sexta-feira, março 25

classificados

É um lindo e grande apartamento na zona do Marquês, habitado por duas simpáticas miúdas – uma estudante, outra trabalhadeira. Têm um espaçoso quarto disponível de Abril a Julho e o preço é um achado.

Mais informações no e-mail: ladyohmydog@gmail.com

quarta-feira, março 23

açúcar

O poliamor é dos maiores enganos que se lembraram de inventar. Aposto o meu macbook que foi um grupo de pseudo hippies com uma grande pedra e tusa, constrangimentos e uma ou outra questão à volta da fidelidade ou coisa que o valha e puff, fez-se chocapic ou poliamor, como lhe queiram chamar. Esse embrulho de restos de lãs, inútil mas muito fofinho como qualquer caminho fácil. Cheira-me a esturro o “olha filho”, (ou “olha minha jóia” ou “olha minha riqueza”) amo-te muito e tanto que podes foder com quem quiseres e eu também. E eu percebo que ames a Joana, a Raquel e o Manuel pois eu também estou caidinha pelo Igor, pela Rita e pelo Manuel (esse mesmo que estás a pensar).

Gostar apaixonadamente de uma pessoa é comer uma fatia de bolo brigadeiro muito húmido depois de um mês a dieta de Atkins – uma pessoa sabe que quer e precisa daquela fatia toda e se calhar ainda mais um bocadinho, chutar todo o açúcar daquilo e ai se voa sobre o prato um garfo ameaçador a querer beliscar, que nervos.

Poliamor é um quarto de uma garrafa de água das pedras fresquinha, às sete da manhã no Cais do Sodré depois de dançar cinco horas e beber muito álcool, a dividir por todos. Ninguém no seu perfeito juízo fica muito contente. E mesmo sem juízo nenhum, como seria provável no contexto descrito.


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Nota-se muito que estou de dieta?

terça-feira, março 22

*schuuuac*

vá, vamos fazer todos as pazes...querem vir jantar comigo?

...sushi?

não quero nem consigo de outra maneira

continuarei a fazer piadas sobre doenças, morte, desespero, vícios, dor, miséria e outros horrores. sejam meus ou dos outros.
se levar a vida (e as suas tragédias) demasiado a sério fico maluquinha, estamos entendidos?
escusam de mandar e-mails a exigir (!) que eu retire o que disse ou que me mostre ao menos (!!) arrependida.
e para a cambada de imbecis que confunde humor com falta de sensibilidade ou solidariedade vai daqui um grande dedo do meio esticadinho.

terça-feira, março 15

cara nestlé,

podem fazer umas caixas à parte só com os de chocolate?
assim escuso de andar sempre a escolher os que me interessam e a abrir caixas e a deitar fora os outros e isso.
mas SÓ compro se mantiverem o mesmo valor nutricional.

domingo, março 6

jel,

como é que eu hei-de dizer isto...
pfffffffffff.....
bfbfbfbfbfbffffffffffff.....
hummm.
não consigo.
simplesmente não partilhamos o mesmo nível de entendimento.
queria explicar-te como em Portugal devíamos ter uma sala para os meninos especiais.
deixa lá.
Cá estou na pior altura do ano. Foi-se a tolerância. Não aguento mais uma rajada de vento, não quero antecipar a meteorologia antes de fazer uma máquina de roupa, chega de sapatos fechados e lenços de papel ranhosos pelos bolsos. Tenho um misto de medo e pena da cor da minha pele. Recuso-me a olhar para as montras – é demasiado agressivo, ainda ontem um vestido salmão todo folhos que ia ficar tão bem com um gelado morango/ gorgonzola com nozes. Sair do trabalho directamente para o Bairro Alto ou Bica ou Chiado ou Jardim da Estrela ou Cascais ou mojito ou cerveja, um jogo de futebol, sardinha no pão, jantar na rua, janelas abertas, varandas, pátios. Amaldiçoar os turistas, o suor e os banhos insuficientes com a certeza de que não há melhor que o tempo quente. Ficar esticada na relva da Tapada das Necessidades. Não encontrar um bom lugar no Miradouro de S. Pedro de Alcântara. Fechar as persianas em casa, deixar entrar uma brisa só pelos buraquinhos e o soalho a secar em cinco minutos enquanto o sujo outra vez com pingos de melancia. Sacudir a areia do fundo da mala mas deixar de propósito uns quinze-vinte grãos para a certeza de que se foi à praia. A vida devia ser sempre pelos trinta graus.

sexta-feira, março 4

O ano passado por esta altura, em teoria, era uma jovem mulher financeiramente desafogada. Mas, como sabeis, shit happens, nomeadamente a convivência com os meus pais. Foram-lhes suficientes a preparação de uns bons petiscos e a ajudinha de uma primeira insolação primaveril para me sacarem uma assinatura que, vejam lá o disparate, autorizou o banco Santander a levantar todo o meu património financeiro, amealhado durante meses e meses de intenso esforço e permanentes recusas do copo de 500ml aos balcões onde pedi mojitos, de olhos rasos de água, a anuir às mínimas medidas de consumo.

E foi com esse gesto tão doentio que tudo mudou - já não me restam 33 anos para pagar um crédito à habitação. Se tudo correr bem, fica tudo pago em 32 anos e meio.
Embora me console a ideia de que o meu banco fique um pouco melhor com todo aquele avultado montante de quatro dígitos que possivelmente significou algum ajuste na bolsa de valores, não posso deixar de me sentir, todos os dias e desde então, na miséria. 

Toda a gente sabe que há uma relação horrível e injusta entre o saldo disponível e a vontade de adquirir produtos e serviços. E que essa tensa relação se agoniza com a passagem do tempo, anúncios da subida de taxas, más condições meteorológicas, desajustes hormonais ou um rímel que borra. Acreditem que existe a apocalíptica possibilidade de existir uma pessoa no mundo a viver tudo isto cumulativamente e que (mãe, quero voltar à infância) ainda tem o IRS para fazer.

ps - foi uma força de expressão: é claro que não quero voltar à infância. A julgar pelo preço da psicoterapia, nunca deveria ter passado por outro estádio de desenvolvimento senão o que me encontro.

quinta-feira, março 3

+_+

aposto todo o dinheiro que tenho no banco (148,03 eur) que não há quem, dentro da minha área/ faixa etária/ situação geográfica/ indice de massa corporal, que trabalhe mais do que eu.