quarta-feira, julho 31

querida carris,

you bet!

é claro que tenho crescido contigo, sobretudo a nível espiritual.

sou vossa utente (todo mundo se encaixa e faz sentido com esta designação) há anos suficientes para escrever com propriedade sobre o serviço que prestam, tenho grande experiência na óptica do utilizador das vossas carreiras e afianço que já travei as mais duras batalhas com os meus limites de paciência e compreensão no decorrer dessa utilização. E é por isso que cresço convosco, todos os dias.

O meu passe em conjunto com a vossa miserável pontualidade coloca-me tantas vezes nos terrenos pantanosos da Dúvida (chego atrasada ou chamo um táxi? espero mais cinco minutos ou caminho até uma carreira alternativa? espanco o motorista quando o autocarro chegar ou atiro-me para o chão em convulsões até que o INEM chegue e me transporte até ao destino?) que hoje não deixo escapar a oportunidade para vos dizer OBRIGADA! A Esperar.


"Crescer com o transporte público" é o melhor copy ever, parabéns.

sábado, julho 27

as limpezas


A minha aventura começa quando estava no sofá a pensar num sinónimo de “puta” (para colocar num email dirigido a uma operadora telefónica sobre uma senhora sua comercial) quando os meus olhos batem nos caixilhos da janela que sempre me tinham parecido brancos, comprei-os como sendo brancos, facto explícito numa factura de 2006 mas que, naquele momento se verificavam em absoluto na cor bege. Mas um bege que parecia preferir ser castanho. Um bege com mais problemas de identidade que eu.

Juntei a essa evidência um outro facto que me pareceu de certa forma relacionado: na semana passada o meu melhor amigo estava de passagem por Lisboa e pediu-me guarida por uma noite. Fomos, naturalmente, jantar juntos e quando chegámos a casa abri o sofá cama, dei-lhe uma toalha limpa e fui dormir pois tenho trabalhado como se este fosse o meu último ano de trabalho e quisesse trabalhar o mais possível pois para o ano era já a reforma para sempre e não fosse eu ter saudades de trabalhar. Espero que me tenha feito entender.

Portanto no dia seguinte fui trabalhar da forma que mencionei (desenfreadamente) e quando à noite meti a chave na porta e por consequência a abri, julguei estar já na onda das alucinações por cansaço. A minha casa estava irreconhecível. Não tinha roupa suja pelos cantos, por exemplo. A loiça estava lavada. As antigas crostas de gordura e restos de comida que poisavam sobre a superfície do fogão tinham desaparecido. O cotão que dava aos rodapés um charme de western americano estaria certamente no mundo nublado do cotão agora tão distante do meu.

Primeiro, como disse, pensei que estaria a delirar. Mas essa certeza rapidamente deu lugar a outra verdade: o meu amigo passou HORAS a limpar-me a casa. No fundo passou-me um atestado de porca janada que nem pessoas sabe receber.

Embora tenha certamente despendido um dia para tal tarefa, felizmente ou infelizmente (já não sei) a sua ira anti-javardice não chegou aos caixilhos beges, nem aos vidros, nem de traz dos móveis, nem limpou a gaveta dos talheres por dentro, enfim, esse tipo de coisa que as pessoas pouco higiénicas não fazem (no fundo o porco é ele – what goes around comes around).

Resumindo – alguém tinha de limpar essas minudências com merda acumulada de há anos. Resolvi, portanto, googlar “groupon promoção limpezas domésticas” e eis que se afigura um voucher pensado para a minha particular situação.

Ficou agendado para sábado às 9 da manhã, que horror.

Acordei nesse dia depois de ter dormido intensivamente por quatro horas. Às 9h estava de banho tomado e com um blush que conferia a aparência ideal para mandar limpar a casa pela primeira vez na vida.

O tempo foi passando e não havia sinal das senhoras aparecerem mas eu não dei por ela pois estava a ensaiar o texto e a assertividade:

“as ombreiras das portas e os rodapés não são menos que as outras coisas, também merecem ver um paninho”

“como devem calcular a panela que está no frigorifico com um resto de sopa de Maio e toda a fauna/ flora que entretanto se gerou não é para ficar esquecida”

“as cadeiras da sala têm aquela parte de madeira onde a pessoa tende a colocar os pés, está a ver? Pois.”

Eis que chegaram as 10 da manhã. Como tinha tudo a postos, convinha-me agora a contracena pela qual paguei. Após oito telefonemas, não tive resposta. Às 13h com os olhos tensos de nervos e depois de falar com o Lord Cão despejando-lhe o meu lixo emocional mais comum

“tooooda a gente me engana!!! não há ninguém sério neste país!! não posso confiar em ninguém/ cala-te, não me acalmo nada!! / nada me corre bem, não me basta a merda que tenho acumulada em casa e ainda preciso de mais merda para a minha vida!!”

recebi uma sms

“Bom dia. Tivemos um acidente e viemos parar as duas ao hospital. Lamento mas so agora tive acesso ao telemóvel para a informar. Entraremos em contacto 2af para remarcar. Mto obg e desculpe”

Claro que na segunda-feira ninguém entrou em contacto comigo. E não foi possível remarcar e exigi o meu dinheiro de volta. Dinheiro que me deu alento e possibilidade para comprar um outro voucher de uma outra empresa de limpezas domésticas.

Estava confiante que desta vez ia dar tudo certo pois ao contrário da primeira tentativa, os contactos foram todos feitos por telefone e as conversações tinham sido profissionalmente agradáveis.
Do outro lado da linha era fácil imaginar a figura – uma senhora nos seus quarenta, toda em Lanidor e Massimo Dutti, muito elegante e qualificada, que geria uma equipa de ágeis agentes da limpeza instruídas para o efeito.

Por fim, quando lhe pedi a limpeza para sábado às 9h, apenas estranhei que tivesse dito, “já lhe envio uma sms a confirmar em absoluto, tenho de conferenciar cá em casa”. Mas bom, talvez tivesse uma área de camaratas onde dispunha as suas formiguinhas da limpeza.

À data e hora acertadas eu estava novamente preparada. Quando a campainha tocou, abri a porta e vi uma senhora que eu parecia conhecer de vista das reportagens da Concentração Motard de Faro. Casaco de cabedal, jeans rasgados, óculos escuros a servir de bandolete no cabelo, capacete numa mão, spray limpa vidros na outra.

“Bom dia! Não feche a porta que vem aí a outra pessoa, está só a estacionar. Pode ir explicando o que é para fazer...”

E assim o fiz. Até ser interrompida pelo knock knock de um senhor que eu também conhecia de vista de alguma peça jornalística sobre motards, envergava uma T-Shirt dos AC-DC, cabelo semi-grisalho apanhado num rabo de um metro e meio, casaco de cabedal, capacete numa mão e spray de limpar os móveis na outra.

A playlist que tocava na sala (o que quer dizer que se ouvia na casa inteira pois estamos a falar de 50 m2 e toda a esquizofrenia associada “Ai agora estou na sala, ai que agora já é quarto. Não! Cozinha. Minto! Casa de banho!”) estava a reproduzir os últimos segundos da última faixa de um álbum dos Belle and Sebastian.
Num momento mágico, que teve apenas a intervenção de um clique da minha parte, passou a Pink Floyd.

Os caixilhos ficaram impecáveis.

terça-feira, julho 16

banned

ia no autocarro, muito cansada de um dia de trabalho, a cidade a correr do lado da janela, quando me lembrei

(e como adorava saber o que despoletou esta memória, nunca o saberemos)

que no final dos anos 90 eu frequentava o mirc

mais concretamente o #jorge_palma

e o meu nickname era tão ridículo que foi um milagre não ter sido banida para sempre do mundo da internet.
(mas não fui e como tive sorte, foi sempre a arriscar. como, aliás, se vê. )

acredito que, como eu, existam pessoas humilhadas e confusas relativamente às suas escolhas passadas.
se servir para se sentirem melhor, fiquem confortáveis para revelar os nomes que escolheram para designar a vossa pessoa num sistema de conversação virtual.

um bem haja.

segunda-feira, julho 15

sexta-feira, julho 5

lady, como é que eu faço para ser bué da cena? #1

esta sexta feira começaria por recomendar a leitura do seguinte:
http://www.huffingtonpost.com/2013/06/27/miranda-july-email-interview-we-think-alone_n_3497945.html?utm_hp_ref=fb&src=sp&comm_ref=false

e depois vais aqui --> http://wethinkalone.com/

Cumpridos estes passos, parabéns! Já és um bocadinho mais da cena.
Agora não deites tudo a perder ao afirmar que a tua artista favorita é a Joana Vasconcelos.

quinta-feira, julho 4

Caros leitores,

Este é o primeiro post escrito a partir de um telefone inteligente.
É um pequeno passo para o blogue mas um grande passo para a descida abrupta da minha produtividade em horário laboral. 

Não se vê o meu número de telemóvel, pois não? 

quarta-feira, julho 3

esperemos que as queridas não cheguem a sincronizar a menstruação


no sábado fui à praia

e o Cristiano Ronaldo, ou alguém muito parecido, entrou na minha esfera privada para pronunciar o seguinte:

BOAS! Olha, logo, tipo, vais ver o Toni? É que eu também estou a pensar ir.

A minha cabeça rodou praticamente sobre o seu próprio eixo à procura da Criatura Lord que por certo teria ofertado uma fresquinha ao indidívuo que me abordava.
Mas não.
Estes olhinhos aflitos pelo areal e nem vislumbre de palermas da televisão, programas da tarde, apanhados, nada.

Aquilo era de verdade.

Activei o plano A:

I beg your pardon? (solução espectacular para vários contextos, como, por exemplo, quando perante um comercial da citybank).

2013 está a ser um ano muito esquisito, tanto que, não resultou. Ouvi de volta:

Ãhn? Ya e, mas, tipo, tenho de ir a casa e vou de comboio porque estou sem mota, entreguei-a à sucata, ia-me matando, não 'tás bem a ver, mas tipo, vou comprar outra 'tás a ver, uma KAZAVAKI. Conheces? Aquela merda dá 280, ffffff.... mas tipo, é alta cena. Conheces? Sabes o que é?

Estou certa de que os meus love handles, quando sobressaídos e luzidios ao sol, conferem-me um travozinho das barracas e um bikini da primark só sublinha a minha condição.

Ainda assim não merecia isto. Nestes casos é activar o mítico plano B, que vos ensino aqui em primeira mão, nunca falha:

"ich bin ausländer und spreche nicht gut deutsch"

TOUCHÉ.