quinta-feira, julho 21

como contribuir para a indústria dos psicofármacos

- Boa tarde, estou a falar com a Dra. xxxxx?
- Doutora não...
- a-a-a-a.... desculpe... julguei que... qual será o título correcto?
- Princesa.
- Desculpe?
- Pode tratar-me apenas pelo nome.

quarta-feira, julho 20

pro bono

o meu q.i. é elevadíssimo mas há qualquer coisa na linguagem jurídica que me deixa o olhar baço e escorre-se-me logo um fiozinho de saliva...

preciso de um(a) advogado(a). prometo que a história é entediante.

terça-feira, julho 19

caros jornalistas,

eu cá não sou de intrigas mas isto agora mete-se as férias, logo a seguir fogachos da reentré, depois as castanhas e água-pé, finais de outubro músicas de natal nos supermercados e já é 2012.

era para lá de espectacular alguém esclarecer o que se está e vai passar em Guimarães para eu poder decidir se vale a pena retomar o contacto com uma prima minha (tenho horror às taxas inflacionadas dos hotéis).

além disso, ando a desconfiar que podem estar a fazer uso do dinheiro dos contribuintes (eu contribuo imenso) e se é assim achava melhor apurar-se quanto é que já gastaram e se precisam de mais alguma coisinha, quanto é?

quem devia ter vergonha na cara não se vai por agora com estas coisas de elucidar, maneiras que, se os senhores jornalistas pusessem agora um bocadinho de parte as notícias sobre o vento e a probabilidade do mesmo estragar um dia de praia, eu alegrar-me-ia. 

sexta-feira, julho 15

Neura gigante. Ninguém – repito – ninguém! quer saber de mim. O que faz de mim uma pessoa francamente infeliz. Para alem disso, hoje Arcade Fire in da town e eu nem vê-los. Nem bilhete, nem companhia, naaaada.

Avizinha-se um fim-de-semana horrível e solitário. Continuo sem nunca ter recebido flores na vida. Não consigo aumentar a minha massa muscular. Entre outras coisas muito péssimas. 

terça-feira, julho 12

domingo, julho 10

depoimento n.º 1 - tânia

O meu maior sonho na altura era organizar uma festa branca à séria e foi por isso que comecei a trabalhar com o Leonardo. Por outro lado, percebi rapidamente que o maior sonho do Leonardo era constituir família e foi por isso que me empregou.
Trabalhávamos num pequeno escritório ali para os lados de Benfica – não me ficava a caminho, mas a única chatice era que aquilo já tinha sido a sede de várias micro empresas e eu quando ia abrir o correio apanhava sempre com uma carrada de correspondência que nada tinha a ver connosco. Nos primeiros tempos ainda me dava ao trabalho de contactar os CTT para fazerem chegar as cartas às devidas moradas mas depois caguei. Ia tudo para o lixo e até hoje nunca ninguém se acusou, e mesmo que se acusem, não tenho nada a ver com isso. Para todos os efeitos eu tentei. E tentei a sério, posso dizer que mais do que duas semanas. Dei o meu melhor atendendo às milhentas tarefas que tinha de cumprir, como acompanhar o Leonardo para todo o lado – reuniões, almoços, feiras ligadas à nossa área de negócio e todo o género de eventos que organizávamos.

No verão era a loucura. Tínhamos imensas bandas musicais e artistas agenciados e muitos pedidos para dar andamento, tipo, desde festas populares a coisas muito mais sérias como festas de aniversário de grandes empresas. Mas o nosso grande orgulho e de facto, o ponto alto da nossa carreira, foi ter organizado o Fest Mix 2005, com um cartaz de sonho – Quinta do Bill, Paulo Gonzo, Santamaria e Susana Félix.

Infelizmente, foi depois desse evento que tudo começou a ruir. O Leonardo veio com umas conversas de que um dos técnicos de som andava a abusar das confianças em relação a mim, e que eu também não me portava como deve de ser. Enfim. Não era bem assim. O que aconteceu na verdade foi que eu um dia trazia vestido um top com um tecido um bocado elástico meio lycra, estava a ajudar o Quim a desembrulhar uns cabos e estava uma noite super ventosa. 
Acho que todas as mulheres sabem o que acontece a nível físico quando se tem frio. 
Foi nesse sentido que o Quim me perguntou “estás com frio?” e apontou para o meu peito e, por azar, tocou-me sem querer e, por mais azar ainda, o Leonardo apareceu nesse preciso momento.

Quando acabamos os trabalhos desse memorável festival, e depois de imensas discussões, o Leonardo tomou três decisões de enfiada: pedir-me em casamento, encerrar a produtora e criar comigo uma empresa novinha em folha para recomeçar do zero: a Docilsac
Parece que ainda o estou a ouvir:
Basicamente vamos criar morangos e fazer compotas gourmet. Acredita em mim. É o negocio do futuro. – foram as palavras que o Leonardo usou para me convencer.

Apesar de não estar lá muito crente, lá mudei a minha vida toda por ele e por muitas razões. 
Primeiro, partilhava casa com uma amiga super porca, tinha de limpar a casa sozinha todas as semanas, aquilo que eu ganhava só dava para as despesas mínimas. Depois, eu sempre me imaginei a casar como deve de ser e nunca ninguém me tinha dado essa garantia. O Leonardo, de repente, era o candidato ideal – super estiloso, com a contabilidade organizada e muita vontade de se assumir como meu marido. 
Isto foi há quatro anos atrás... eu fiz trinta em Fevereiro...veja lá, tinha vinte e seis aninhos, era uma criança.
O meu casamento foi um dia impecável. Posso dizer que adorei tudo: o vestido, a comida, a banda que animou a noite, o momento pirotécnico em sincronia com alguns temas dos Vangelis. Confesso que me emocionei. Fomos mesmo felizes nesse dia.
Pronto.
Comprámos uma casa espectacular em Almeirim, no meio de uma quinta onde cultivávamos os morangos. E tudo corria mais ou menos bem tirando os dias em que ele andava mais stressado e tínhamos discussões que nem sempre acabavam bem para o meu lado. Ciumeiras dele e não sei quê. Mas não era nada do outro mundo, a vida levava-se.

Entretanto, passados mais ou menos dois anos, dois anos e dois meses...minto! Dois anos e um mês assim é que é, o Leonardo teve a infelicidade de sofrer um acidente com um tractor. O Manuel (um dos melhores técnicos agrícolas da nossa equipa na altura) estava a fazer uma manobra com o veículo e o Leonardo posicionou-se estupidamente mal e aconteceu o que aconteceu – ficou sem as duas pernas e aproveitou este acontecimento para despedir o Manuel, que, como ficou provado não teve culpa nenhuma!

Eu fiquei de rastos e sempre apoiei o meu marido como toda a gente sabe, só que a situação passado uns tempos tornou-se insustentável até porque depois eu e o Manuel fomo-nos aproximando. O Manuel estava quase a ficar com uma grande depressão com tudo isto! Emagreceu sete quilos num mês, isolou-se, já não suportava viver. Dava dó. Na verdade sempre fomos mesmo muito próximos e depois do acidente não quis perder a sua amizade e olhe, apaixonamo-nos um pelo outro. Aconteceu. Ninguém está livre destas coisas, não é? E eu não sou diferente.

Por muito que me custasse, tinha de resolver a minha vida e foi então que pedi o divórcio. O Leonardo claro que não reagiu bem, não se esperava outra coisa. Só que daí a ter-se suicidado vai uma grande diferença. Não sei, sinceramente o que lhe tenha passado pela cabeça para além da bala. Não sei e tenho pena. Agora, se a posição da arma não coincide com a versão de suicídio? Não sei, não entendo nada dessas coisas. Mas em relação ao meu historial com o Leonardo – e que Deus o tenha, sinceramente - é tudo o que tenho a declarar.

quinta-feira, julho 7

ponto de situação

estou há uma semana sem consumir doces, álcool ou fritos. bebo todos os dias para cima de um litro de água. corro muito e durmo sete horas.

aqui deixo uma fotografia do meu organismo:


domingo, julho 3

contabilidade

hoje venho dar-vos conta de uma situação que podemos desde já adjectivar de inédita e espectacular. 
recebi na minha caixa do correio (não na caixa de correio civil, que essa, infelizmente, nasceu para me dar chatices e poupar o ambiente e o papel timbrado da edp, epal, santander, vodafone, ministério das finanças, evax - a primeira newsletter que subscrevi na vida, mesmo antes de ser menstruada, para me sentir uma cidadã mais completa).

bom, como dizia, recebi no e-mail deste lugar onde nos encontramos todos, a notificação pela qual esperei em sofrido silêncio:



fiquei muito feliz. 
quero agradecer publicamente ao saudável leitor que teve a generosidade de partilhar comigo uma fatia dos seus rendimentos, porventura por achar que eu era merecedora de tal montante (vamos colocar as hipóteses de engano ou extorsão de parte). 

é para mim uma honra poder ser agraciada desta forma, que é a que mais prefiro. para efeitos contabilísticos não lhe posso passar um recibo. mas fiz assim: capturei a imagem que comprova a doação, acrescentei-lhe uns desenhos que só eu sei fazer e que com certeza atestam a veracidade da transacção. 

aquele abraço,
lady