segunda-feira, março 29

o prato do dia

Ontem, por força de várias circunstâncias que não vos convém saber quais, estava incumbida de enfiar quarenta pessoas num local onde pudessem comer, beber e fumar da meia-noite para a frente.
Tudo reservado, certinho e direitinho, maquilhagem au point e aí vai esta que vos fala para o local combinado, com duas horas de antecedência apenas para informar a cozinha que um elemento se tinha convertido ao vegetarianismo nesse mesmo dia. Portanto, tinha de se arranjar uns fungos com cenoura ralada ou uma omeleta.

Dei com a porta fechada. Mão na anca e “maaaaau”.

21h30 – Lady à porta do local da comezaina – estabelecimento encerrado, técnicos de restauração nem vê-los. Telefone – ninguém atende.

Um café e três cigarros depois:

22h00 – tudo na mesma, “ai o caralho…” telefone; voice-mail, telefone; voice-mail e nada.
Dedos estalados e dois cigarros depois:

22h30 – Ai mulher!!! Daqui a uma hora tens 40 pessoas aqui, esfomeadas, entre as quais o teu patronato em peso com muita vontade de alapar o rabinho e despejar sangrias e isto está tudo fechado! Lá dentro só uma ténue luz a iluminar na vitrina dois doces da casa e uma mousse de chocolate - “TOU FODIDA”.

22h45 – encosto-me a uma parede, coloco a hipótese de rezar um pai-nosso mas não me pareceu viável, não tenho mais nenhum dedinho que estale, não tenho alternativa nenhuma, no plan B. Preparo o discurso de despedimento.

23h00 – vejo um impressionante casal de sapatonas a abrir a porta e atravesso a estrada:

Lady - “Oh meu deus, benditas sejam, estava a ver que não vinham!!!”

Sapatona 1 – Mas…mas…é a menina do jantar de grupo?

Lady – SIM!!!

Sapatona 2 – Mas querida…foi cancelado…infelizmente, por motivos de força maior, a gerência cancelou… por sms creio eu… e hoje estamos fechados, só viemos aqui por acaso, porque há uma infiltração e…
Lady finge uma espécie de desfalecimento.

Sapatonas 1 e 2 – ai ai ai ai, está-se a sentir bem??!

Lady – Oiçam com muita atenção: vamo-nos dirigir ali para a máquina das imperiais, vamos beber uma, esquecer tudo o que foi dito até aqui e VAMOS AS TRÊS PARA A COZINHA PREPARAR ESTE JANTAR.

Sapatona 1 - ahm…uhhmm…ahmm… não temos ordem da gerência…

(telefone toca - era a gerência. Sapatona 1 explica a situação, Lady finge falta de força nas pernas, Sapatona 2 passa a mão pelo pêlo da Lady, yadayadayadayada e OK TEMOS 20 MINUTOS PARA FAZER O JANTAR)

Cada uma mamou 2 imperiais de enfiada, música bem alta, aventais postos, descascar, cortar, por mesas, acender velas, limpar chão, temperar saladas, azeitonas nos pratinhos, linguiça a fritar, quinze jarros de sangria.
Pelo meio eu ainda disse “Não se preocupem com pormenores…são só homens”, ao que responderam num piscar de olhos “Ohhh…que pena!!”.

23h30 – chegam as altas entidades à espera de toalhas bem passadas (só se conseguiu toalhetes de papel) e bacalhau com natas (tínhamos bifes para toda a gente e uma omeleta) .

03h30 - O pessoal já tinha soltado a franga devido ao extra vodka na sangria, a Sapatona 1 já tinha conseguido um abraço meu (mamas XL vs. mamas L) e tudo correu muito bem.

Eu ainda estou um bocadinho nervosa mas isto passa.

sexta-feira, março 26

*suspiro*

Quero uma festa num espaço com as paredes todas forradas com aqueles calendários de bolso de gajas nuas que é preciso lamber para se ver como era antes da brazilian wax.

quinta-feira, março 25

Tenho muita pena de não ser como aquelas pessoas um bocado doentes que dizem “Deus ma livre de sair de casa sem a cama feita!”. Eu, na melhor das hipóteses, mudo os lençóis uma vez por semana e é exactamente nessa altura que a minha cama se encontra feita. Depois nunca mais a faço. Não me dá jeito – nem de manhã nem à noite.
Na minha casa, loiça por lavar nunca falta. O cotão só me começa a enervar quando já anda a esvoaçar junto aos rodapés. Tenho sempre pares de sapatos espalhados pela casa. A minha secretária é uma vergonha: papéis, livros, facturas, cds, um cinzeiro por despejar.
De vez em quando tento melhorar a pessoa que sou (umas duas vezes por mês) e é então que visto uma t-shirt velha que diz “BEBE SUMOL!” e umas leggings para não parecer tão assexuada. Desce sobre mim uma fúria tão grande, que na loucura do aspirador e uns minutinhos nos dois metros quadrados da minha “casa-de-banho” a snifar sonasol misturado com lixívia, começo a esfregar as loiças e a cantar Cranberries (inióoor éeeeeed, itsinióheeeeed, zoooombê, zoooombê zooombê ê ê ê ê).
Chego ao final do transe das limpezas e juro a pés juntos que a partir daquele momento tudo vai mudar e terei sempre a roupa passada e arrumada, nada de migalhas no sofá e nem um borboto no chão para amostra, nem sombra de calcário nos azulejos do polibã!
Uma vez, fiquei tão convicta que cheguei a cumprir com as minhas obrigações domésticas durante três dias seguidos.

iuu-huu!

Olá meu povo, é com muita alegria que vos anuncio a obtenção do lugar cimeiro na categoria Pessoal do Super Blog Awards. Agora está tudo nas mãos do ESPECTACULAR júri .
No dia 5 de Abril já saberemos se haverá festa ou não.
Proponho então um momento de reflexão e um pouco de silêncio.
Mas se o que vos importa mesmo é a possibilidade de mamarem cervejas à pala, juntem-se à comissão organizadora e encham a caixa de comentários com as vossas considerações, opiniões, desejos, detalhes de uma festa ideal, podem pedir músicas aos dj’s (pelo sim pelo não, já estão assegurados).
Pela minha parte…muito obrigada a todos, seus bandidos!

terça-feira, março 23

segunda-feira, março 22

fui eu, fui eu!

como fragilizar e manipular um progenitor

Mãe telefona para a minha residência oficial:

- Então filha? Onde é que tu estás? (clássico…)

- Mãe, vamos respirar fundo e pensar um bocadinho. Telefonaste para um 21… Tu chegas lá…

- Ah!... Oh. Parva! (risinhos nervosos de quem está a pensar “a minha avó morreu cheiinha de Alzheimer até aos dentes”)

- Mãe, eu aceito-te tal como és. Só para te ajudar – estás a falar com a tua filha favorita, a mais velha…aquela bebé perfeita que tiveste quatro anos antes do acidente a que vocês gostam de chamar “o teu irmão”…o tal que me roubou os mimos, a quem tinha de roubar os biberões para me safar da má nutrição…a quem passaram a dar todos os brinquedos… Ainda estão a tempo de me compensar. Nestas coisas, mãe, basta querer…