com pouca dignidade num call-center e mesmo assim morre de medo da miséria anunciada num e-mail com más notícias.
Estamos todos fodidos e cada um para seu lado a tentar respirar da melhor maneira.
Sai uma máscara de oxigénio para os estropiados da mesa três, por favor.

segunda-feira, janeiro 25

skinny jeans

vesti umas calças que andavam a rebolar no fundo do armário, como quem diz “estás gorda filha, não há nada a fazer” e hoje resgatei-as como quem não quer a coisa e estou francamente o máximo com estas filhas da puta.
Se me dedicar a um bocadinho mais de bicicleta poderei finalmente alcunhar o meu rabo como sempre quis: “o maneirinho”.
é evidente que em alturas de maior protocolo irei referir-me ao mesmo evocando primeiro o meu apelido e depois então, o maneirinho.

e é isto meus amigos, sou tão parva

ou procedo ao pagamento no continente.pt ou clico no check out do asos.com




domingo, janeiro 24

noodles

estava capaz, ai juro
que estava bem capaz de não ir trabalhar amanhã, deixar as contas por pagar durante uns tempos a ver no que sempre daria, se me viriam buscar ao café, onde estaria a bebericar meias-de-leite quentinhas. A ver se sempre me repreendiam ou aplicavam multas sérias, só para conhecer a fundo as consequências do que todos chamariam asneiras
por mim seria já amanhã, ai não que não seria
ainda por cima marquei o serviço de substituição do tubo de gás, cuja validade acabou exactamente em Outubro de 2008, é o que diz.
Estou a ouvir belle and sebastian, aquela get me away from here i’m dying, que era coisa que não ouvia há muito tempo, e a pensar, ora bolas se eu não me entregava num instante a uma vida muito diferente, provavelmente com um carro que batesse os cento e oitenta em poucos minutos, o cabelo a enrolar-se todo para depois não haver nenhum amaciador que lhe valesse e eu a borrifar-me para isso, para as arrumações das gavetas, para as respostas atrasadas via e-mail, para o verniz a lascar, para o grande emaranhado da minha vida ultimamente, que é só dúvidas na minha cabeça
sempre a tentar descodificar e catalogar, a ver se chego a alguma conclusão
aliás
Conclusão
aí está a palavra, que é atrás dela que eu tenho corrido, não a ver se chego a um lugar de clarividência mas à procura de um fim à custa de qualquer merdice pouco válida. Que eu não tenho problemas mas inventá-los é tão bom e faz-me uma espécie de confusão acolhedora, o cérebro em noodles,
pois se foi sempre assim causa-me estranheza de outra forma, como é evidente.

em princípio era só isto que eu queria dizer


De vez em quando lá dou uma volta pelos blogs e páginas de fashionistas e gajas entendidas do mundo da moda, que isto foi um boom, esta merda, de repente lembraram-se todas ao mesmo tempo que ter uma malinha LV ou uns sapatos lá dessas marcas que eu só sei dizer mas escrever está quieto, é que era mesmo mesmo espectacular e o objectivo máximo de vida, muito mais que proceder ao acto da fornicação. E lá vejo uns modelitos giros e claro que também não dizia que não a uns quantos vestidos, ténis, maquilhagem, relógios e mais coisas que agora não me lembro. Mas há modas que não entendo, certos fascínios que se propagam como as formigas neste momento na minha cozinha, como as irmãs Olsen.

(deixem-me respirar agora que fiz esta introdução só para chegar a estas tontas)

ora bem,

nem sei por onde começar, mas vá – estas aleijadinhas não têm piada nenhuma. Vão por mim, que estou certa. Não têm uma curvinha que lhes garanta serem fêmeas, têm os olhos sempre demasiado carregados, luminosidade zero, atitude então é que nem vê-la e se repararem com a devida atenção, parecem estar sempre com a maior crise de prisão de ventre da história da evacuação.

Posto isto, vejam lá, façam uma melhor selecção. Tanta gaja boa que há por aí, que até eu que sou eu, não dizia que não.

quarta-feira, janeiro 20

ai que grande cena

estou no top dos 100 blogs portugueses mais visitados - por uma unha negra e proíbo mais inscrições a partir de agora senão não dá. Graças a deus que os meus dias de fama se aproximam a passos largos, que eu só morrei em paz quando for a vedeta cheia de caprichos que mereço ser (anões divertidos e pretas gordas do Candomblé: come to mama!)

mas há uma coisa que me apoquenta: a inutilidade da arte de bem blogar é linda, mas eu tenho de ir ao supermercado fazer compras e só me apetecem bons vinhos e eu sem vinho não me oriento. Sponsors, sponsors, sponsors, meus bons e justos sponsors, apresentem as vossas propostas e sejam beneméritos que isto estamos cá todos para o mesmo: rambóia!

terça-feira, janeiro 19

procuram-se sponsors para:


1. poder escrever tudo o que me apetece e publicar em edições maravilhosas com papéis de boa gramagem e designers dos melhores;

2. fazer implantes capilares ou pagar outro método qualquer que me transforme os seis fios de cabelo numa melena sedosa.

mas quando é que estão a pensar tornar a minha vida extraordinária?
estou fartinha de esperar

quinta-feira, janeiro 14

este blog não tem linha editorial e é meu, todo meu *shuuuac*

Acho que preferia não estar aqui onde me puseste e de onde eu não saí. Não existe um exit luminoso que me aponte a saída mas se eu me concentrar como deve ser ainda dou com ela. Estou a chorar um bocadinho para ver se se me limpa a vista de porcarias e pestanas soltas. Ando a esfregar muito os olhos, é do sono e da chatice que se alapou aos ombros (tensos, e muito). É que esta não sou eu. Pronto já disse. Não sou eu nos refogados, não sou eu à espera de um telefonema, não sou eu a ver se te saem as palavras certas, não sou eu a tentar decifrar gestos. A única facção que sou é a que desespera por algo que seja de uma vez por todas irreflectido, atirado com força e sacudido à pressa da boca.

Sempre vi muitas comédias românticas, tenho o carimbo da Disney no cérebro e tudo o que são entregas afincadas à séria, traduzidas em ramos de flores personalizados, assaltos a ourivesarias por amor às jóias, bofetadas justas e mafiosos leais, militantes muito crentes de causas perdidas e outras coisas que alguns ainda têm a lata de chamar loucura mas claro que é mentira, chama-se fé, estás a entender? Comovem-me muito estas porcarias, a mim, a quem tens oferecido o simpático, o agradável, o conforto, aquele tédio muito tépido e outras perspectivas semelhantes que me engoliram os dedos e eu sem dedos é que não.

terça-feira, janeiro 12

juízo e cabeça fresca



também o café tem de ser quente como o banho a escaldar e ainda por cima não sou lá muito dada à serenidade, nem à calma, nem ao equilíbrio. Coisas aprumadas e a pender para o saudável, só uma vez de dois em dois meses, traduzidas num cobertor e num sofá para arrumar uma tarde de domingo. Gosto de paz mas em pequenas doses, é difícil de explicar, tem de estar tudo a fervilhar numa medida especifica, que não me perturbe o sono pelo menos quatro ou cinco dias da semana (eu trabalho e mudo os lençóis da minha cama, não me posso dar a grandes luxos) mas ai que me falte um desconforto como uma luz de presença, uma azia em lume brando. Uma angustiazinha de trazer por casa nunca fez mal a ninguém, como aquele velho par de pantufas ao qual se regressa sem grande motivo. Enxotem-me os dados adquiridos, as rotinas a desenharem-se mesmo à frente do nariz, o telemóvel a piscar em chegando aquela altura do dia, o respeito pelas horas de sono, o cumprimento das refeições certinhas, o medo da chuva e de outras coisas maçadoras cansam-me a beleza. Prefiro comprar insónias por atacado do que andar a papas e sonos levezinhos quando calha. Não me venham com os caralhos do nude e dos pastéis – são lindinhos por um bocado, mas depois enjoa tanta doçura. Preto, vermelho, branco, azul, amarelo, laranja, lilás se faz favor. Se puder ser. Não me importam de onde provêm as sedas mas quanto às peles não sei esquecer que são esfoladas de um animal a guinchar aflito e eu levo a sério o sofrimento.

tenho de ir pintar as unhas.

alguns efeitos secundários da ciprofloxacina (ando a mandar um grama por dia)

ora, ora:

tonturas, cefaleia, cansaço, agitação, tremor. Muito raramente: insónia, paralgesia periférica, sudorese, desequilíbrio, convulsões, aumento da pressão intracraniana, ansiedade, pesadelos, confusão mental, depressões, alucinações. Em casos individuais: reações psicóticas (evoluindo até para um comportamento de auto-exposição a riscos).

O meu organismo especial optou pela nata da nata, maneiras que às cinco da manhã de hoje ainda não tinha pregado olho e como a essa hora não tinha mais nada de especial para fazer, achei que não era tarde nem era cedo para começar a foder a cabeça do filho da mãe que anda lá por casa e comecei a espingardar à séria, assim a roçar todos os limites do inadmissível, tão ofensiva e caótica que Deus, a existir, nunca me perdoaria e ainda me pregaria um bofetão

a reacção do ogre foi fazer-me um leite quente com chocolate e dizer que sim a tudo numa clara tentativa de me aniquilar com sentimento de culpa mas não foi capaz e eu continuei o raciocínio (qualquer coisa como “nada faz sentido/ a minha vida está horrível/ o mundo é um lugar mau/ só me apetece cometer suicídio mas isto é capaz de não ser nada”) até me fartar.
eu já sou a louca que sou e agora com isto valha-me deus

e agora que escrevi este texto no meu local de trabalho e me apeteceu ouvir música e os únicos auscultadores que haviam por aqui à mão eram aqueles com microfone tipo call-center, mas como não queria o microfone a incomodar-me, levantei-o ficando com uma espécie de antena, passa o meu patrão e achou-me nestes preparos (plus olhos esbugalhados, plus ar de zombie) e de certeza que me achou, mais uma vez, muito confusa e bizarra mas pronto, temos de ser uns para os outros e há angústias bem piores.

sábado, janeiro 9

tinha isto em draft há long long time ago

Portanto, não sei o que queres que te faça para o jantar
é carne, peixe, soja, vodka, whisky, cachaça? – tenho de tudo em casa, tirando a soja e carne só se forem os nuggets congelados do mini-preço que tenho comprado para as refeições rápidas que o trabalho me obriga a fazer e eu também não me importo, que até nem são maus quando bem feitos no forno, à temperatura certa. E isso ainda é o mais importante – a temperatura. Repara que um banho nunca será um banho sem os 30 graus que preciso para me sentir em condições de sair de casa.
De vez em quando lá te aceno um olá, a ver se me emprestas (olha que não disse prestas) um bocadinho de atenção, mas posso muito bem não estar para isto. Estamos em plena rampa de lançamento e eu estou a ser generosa. Daqui a nada revolta-se-me aqui qualquer coisa (e tu não fazes ideia do que estou a falar) mas acredita que ainda viro o teu mundo de pernas para o ar, mesmo sem querer. E se calhar até só estou a gostar deste prolongamento fantasioso porque o que eu adoro mesmo muito a sério é a iminência do desastre, aquele instante sobrelotado de adrenalina antes de revolver o cenário de uma assentada só, é uma tesão aqueles segundos antes de esmurrar uma respeitosa pirâmide de cartas. A ver se nos entendemos – eu até agora só me tenho dado mal com estes farejares que sucedem por aí entre homens e mulheres. Toma lá cuidadinho pela tua rica saúde e agora não oiças isto que não é preciso.


sexta-feira, janeiro 8

eu sempre disse que era dada ao tutti-frutti

eh.

“Eu não sou contra...mas também não sou a favor!”

Acho giro. Ainda estou à espera das imagens de entrevistas de rua:

“Acha que os casais homossexuais devíam poder casar-se?”

“Ahmm...devíam-se casar maisómenos...”

Isto do mais ou menos e do assim-assim lembra-me sempre a competência de uma funcionária pública do Centro de Emprego, que ao preencher a ficha da minha mãe, lhe perguntou:

“Então D. Maria José, diga lá, quantos filhos tem...assim...mais ou menos quantos?”

Tenho muita pena de não ter estado ao seu lado nesse momento, para responder prontamente: nós somos uma média de 6,3 filhos.

quarta-feira, janeiro 6

quatro horas nas urgências

então,
obrigada a quem me estendeu a mão para me amparar na luta contra a doença (especialmente ao Dr. Nuno) e parabéns a quem apostou na cólica renal.
em princípio isto não passa de uma infecção urinária avançadinha que aproveitou a festa para me comer o rim (hum).
mas passa rápido com antibiótico.
agora tenho de ir ali beber água, já volto.

terça-feira, janeiro 5

pus um bambi porque nunca tinha ilustrado nada com um bambi e acho isso pouco correcto da minha parte


Venho dar conta de uma situação extremamente desagradavel, que, a continuar assim, é má onda. Não vou estar com meias palavras nem rodeios – sou pessoa para finar em breve. Morrer, exactamente. Ora recuemos até ao dia 31 do passado ano. Começo a sentir graves dores no ovário direito que me impossibilitaram de várias actividades, nomeadamente caminhar pela rua como uma diva, obrigando-me a fazer o meu trajecto com um certo ar de Corcunda de Notre Dame e com o sobrolho franzido. Como sabem, odeio drogas (excepto as recreativas que me oferecem uma visão geral do mundo muito mais aprazível). Mas como estava em sofrimento lá cedi à toma de be-nu-rons.

Chegada a passagem do ano e derivado à toma de susbtâncias anestesiantes e divertidas a coisa foi-se resolvendo. Dia 1 lá permancia o ovário estragadissímo, a pulsar histérico, todo mauzão. Feita uma breve pesquisa no google percebi que tinha um cancro horrível mas a boa noticia é que venci-o com paracetamol.

Chega-se à noite e esta que vos escreve começa a notar que tem um rim direito em mau estado. Dores de meia-noite, não podía estar sem parecer uma grávida agarrada às costas e a caminhar com a pança (pancinha aliás, um bocadinho saliente mas fofinha) mandada para a frente e vão mais dois ou três analgésicos para fazer de conta que não se passa nada. Acordo no dia seguinte de madrugada a choramingar como uma mariquinhas, a achar que devia ir às urgências, que não era normal. Mas eu sou uma tipa responsável. Deixei-me estar muito quietinha e acabei com as caixas de brufene e paracetemol.

Ontem à tarde começa-se-me a subir uns calores fígado acima. Não é bom sentir o fígado todo inchado e palpitante. Assim uma dor aguda tão forte e chata que não posso tossir, espirrar, fazer força, aspirar o cotão da sala. Esta noite estava convencida que ia morrer e enquanto não encontrava uma posição pacifica, nem me podia virar sem dar um ui, ia reflectindo sobre o meu percurso de vida e quem me iria esperar quando chegasse ao purgatório.

Tirando os problemas mentais sempre tive uma boa saúde. Mas está visto que chegou a hora da ter uma valente falência múltipla dos órgãos vitais. (ai)

Adeus. (deixa-me cá revirar os olhos e por as costas da mão na testa)

true

segunda-feira, janeiro 4

oh que rica merdinha

Olá meu povo justo e bom,

tudo nos conformes?

Eu não.

Passei quatro dias seguidos em acéfalo-mode, entre a cama e o sofá, banhos quentes e leite com chocolate, trash tv, jornais e revistas, massagens nos pés, chá de limão, cafés, cigarros, pijama novo, pouco contacto com a vizinhança, telemóvel silêncioso e música tão boa, muito colo, cobertores, torradas às cinco da manhã, ainda ter as marcas da almofada às três da tarde e agora querem que eu trabalhe assim de uma hora para a outra??

Esta gente às vezes não tem noção nenhuma. Tenham juízo.

sábado, janeiro 2

2009

Faz hoje um ano estava eu a trabalhar com gente muito horrorosa, metida num aparato todo muito chique, numa comitiva de lambe-cus sempre de cafezinho na mão, garrafinha de água em riste, rebuçadinho de mentol a perfumar o pires, camisas finas prontíssimas a esfregar o ecrã gordurento do Blackberry e eu com um nó apertado na cabeça, a mioleira a pingar dúvidas e a sujar-me a cara com rugas, a pensar se aquilo era coisa para durar muito tempo ou que raio de merda deveria fazer da minha vida. E 2009 foi-se fazendo num prolongamento casa-trabalho-casa-trabalho, sempre às turras com as minhas expectativas (i’m a beliver), a ver se sempre me iria safar daquilo e ainda por cima fartinha do Inverno.

Inverno – frio; frio – gelo; gelo – caipirinhas; caipirinhas – Brasil e eis que chego a meio do ano angustiada com um novo convite de trabalho e histérica para me ir enfiar nas águas quentes do Ceará e receber abraços de gente fina. Três semanas de dunas vertiginosas e um bronze depois e eis-me cheia de coragem para me despedir de um inferno bem pago. O Verão foram festas e cervejas que nunca mais acabavam, comemorações a pender para o memorável, manhãs muito luminosas que me transformaram em toupeira mais que três ou cinco vezes. E depois o Outono e trabalho, trabalho, trabalho, trabalho

(ups um gajo giro)

trabalho, trabalho, trabalho, que bom, já não me lembrava como era isto, tudo muito louco mas tudo muito

(foda-se um gajo giro)

ora se não me falha a memória era bem capaz de ser o tal de há não sei quantos anos (vá, dois) que até mereceu a minha melhor atenção e um post e tudo lá atrás mas nem queiram ver que eu escrevia tão mal, que vergonha.

E por falar em escrever, este pedaço de blogue a registar tantas visitas e outras cenas emocionantes, e-mails e elogios exagerados e gente boa onda e links e tudo e eu toda vaidosa e impossível - já agora obrigada (bom mas bom era dar uma festa mas ainda não enriqueci).

E a despedida do ano foi decidida lá pelas 21h30 do dia 31, não fiz planos nenhuns, dediquei-me com afinco ao go with the flow, até ao fim e não é que foi muito nice, eu e uma espécie de Elvis e o Maxime estava giro, gajas e chantilly, obrigada.

Até agora 2010 está a ser espectacular e até já risquei mais uma coisa da lista lá do fundo. Agora tenho de ir vestir umas meias mais quentes, está frio, não está?