sexta-feira, dezembro 31

Preparei duas taças de noodles que comemos na cama. E começou o ano. Trabalhei no dia seguinte, e no seguinte, e no seguinte e todo o ano muito e nem sempre correu bem. Tenho de recomeçar às vezes mais do que uma vez por dia. A crise vai-me ao bolso a toda a hora, andei sempre atenta ao papelinho que sai no multibanco. Não viajei. As minhas férias foram uns 30 mojitos no Bairro Alto, os santos os melhores de sempre, demos uma festa engraçada, acabei o verão a desesperar por mais verão. Eu só queria ter uma boa vida, ser habitué em alguns restaurantes e que nunca me faltem vestidos – nem sempre foi assim mas algumas vezes foi. Não sei que raio de voltas deu o ano, o que é certo é que depois de Agosto seguiu-se o Setembro e trabalhei mais. A minha casa andou um pandemónio. A cozinha nunca teve tanto serviço, até o fogão se desentupiu à força dos tachos. Lembro-me da Morcela com ananás, Pizza de presunto com cebola caramelizada, mixórdia de legumes com requeijão, figos no forno com queijo de cabra, canjas com orégãos e hortelã, cheesecake e bolachas de manteiga. Chivas, Martinis e partimos todos os copos de vinho (é verdade que só tinha dois). Melhor que 2009 às custas de uma companhia melosa. Quis escrever mais mas faltou-me tempo. Li mais e vi mais filmes. Comecei a correr, fiquei histérica por conseguir correr. Um quarto de hora, meia hora, uma hora. Fui seis vezes ao dentista, cortei o cabelo de dois em dois meses. Em cinco estrelas dou praticamente quatro a 2010.

domingo, dezembro 26

i survived christmas 2010

Vinte e duas pessoas à mesa, a minha adorável tia aproveita uma nesga no grande chinfrim para aclarar a voz, aí vem a pergunta anual, já lhe sinto o cheiro:

ENTÃO FILHA?? E NAMORADOS, NÃO HÁ? QUANDO É QUE DÁS UM NETO AO TEU PAI??

Pousei os talheres, consegui cruzar o olhar com todos os convivas em 3,4 segundos e disse:

“Eu gostava. Mas infelizmente, tia, não posso ter filhos.”

Peguei de novo nos talheres, os meus pais preparavam um AVC conjunto, mas fui a tempo:

“ESTOU A BRINCAR!”

Isto teria corrido bem se a minha prima mais velha não tivesse passado o natal connosco. Ela é daquelas que vai acabar por fazer manchetes nos jornais, quando se sentir mais forte que o sistema de videovigilância da Alfredo da Costa.

Ah, o espírito natalício. Ainda o sinto.

quarta-feira, dezembro 22

...

se a Elsa Raposo escrevesse num blogue, teria a rubrica "eu hoje acordei assada..."

quarta-feira, dezembro 15

yes we can't

Ontem à noite não tinha mesmo nada para fazer, a não ser dar continuidade à inquietude com a administração higiénico-sanitária das minhas instalações domésticas. A experiência doméstica só é válida e interessante se forem cumpridos certos objectivos . A saber – remover com regularidade os excedentes de consumo, limpar superfícies, manter os espaços de circuito desimpedidos, etc. Não mudo os lençóis da cama vai para três semanas e tenho uma colónia de formigas em permanente labor num prato abandonado aos pés do sofá – estes são os símbolos eleitos para dar forma ao meu desassossego.

Mas já me estou a desviar. Como dizia, ontem à noite não tinha mesmo nada para fazer senão isto – reflectir sobre a minha actual inaptidão de gerir uma casa. Fiz o que achei que tinha de ser feito: deitei-me no sofá a comer bolachas de manteiga. Tenho, felizmente, esta capacidade extraordinária, que chamo de sistema dos três passos muito antes da Clinique pensar em inventar o seu:

1 – analisar exaustivamente todos os primas de determinado problema (esta fase pode estender-se por muitas semanas, trazendo em loop mental uma dor que vai pontuando o pensamento diário e nocturno)

2 – sofrer (não mais de uma hora, sem bater no fundo, livrem-se de chorar com culpa ou raiva pela incapacidade em questão) – é este q.b. de sofrimento que vai manter o problema insolúvel. Se a melancolia se transformar em aflição, o problema pode estar em vias de ficar resolvido – e neste caso, quem no seu perfeito juízo, quer uma casa limpa e organizada?

3 – se tiverem o jogo de cintura necessário para permanecer no banho-maria do ponto anterior, são capazes de ignorar o problema, até voltar novamente ao primeiro estádio. Lembrem-se que enquanto ignoram o problema ele poderá crescer. Mas o que é que se compara à liberdade de ser inútil/ degustação de bolachas de manteiga?

segunda-feira, dezembro 13

ah

então e a pasta de fotos "se eu pudesse ter um cão"?
vai desaparecer?   :'(

faicebuque

porque é que a minha conta foi bloqueada? o que é que eu faço? tenho courgettes a apodrecer na quinta.