sábado, fevereiro 27

vida cinema

De vez em quando, mais uma história incrível sobre um homem maravilhoso. Um daqueles raríssimos, pertencentes ao restrito grupo dos que preparam pequenos-almoços-banquetes, com sumo de fruta fresca, doce de mirtilos, melaço para adoçar o café com leite, croissants muito folhados e manteiga num recipiente de vidro, com um sorriso aberto, a assobiar e a balançar o rabinho e no final ainda fazem um truque de ilusionismo e sai um perfume da cartola.

Pelas descrições, são muito bem parecidos, têm um guarda-roupa impecável e o cabelo sempre bonito. A qualquer momento há bilhetes espalhados pela casa, surpresas como os bobos instantâneos naquelas caixas de mola, a música sempre acertada, as flores no local de trabalho, os presentes sempre na mouche. Estes pequenos deuses nunca falham o tamanho dos sapatos e da lingerie, conhecem as boas marcas e as cores da moda. Cozinham como o Olivier e ao que parece até nos levam as colheres à boca.

E fazem pedidos de casamento no cimo da torre Eiffel e adoram estar em família e com crianças, nunca resistem a nenhuma e são delicados e deliciosos. E que bom gosto para escolher jóias. E que sensatez a beber vinho. E tão cavalheiros, compreensivos, adoram conversar (sobretudo sobre o amor assim em geral), ajuizados, bons decoradores, óptimos parceiros para idas ao centro comercial, justos e bons e nobres e românticos. Mesmo muito românticos, mais do que nos filmes.

O homem que tenho acompanhado mais de perto é um desastre ao lado desses bonecos. Tudo lhe foge das mãos, não há semana que não parta qualquer coisa a lavar a loiça, entorna café e copos de vinho e pacotes de açúcar. Vê-lo na cozinha é sempre um pau de dois bicos (bom, ...). Quanto a pequenos-almoços também não tenho sorte – de manhã aquela cabeça só pensa em arranjar A Bola rapidamente, coçar os tomates, olhar-se ao espelho e grunhir “eeeiiishh!”.

A delicadeza deste bandido só se traduz num gesto – o esforço hercúleo que tem feito para arrotar de forma mais comedida. Já me deu comida na boca, o que resultou numa nódoa (vá lá que sempre se salvaram as minhas gengivas à mercê do garfo desgovernado).

Detesta ir às compras, não sabe a diferença entre botas e botins, refere-se às minhas melissas como “aqueles sapatos de borracha um bocado fora” e acha que sou muito excêntrica porque às vezes “chego a usar três cremes diferentes”. Folheia a Vogue como quem folheia uma Playboy - sobrancelhas bem levantadas e diz que sim com a cabeça. Bilhetinhos românticos não existem. Quando muito lá arrisca uma sms que nunca me deixa comovida. Não fala quando devia falar, não compreende certas coisas, não faz duas coisas ao mesmo tempo, não lhe importam os detalhes, sente ciúmes, não dá conta que fui cortar o cabelo, só repara no novo tapete três semanas depois.

Adoro.

quinta-feira, fevereiro 25

tenham fé

pronto, já recebi uma carrada de e-mails (três) a perguntar se esta história da festa é mesmo verdade. E é caralho! Que fique então bem claro – se eu receber os 1800 euros ou lá o que é da super bock, comprometo-me a produzir o raio da festa, num espaço dançante em Lisboa, com latinhas de chantilly à pressão e pistolas de água para brincadeiras diversas (distribuídos depois das 4h).

Só deus sabe o que eu dava para ver espuma de cerveja a sair desses narizinhos.

quarta-feira, fevereiro 24

2manysuperbockslady party!

Como já tinha dito:

Querem que eu vos organize uma festa como deve ser? Querem cervejas por minha conta? Querem boa música num sitio escuro onde se possam roçar à vontade? Então sejam úteis nestes próximos 28 dias: votem, façam campanha por mim, criem grupos no facebook, organizem reuniões para definir estratégias, façam uma petição e entreguem-se a esta causa.

Palavra d’honra: posso não ter jeito para mais nada, mas estourar dinheiro em cerveja é comigo.

china town


Hoje sonhei que na segunda-feira me tinha decidido casar na sexta dessa semana. A minha mãe ficou histérica mas chateada porque não era nada convencional e marcado muito em cima da hora. Duas amigas minhas, chocadas, tentaram demover-me. A semana passou em poucos momentos, muita aflição à minha volta e chegado o dia de dar o nó – era à noite, eu estava a vestir-me numa cozinha com outras gajas um bocado aflitas e lá fora já se passava a festa. Tudo ia acontecer no Centro Comercial do Martim Moniz e os convidados eram só indianos e chineses à espera do “I do” para começarem a roer chamuças.
A minha alegria era só uma - um vestido branco que mal chegava aos joelhos, todo sailor-navy, com uma fita de cetim azul na cintura, finas riscas azuis e douradas nos ombros e três botões em forma de laço vermelho no decote.
Caso já com o primeiro que me ofereça este vestido. Dou preferências a marinheiros espadaúdos e endinheirados que não tenham especial interesse em casar no centro comercial referido. No da Mouraria creio que também não seria grande ideia.
(atenção que isso só acontecerá quando entrar num 36)

segunda-feira, fevereiro 22

domingo, fevereiro 21

quinta-feira, fevereiro 18

samsung diva

(façam de conta de está aqui uma ventoinha e eu estou em cima de uns pumps com o cabelo a ondular, cheia de gloss, iluminador e uns apontamentos de purpurinas pérola)

A Samsung escolheu duas loiras vistosas – a Carmen Kass e eu – para divulgar o novo Samsung Diva.
Infelizmente o convite não se estendeu a produções fotográficas para colocação em grandes outdoors porque um estudo demonstrou que a minha imagem iria contribuir para a sinistralidade nas estradas portuguesas. Só me pediram para dizer Samsung DIVA num texto, pelo menos sete vezes e portanto aqui vai
Samsung DIVA, Samsung DIVA, Samsung DIVA, Samsung DIVA, Samsung DIVA (com as duas anteriores perfaz a totalidade).
É mentira, não me pediram nada disto. Só querem que vos mostre este vídeo:



E depois disseram que em contrapartida me davam um telemóvel que podia sortear pelos leitores do blogue ou ficar com ele. Ora, eu não sou parva e é óbvio que não vou sortear esta pequena máquina. Primeiro porque isto traz uma câmara fotográfica bastante razoável que é coisa que o meu antigo aparelho não tinha. Mas o que me encanta a sério é a função FAKE CALL. Este é o instrumento que me faltava para ser totalmente independente nos dates mais incertos e para escapar às conversas chatas da minha mãe (finalmente começo a ver alguma possibilidade de não estar a par da vida da vizinha dela).
Posto isto, quem tiver interesse - gajas cheias de sense of style – aqui fica o link para mais informações.

Ps – representantes da BMW Portugal: ponham os olhos na Samsung e vejam lá o que estão a perder.

quarta-feira, fevereiro 17

anúncio

Está decidido.
Vou casar em Las Vegas.
Preciso de dinheiro para a viagem, para o casamento, para as slot machines e para todo o álcool que terei de consumir antes da cerimónia.
Em suma, preciso de 5000 euros e uma semana de férias. Eu trato de negociar essa semana de férias – alguém trata do resto? Não me digam que desse lado não existe um árabe com poços de petróleo que eu não acredito nisso.


update - os casamentos em Las Vegas, esses das capelinhas kitsch com um Elvis e não sei quê, são a sério. sendo assim, mantenho a vontade de inserir moedinhas em slot machines e ficamos por aí.

sábado, fevereiro 13

a igualdade está aqui

Depois da tele-escola, dos cursos ceac e da universidade aberta descobri o espantoso mundo do Academic Earth no blog desta moça e hoje, ao googlar "salinger" fui parar ao canal da Universidade de Yale no Youtube.

Assim de repente, não estou a ver nada mais democrático que a internet.

sexta-feira, fevereiro 12

oreo

Raramente vejo televisão. A televisão que tenho em casa, comprei em segunda mão a um amigo no 3º ano de faculdade (altura em que comprei também um leitor de DVD - assim que o tirei da caixa, percebi que era realmente inútil sem um monitor).
Nunca comprei um serviço de tv por cabo, tenho quase sempre três canais bem sintonizados (a TVI não dá). Regra geral ligo a TV para ver filmes e séries que me vêm parar a casa porque graças a deus que tenho dois dedos de testa para entender que a pirataria é uma coisa extraordinária e o uTorrent uma bênção que bem usada só dá alegrias.
Adoro aquela Mulher Vamp da Câmara Clara, gosto das telenovelas brasileiras, aos Domingos fico muito bem-disposta se consigo fazer o almoço a tempo de ouvir a voz do narrador do BBC Vida Selvagem (é tão confortável aquela voz).
E depois sou vidrada em anúncios.
Agora anda a passar um das bolachas Oreo que está bastante mauzinho. O anúncio é assim – o filho ensina o pai como se come uma Oreo e depois fazem aquela parte cheia de ciência que é mergulhar a bolacha no leite e transportar logo de seguida a bolacha para a boca – posso dizer que este momento está um nojo de mal feito. É que no segundo imediatamente antes do pai comer a bolacha, o filho retira-a com alguma brusquidão das mãos do pai – e é exactamente neste ponto que quero chegar. Qualquer pessoa minimamente entendida sabe que uma Oreo previamente imbuída em leite jamais resistiria àquele movimento violento. Sabe deus quantas e quantas vezes já tive de me deslocar à cozinha para ir buscar uma colher a fim de resgatar a bolacha que sucumbiu à imersão no leite, desmaiando no fundo do copo. Se bem que possa reconhecer que algumas vezes me tenha distraído no período de imersão da bolacha.
Nas embalagens das bolachas Oreo deveria não só vir indicado o tempo ideal para esta imersão como também um pequeno cronómetro em forma de Oreo para garantir a eficácia desta preparação.
São estas pequenas falhas que estragam o que poderia ser uma vida com grande qualidade.

domingo, fevereiro 7

segunda-feira, fevereiro 1

recompensas é que era

Olá deus (muito gosto eu de me dirigir a ti, ó grande)

Faz lá o obséquio de colocares no meu caminho uma mala cheia de dinheiro (só notas de 500, sff).
Lembra-te que ainda não fez oito dias, estava eu a caminho da cinemateca para ver mais uma estopada a preto e branco e muda ainda por cima (e quando é que me deixo de merdas e passo a assumir-me como a miúda pop que sou, caralho?) quando tive de sprintar atrás de um bandido seguido por uma senhora a arfar “agarrem que é ladrão”.
Fica aqui também a boa acção de hoje – se vos suceder ter de gritar por auxílio na rua, nunca usem a referida expressão. Se gritarem a plenos pulmões
AGARREM ESSE FILHO DA PUTA QUE TEM A MINHA MALA
tudo será mais claro e haverão sempre dois ou três machos na rua que sonham ser, pelo menos por um bocadinho, o Ranger do Texas. Eu só me senti uma lontra fumadora a tentar com algum desespero não levar com as mamas na cara, mas fiquei satisfeita com a minha prestação.